Os subprodutos do desemprego no Brasil e no Mundo
EDITORIAL - Subprodutos do desemprego
ENQUANTO a reeleição se torna um projeto prioritário para o governo, sobrepondo-se e adiando a solução de questões bastante sérias, vemos que não há como um país das dimensões do Brasil ser submetido, impunemente, a uma política econômica restritiva, com o seu crescimento contido por elevada carga tributária e uma política draconiana de juros, sem que desse receituário não originasse uma crescente onda de efeitos colaterais, que se torna constantemente mais visível e sentida pelas camadas mais humildes da população.
ENQUANTO a reeleição se torna um projeto prioritário para o governo, sobrepondo-se e adiando a solução de questões bastante sérias, vemos que não há como um país das dimensões do Brasil ser submetido, impunemente, a uma política econômica restritiva, com o seu crescimento contido por elevada carga tributária e uma política draconiana de juros, sem que desse receituário não originasse uma crescente onda de efeitos colaterais, que se torna constantemente mais visível e sentida pelas camadas mais humildes da população.
A FALTA de desenvolvimento econômico suficiente anda criando gerações inteiras de desempregados. Não há emprego para os jovens que deixam os cursos profissionalizantes e as universidades. Assim, sem atividade, desiludida e sem perspectiva futura de alguma melhoria, a juventude se torna presa fácil da droga, da prostituição e de todo o tipo de ato criminoso ou ilícito.
COM DIPLOMA debaixo do braço e diante da luta pela sobrevivência, que logo se lhe apresenta em grau de cobranças para o qual não se acha preparado para enfrentar, o jovem se vê pressionado pelos novos valores que lhe são impostos pela sociedade de consumo, cada vez mais materialista e propagadora, nas entrelinhas, do vale-tudo na obtenção de mercadorias colocadas sob a luz sedutora das vitrines.A equipe econômica se meteu em um imbróglio, ao traçar um plano econômico que, bem-sucedido na contenção da espiral inflacionária, não tem deixado espaço para a implantação de mecanismos apropriados à promoção do crescimento econômico. Muitos são os economistas e líderes empresariais que apontam que o Brasil precisa de encontrar uma solução urgente, porque, por trás da crise econômica, vão se formando nichos de criminalidade e perda de auto-estima, principalmente nas camadas mais sofridas da população, onde o desespero tem levado, por exemplo, pai de família a aceitar e mesmo estimular que seus filhos menores busquem na prostituição ou no mundo do narcotráfico o sustento que não lhes pode proporcionar, empurrando-os para uma viagem quase sempre sem volta.
SEM DÚVIDA e sem medo de incorrermos em erro, podemos afirmar que a prostituição infantil e de adolescentes, para a qual as autoridades brasileiras só recentemente despertaram, está presente em todo o Brasil como um dejeto, um subproduto da estagnação da economia e a conseqüente falta de abertura de novos postos de emprego em número suficiente para absorver a mão-de-obra disponível.
Fonte: Diário da Tarde 06/09/2006

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