O Ministro Aprovado
O Ministro Aprovado
Palavra aos líderes - 1Ts 2:1 a 12
Na primeira carta do apóstolo Paulo aos tessalonicenses, capítulo 2, versículos 1 a 12, a equipe missionária formada por Paulo, Silvano e Timóteo defende suas credenciais e postula sua idoneidade perante a igreja.
O texto bíblico expõe vários critérios de um perfil irrepreensível que deve orientar todo ministro a quem foi confiada a tarefa de presidir a casa de Deus, anunciar o evangelho de Seu Filho e apascentar Suas ovelhas.
Servir a Deus no ministério exige um alto padrão de caráter e firmeza resoluta. Deus não se agrada quando seus servos o representam de qualquer maneira, por isso sempre irá avaliar a qualidade de caráter e o posicionamento moral deles.
No verso 4 do capítulo citado, o escritor apresenta a si e aos seus colaboradores como “... aprovados por Deus ...”. É interessante observar que não somente se consideram “aprovados”, mas também demonstram por quê o são. Não devem, por isso, não temem. E não temem parecer presunçosos pois podem provar suas palavras com seus atos. A vida desses homens não é uma negação do que pregam, mas um lastro que dá valor às suas palavras.
Vejamos neste trecho das escrituras, quais são as características do ministro aprovado por Deus.
Use este estudo como um espelho para sua vida, como um prumo divino para acertar suas orientações e motivações com o padrão de Deus.
1Ts 2:2 - “mas, apesar de maltratados e ultrajados em Filipos..., tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus, em meio a muita luta..”
· Os verdadeiros ministros estão dispostos a enfrentar a dura oposição dos homens e das forças espirituais do mal pela causa de Deus. Eles não se deixam intimidar mesmo que a sua reputação, sua liberdade e até sua vida sejam ameaçadas. Não há aqui o instinto de autopreservação, mas um sentimento que os leva a renunciar a tudo pelo progresso do reino de Deus. Eles sabem que a transformação do mundo exige dor como as dores de parto; e estão dispostos, em troca da alegria de dar a luz a filhos, a sofrer o que for preciso.
1Ts 2:3 - “Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo:”
· Engano - A pessoa que não é influenciada totalmente pelo Espírito de Deus, pela Palavra de Deus, está sendo influenciada por um espírito maligno ou pelo próprio coração que o seduz e o engana. Pode alguém assim estar à frente de um rebanho? Se dermos um passo no engano poderemos comprometer toda a nossa jornada. Somos muito suscetíveis a enganos, e principalmente, quando andamos sozinhos, rejeitando o apoio dos outros. Jesus reprovou os saduceus da seguinte maneira: “Laborais em grande erro”. Toda uma vida pode estar construída sobre um conceito equivocado. Impureza - A pessoa que tem pecados não confessados e devidamente tratados está impura. A pessoa que tem motivações estranhas ao interesse de Deus, está impura. Que autoridade terá? Será que não estaria também contaminando seus liderados? Dolo - Dolo é intenção de prejudicar. Que estrago não poderia fazer alguém que estivesse se empenhando pelo insucesso do trabalho ou simplesmente se omitindo em fazer algo pela saúde da igreja?
1Ts 2:4 - “pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, para não agradar a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração.”
· Aqui está o centro deste padrão aprovado por Deus. Paulo tinha a firme determinação de falar simplesmente e somente o que foi incumbido por Deus de falar, não se importando com o tipo de reação que poderia enfrentar. Penso que ele estaria disposto a estar em desacordo com qualquer um que estivesse em desacordo com o evangelho. Paulo não estava à venda, não iria fazer qualquer concessão que envolvesse interesses humanos. Paulo e seus colaboradores não estavam dispostos a fazer política, a usar de diplomacia que pudesse comprometer a pureza do evangelho da cruz. Para ele o lugar disso tudo era a cruz de Cristo onde ele mesmo estava crucificado para o mundo e o mundo para ele. Observe na carta aos gálatas capítulos 1 e 2, onde o apóstolo se mostra plenamente disposto a combater abertamente toda atitude de quem quer que seja, até mesmo do “grande” apóstolo Pedro, que colocasse a Palavra de Deus em jogo por causa do temor aos homens.
1Ts 2:5 - “A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha”.
· Quando o ministro de Deus fala, está envolvido em uma grandíssima responsabilidade: Ministrar com pureza e autoridade os oráculos de Deus. A linguagem é um recurso poderoso de comunicação, por isso devemos tomar cuidado para não usar tal recurso para transmitir outra intenção que não seja a intenção que procede de um coração totalmente comprometido com Cristo e seus valores. Quando alguém usa a linguagem para bajular, está na verdade fazendo partidarismo e politicagem. Quem bajula pode também estar se autopreservando de algo que teme que os homens lhe façam.
“Intuitos gananciosos” são aqueles atos cujas intenções são motivadas por um interesse pessoal de conquista da opinião pública. Quem assim procede está buscando conquistar para si mesmo poder, reconhecimento e dinheiro. Este está completamente desaprovado pois usa da igreja para patrocinar sua auto-estima da mesma forma que um homem rico ostenta seus bens para se destacar no meio social.
1Ts 2:6 - “Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros”.
· Glória significa reconhecimento. Jesus reprovou severamente os religiosos judeus que estavam vivendo em um sistema de vaidades e favores. Era uma verdadeira côrte de falsos nobres distribuindo entre si elogios e barganhas às custas de sua posição privilegiada, sustentada pelo mercado da fé. Esta triste realidade se encontrava também entre os cristãos; e até o dia de hoje, homens inescrupulosos têm se aproveitado da posição ministerial para atrair para si a atenção para nutrir seu narcisismo.
1Ts 2:7 a 9 - “Embora pudéssemos, como enviados de Cristo, exigir de vós a nossa manutenção, todavia, nos tornamos carinhosos entre vós qual ama que acaricia os próprios filhos; assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos não somente o evangelho de Deus, mas igualmente, a própria vida; por isso que vos tornastes muito amados de nós. Porque, vos recordais, irmãos, do nosso labor e fadiga; e de como, noite e dia labutando para não vivermos à custa de nenhum de vós, vos proclamamos o evangelho de Deus”.
· Estes versículos falam de dinheiro, e neste assunto, os missionários que assinam a carta são radicalmente cuidadosos, afim de não dar ocasião a algum sentimento por parte da igreja de estar sendo explorada por eles. Aqui vemos um tipo de amor e abnegação que supera o desejo de retribuição. A palavra grega traduzida por “carinhosos” na versão revista e atualizada da SBB, pode ser traduzida por “bebês”, o que demonstra uma profunda identificação com aquela igreja e também um esforço de demonstrar pureza em suas intenções. Pense em uma ama que amamenta seus próprios filhos. A ama é uma profissional que cuida dos bebês dos outros; mas, certamente não está sendo profissional quando embala seus próprios filhos em seus braços. Este trecho desta carta fala de duas posturas: a de ser um profissional que cobra por um serviço e a de ser um servo abnegado que deixa que o próprio Deus os remunere movendo as circunstâncias a seu favor. Sabemos que o obreiro de Deus deve receber seu digno salário, mas para Paulo e seus companheiros, este direito poderia ser relativizado se seu exercício trouxesse algum escândalo ou dificuldade na recepção de seu ministério naquela comunidade. Paulo estava disposto a abrir mão do seu direito de receber salário para cumprir o seu ministério com eficiência. Este é o perfil do ministro aprovado. Será que você tem choramingado por causa de dinheiro? Será que você tem andado amargurado por causa da má remuneração do seu trabalho como ministro? Será que você tem feito algum tipo de política ou manipulação para garantir um bom ordenado? Lembre-se que se você for desaprovado por Deus, até o que você tem pode te ser tirado.
1Ts 2:10 “Vós e Deus sois testemunhas do modo por que piedosa, justa e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros, que credes.”
· Vemos aqui um pequeno resumo da qualidade do perfil de um ministro aprovado por Deus. Piedoso, justo e irrepreensível. Piedade é a expressão prática da espiritualidade. São os atos que expressam os valores de Deus que tanto defendemos. São as atitudes que confirmam o discurso. A justiça é a maneira como se procede e considera todas as coisas. Imagine alguém vestindo uma roupa de um tamanho muitas vezes maior ou menor do que o tamanho de seu corpo. Que ridículo ficaria. Assim é o ministro que não está ajustado com o padrão de Deus, poderia pregar para sempre, mas não conseguiria fazer com que as pessoas não reparassem em suas contradições. Irrepreensível é aquele que tem sua vida totalmente alinhada pelo prumo de Deus, a sua Palavra. E ainda que erre, está humildemente e publicamente disposto a reparar este erro sem se armar de justificativas.
1Ts 2:11 e 12- “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória”.
· ...de que maneira, como pais a filhos, a cada um de vós... Veja aqui, como os obreiros lidavam com seu rebanho. Se há algo que se mostrou ineficaz e frágil nestes últimos tempos é o evangelho de massa. A grande comissão de Cristo aos seus apóstolos segundo Mateus 28: 19 e 20 é fazer discípulos. Qualquer maneira de fazer a obra de Deus que esteja longe deste objetivo é uma distorção. Laboram em grande erro aqueles que acham que estão cumprindo este mandamento de Jesus limitando-se a pregar nos púlpitos. Pastorear não é presidir assembléias. Presidir assembléias é uma pequena parte de pastorear. Creio que aí está a fraqueza da igreja atual, as pessoas são tratadas como rostos na multidão, e não como indivíduos que precisam da paternidade espiritual. Como pais a filhos, a cada um de vós... este é o ingrediente secreto cujo desconhecimento está fazendo a receita falhar. Vivemos numa sociedade de órfãos espirituais. Quando a pessoa nasce de novo ela se depara com a orfandade dentro da igreja e é por isso que não se desenvolve.
...exortamos, consolamos e admoestamos... Repare o que estes verbos significam: chamar a atenção, confortar e repreender. O evangelho de massa é inoperante neste aspecto. Pense como pode ser uma pessoa que quando criança não foi repreendida, não foi confortada, não foi encorajada... será um adulto cheio de pendências. Assim são os cristãos de hoje, fracos e reprováveis em vários aspectos. Há problemas de alma, baixa auto-estima, revoltas, insubmissão, descompromisso, desonestidade, depressão, obsessões, vaidades... se cada pessoa fosse abordada com cuidado e exortada, admoestada ou confortada no contexto de suas peculiaridades e carências, teríamos um índice maior de crescimento espiritual.
Deus deseja habilitar um povo preparado (Lc 1:17), para isso precisa de líderes preparados, pais espirituais profundamente marcados por Cristo para que, pelo exemplo de vida e firmeza na sã doutrina possam conduzir a Igreja do Senhor à maturidade.
Marcelo Gramigna.de Oliveira – margram@bol.com.br
Janeiro de 2005
Palavra aos líderes - 1Ts 2:1 a 12
Na primeira carta do apóstolo Paulo aos tessalonicenses, capítulo 2, versículos 1 a 12, a equipe missionária formada por Paulo, Silvano e Timóteo defende suas credenciais e postula sua idoneidade perante a igreja.
O texto bíblico expõe vários critérios de um perfil irrepreensível que deve orientar todo ministro a quem foi confiada a tarefa de presidir a casa de Deus, anunciar o evangelho de Seu Filho e apascentar Suas ovelhas.
Servir a Deus no ministério exige um alto padrão de caráter e firmeza resoluta. Deus não se agrada quando seus servos o representam de qualquer maneira, por isso sempre irá avaliar a qualidade de caráter e o posicionamento moral deles.
No verso 4 do capítulo citado, o escritor apresenta a si e aos seus colaboradores como “... aprovados por Deus ...”. É interessante observar que não somente se consideram “aprovados”, mas também demonstram por quê o são. Não devem, por isso, não temem. E não temem parecer presunçosos pois podem provar suas palavras com seus atos. A vida desses homens não é uma negação do que pregam, mas um lastro que dá valor às suas palavras.
Vejamos neste trecho das escrituras, quais são as características do ministro aprovado por Deus.
Use este estudo como um espelho para sua vida, como um prumo divino para acertar suas orientações e motivações com o padrão de Deus.
1Ts 2:2 - “mas, apesar de maltratados e ultrajados em Filipos..., tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus, em meio a muita luta..”
· Os verdadeiros ministros estão dispostos a enfrentar a dura oposição dos homens e das forças espirituais do mal pela causa de Deus. Eles não se deixam intimidar mesmo que a sua reputação, sua liberdade e até sua vida sejam ameaçadas. Não há aqui o instinto de autopreservação, mas um sentimento que os leva a renunciar a tudo pelo progresso do reino de Deus. Eles sabem que a transformação do mundo exige dor como as dores de parto; e estão dispostos, em troca da alegria de dar a luz a filhos, a sofrer o que for preciso.
1Ts 2:3 - “Pois a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo:”
· Engano - A pessoa que não é influenciada totalmente pelo Espírito de Deus, pela Palavra de Deus, está sendo influenciada por um espírito maligno ou pelo próprio coração que o seduz e o engana. Pode alguém assim estar à frente de um rebanho? Se dermos um passo no engano poderemos comprometer toda a nossa jornada. Somos muito suscetíveis a enganos, e principalmente, quando andamos sozinhos, rejeitando o apoio dos outros. Jesus reprovou os saduceus da seguinte maneira: “Laborais em grande erro”. Toda uma vida pode estar construída sobre um conceito equivocado. Impureza - A pessoa que tem pecados não confessados e devidamente tratados está impura. A pessoa que tem motivações estranhas ao interesse de Deus, está impura. Que autoridade terá? Será que não estaria também contaminando seus liderados? Dolo - Dolo é intenção de prejudicar. Que estrago não poderia fazer alguém que estivesse se empenhando pelo insucesso do trabalho ou simplesmente se omitindo em fazer algo pela saúde da igreja?
1Ts 2:4 - “pelo contrário, visto que fomos aprovados por Deus, a ponto de nos confiar ele o evangelho, assim falamos, para não agradar a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração.”
· Aqui está o centro deste padrão aprovado por Deus. Paulo tinha a firme determinação de falar simplesmente e somente o que foi incumbido por Deus de falar, não se importando com o tipo de reação que poderia enfrentar. Penso que ele estaria disposto a estar em desacordo com qualquer um que estivesse em desacordo com o evangelho. Paulo não estava à venda, não iria fazer qualquer concessão que envolvesse interesses humanos. Paulo e seus colaboradores não estavam dispostos a fazer política, a usar de diplomacia que pudesse comprometer a pureza do evangelho da cruz. Para ele o lugar disso tudo era a cruz de Cristo onde ele mesmo estava crucificado para o mundo e o mundo para ele. Observe na carta aos gálatas capítulos 1 e 2, onde o apóstolo se mostra plenamente disposto a combater abertamente toda atitude de quem quer que seja, até mesmo do “grande” apóstolo Pedro, que colocasse a Palavra de Deus em jogo por causa do temor aos homens.
1Ts 2:5 - “A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha”.
· Quando o ministro de Deus fala, está envolvido em uma grandíssima responsabilidade: Ministrar com pureza e autoridade os oráculos de Deus. A linguagem é um recurso poderoso de comunicação, por isso devemos tomar cuidado para não usar tal recurso para transmitir outra intenção que não seja a intenção que procede de um coração totalmente comprometido com Cristo e seus valores. Quando alguém usa a linguagem para bajular, está na verdade fazendo partidarismo e politicagem. Quem bajula pode também estar se autopreservando de algo que teme que os homens lhe façam.
“Intuitos gananciosos” são aqueles atos cujas intenções são motivadas por um interesse pessoal de conquista da opinião pública. Quem assim procede está buscando conquistar para si mesmo poder, reconhecimento e dinheiro. Este está completamente desaprovado pois usa da igreja para patrocinar sua auto-estima da mesma forma que um homem rico ostenta seus bens para se destacar no meio social.
1Ts 2:6 - “Também jamais andamos buscando glória de homens, nem de vós, nem de outros”.
· Glória significa reconhecimento. Jesus reprovou severamente os religiosos judeus que estavam vivendo em um sistema de vaidades e favores. Era uma verdadeira côrte de falsos nobres distribuindo entre si elogios e barganhas às custas de sua posição privilegiada, sustentada pelo mercado da fé. Esta triste realidade se encontrava também entre os cristãos; e até o dia de hoje, homens inescrupulosos têm se aproveitado da posição ministerial para atrair para si a atenção para nutrir seu narcisismo.
1Ts 2:7 a 9 - “Embora pudéssemos, como enviados de Cristo, exigir de vós a nossa manutenção, todavia, nos tornamos carinhosos entre vós qual ama que acaricia os próprios filhos; assim, querendo-vos muito, estávamos prontos a oferecer-vos não somente o evangelho de Deus, mas igualmente, a própria vida; por isso que vos tornastes muito amados de nós. Porque, vos recordais, irmãos, do nosso labor e fadiga; e de como, noite e dia labutando para não vivermos à custa de nenhum de vós, vos proclamamos o evangelho de Deus”.
· Estes versículos falam de dinheiro, e neste assunto, os missionários que assinam a carta são radicalmente cuidadosos, afim de não dar ocasião a algum sentimento por parte da igreja de estar sendo explorada por eles. Aqui vemos um tipo de amor e abnegação que supera o desejo de retribuição. A palavra grega traduzida por “carinhosos” na versão revista e atualizada da SBB, pode ser traduzida por “bebês”, o que demonstra uma profunda identificação com aquela igreja e também um esforço de demonstrar pureza em suas intenções. Pense em uma ama que amamenta seus próprios filhos. A ama é uma profissional que cuida dos bebês dos outros; mas, certamente não está sendo profissional quando embala seus próprios filhos em seus braços. Este trecho desta carta fala de duas posturas: a de ser um profissional que cobra por um serviço e a de ser um servo abnegado que deixa que o próprio Deus os remunere movendo as circunstâncias a seu favor. Sabemos que o obreiro de Deus deve receber seu digno salário, mas para Paulo e seus companheiros, este direito poderia ser relativizado se seu exercício trouxesse algum escândalo ou dificuldade na recepção de seu ministério naquela comunidade. Paulo estava disposto a abrir mão do seu direito de receber salário para cumprir o seu ministério com eficiência. Este é o perfil do ministro aprovado. Será que você tem choramingado por causa de dinheiro? Será que você tem andado amargurado por causa da má remuneração do seu trabalho como ministro? Será que você tem feito algum tipo de política ou manipulação para garantir um bom ordenado? Lembre-se que se você for desaprovado por Deus, até o que você tem pode te ser tirado.
1Ts 2:10 “Vós e Deus sois testemunhas do modo por que piedosa, justa e irrepreensivelmente procedemos em relação a vós outros, que credes.”
· Vemos aqui um pequeno resumo da qualidade do perfil de um ministro aprovado por Deus. Piedoso, justo e irrepreensível. Piedade é a expressão prática da espiritualidade. São os atos que expressam os valores de Deus que tanto defendemos. São as atitudes que confirmam o discurso. A justiça é a maneira como se procede e considera todas as coisas. Imagine alguém vestindo uma roupa de um tamanho muitas vezes maior ou menor do que o tamanho de seu corpo. Que ridículo ficaria. Assim é o ministro que não está ajustado com o padrão de Deus, poderia pregar para sempre, mas não conseguiria fazer com que as pessoas não reparassem em suas contradições. Irrepreensível é aquele que tem sua vida totalmente alinhada pelo prumo de Deus, a sua Palavra. E ainda que erre, está humildemente e publicamente disposto a reparar este erro sem se armar de justificativas.
1Ts 2:11 e 12- “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória”.
· ...de que maneira, como pais a filhos, a cada um de vós... Veja aqui, como os obreiros lidavam com seu rebanho. Se há algo que se mostrou ineficaz e frágil nestes últimos tempos é o evangelho de massa. A grande comissão de Cristo aos seus apóstolos segundo Mateus 28: 19 e 20 é fazer discípulos. Qualquer maneira de fazer a obra de Deus que esteja longe deste objetivo é uma distorção. Laboram em grande erro aqueles que acham que estão cumprindo este mandamento de Jesus limitando-se a pregar nos púlpitos. Pastorear não é presidir assembléias. Presidir assembléias é uma pequena parte de pastorear. Creio que aí está a fraqueza da igreja atual, as pessoas são tratadas como rostos na multidão, e não como indivíduos que precisam da paternidade espiritual. Como pais a filhos, a cada um de vós... este é o ingrediente secreto cujo desconhecimento está fazendo a receita falhar. Vivemos numa sociedade de órfãos espirituais. Quando a pessoa nasce de novo ela se depara com a orfandade dentro da igreja e é por isso que não se desenvolve.
...exortamos, consolamos e admoestamos... Repare o que estes verbos significam: chamar a atenção, confortar e repreender. O evangelho de massa é inoperante neste aspecto. Pense como pode ser uma pessoa que quando criança não foi repreendida, não foi confortada, não foi encorajada... será um adulto cheio de pendências. Assim são os cristãos de hoje, fracos e reprováveis em vários aspectos. Há problemas de alma, baixa auto-estima, revoltas, insubmissão, descompromisso, desonestidade, depressão, obsessões, vaidades... se cada pessoa fosse abordada com cuidado e exortada, admoestada ou confortada no contexto de suas peculiaridades e carências, teríamos um índice maior de crescimento espiritual.
Deus deseja habilitar um povo preparado (Lc 1:17), para isso precisa de líderes preparados, pais espirituais profundamente marcados por Cristo para que, pelo exemplo de vida e firmeza na sã doutrina possam conduzir a Igreja do Senhor à maturidade.
Marcelo Gramigna.de Oliveira – margram@bol.com.br
Janeiro de 2005

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