Friday, October 13, 2006

A iniqüidade avança pelo planeta: a violência contra a mulher aumenta a cada dia

Comentário
Duas conclusões podemos constatar. Primeiro, a violência contra mulheres, crianças e idosos sempre existiu e, certamente, tem se intensificado neste final dos tempos. Segundo, a igualdade entre os sexos não vai acabar com o problema como preconiza a falida ONU, antes, agravar-se-á ainda mais o problema, já que existe um círculo vicioso de machismo-feminismo-machismo.
Somente, através de Jesus Cristo e de sua magnífica obra na cruz do calvário podem nos libertar desta triste raíz pecaminosa adâmica, que destrói o lindo relacionamento entre o homem e a mulher (sua ajudadora idônea)
ONU denuncia aumento da violência contra mulher em todo o mundo
da Efe, em Nova York
A violência contra a mulher não apenas persiste, como também se propaga pelo mundo todo, segundo relatório apresentado nesta terça-feira pelo secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan."
A persistência e o aumento da violência contra as mulheres, e a impunidade com que se permite que esta continue são claros claro indicadores do fracasso dos Estados no cumprimento de suas obrigações de protegê-las", diz o texto.
Apesar dos avanços na criação de um marco legal e de políticas para abordar a questão como uma violação dos direitos humanos, Annan alerta no estudo que existe uma "enorme distância" entre os padrões internacionais e as legislações e políticas nacionais.
"Acabar com a impunidade na violência contra a mulher é crucial. É necessária uma ação coordenada e imediata por parte dos governos. Além disso, estes devem demonstrar vontade política e traçar estratégias sistemáticas e sustentáveis respaldada pelos recursos adequados", disse o secretário-geral da ONU.
O dossiê, pela primeira vez, destaca que a violência contra a mulher, venha de onde vier, é uma violação de seus direitos, além de causa e, ao mesmo tempo, conseqüência da desigualdade entre os gêneros.
Além disso, sustenta que a violência contra a mulher empobrece famílias e comunidades, reduz os recursos governamentais e restringe o desenvolvimento econômico.
Leis
Segundo o relatório, apenas 89 Estados contam com algumas disposições legislativas contra a violência doméstica, e existem 102 países que ainda não adotaram dispositivos legais sobre a questão.
A violação por parte do marido ou do companheiro é outro delito previsto na maioria de legislações nacionais. Mesmo assim, existem pelo menos 53 Estados em que esse crime ainda não está proscrito.
Apenas 93 Estados têm alguma determinação legal que proíba o tráfico de pessoas, e mesmo nos que as têm, sua implementação é ineficaz.
O relatório aborda várias formas de violência contra a mulher, da física e sexual à psicológica-emocional e econômica.
A mais comum é a exercida dentro da própria casa. Este tipo de violência responde por 5% do total dos problemas de saúde das mulheres de entre 15 e 44 anos em países em desenvolvimento, e 19% nos desenvolvidos.
Violência doméstica
Os índices de violência contra a mulher por parte do marido ou companheiro representam entre 13% e 61%, enquanto a violência sexual varia entre 6% e 59%, segundo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A violência psicológica ou emocional exercida por marido ou companheiro oscila entre 10% e 51%, de acordo com o país.A violência contra a mulher às vezes acaba em assassinato. Entre 40% e 70% das mulheres mortas são assassinadas por seus maridos ou namorados em países como Austrália, Canadá, EUA, Israel e África do Sul.
Na Colômbia, segundo o relatório, a cada seis dias uma mulher é assassinada por seu marido ou companheiro, enquanto centenas de mulheres foram seqüestradas, estupradas e mortas nos últimos dez anos em Ciudad Juárez, no México.
Exploração sexual
O relatório da ONU também apresenta outros tipos de violência contra a mulher, como o tráfico para a exploração sexual e a mutilação dos órgãos genitais, prática já sofrida por cerca de 130 milhões de mulheres e meninas, especialmente na África e no Oriente Médio.
Outro fenômeno é o assassinato ou o abandono de meninas pelo simples fato de serem do sexo feminino. Trata-se de uma prática generalizada no sul e no leste da Ásia, no norte da África e no Oriente Médio.
O relatório também aponta para o assédio sexual, sofrido por entre 40% e 50% das mulheres da União Européia (UE) nos locais de trabalho.
O relatório denuncia que a persistência das tradições discriminatórias, dos costumes e dos estereótipos contra a mulher faz com que a população feminina esteja mais exposta à violência.
"A violência contra a mulher requer uma atenção prioritária e recursos para que possa ser abordada com seriedade e visibilidade. Não podemos dizer que fizemos um progresso real em direção à igualdade, ao desenvolvimento e à paz enquanto esta violência continuar", afirmou Annan.
O relatório foi preparado em colaboração com o Fundo da ONU para a População (UNFPA), cuja diretora-executiva, Thoraya Obaid, afirmou que a violência contra a mulher não será detida sem que "tanto homens quanto mulheres cresçam em uma cultura de respeito, responsabilidade mútua e igualdade de oportunidades".

Friday, October 06, 2006

Depressão: a doença do final dos tempos

COMPORTAMENTO - Um ambiente desfavorável pode levar à depressão
Luiz Cláudio Araújo
Fiquei chocado, ao falar com a atendente de uma determinada empresa de telefonia, quando disquei para solicitar um suporte técnico. Do outro lado da linha, uma moça, com uma boa dicção, muito educada, prestativa, solicitava meus dados pessoais, com o fim de solucionar meu problema.
Junto à voz da moça, do outro lado, havia um enorme barulho. Parecia que milhares de pessoas estavam falando ao mesmo tempo, como se se tivesse instalado naquele lugar uma caixa de abelhas. Brinquei com a moça: que barulheira! Como você consegue trabalhar em um ambiente como esse, com todo esse barulho? Ao que ela me respondeu, com um leve sorriso: ¨Empresa grande é assim mesmo¨.
Já está provado, pela ciência que estuda os comportamentos, que um animal, quando colocado em situações de estresse, com estímulos que o agridem sucessivamente, vai, com o tempo, diminuindo sua resposta aos estímulos. Chega um momento em que esse animal se acanha e aceita passivamente as agressões, não reagindo mais.
Com o ser humano, por se acostumar a viver em um ambiente desfavorável, os efeitos e sintomas de uma pressão permanente podem produzir nele uma sensação de acomodação, de dormência emocional. É como se passássemos a considerar aquele ambiente apenas como inóspito. Tendemos a uma reação depressiva cada vez mais presente, ou mesmo de chegar a uma depressão instalada.
Esse modelo acima citado é, na verdade, um lugar que o indivíduo se sente incapacitado de mudar, assim como seus resultados, seja numa esfera menor ou maior. Ainda que seja nocivo, ele não reage, toma uma postura passiva, como se estivesse vendo, atônito, seus projetos e sonhos se desfazerem.
O modelo ou estilo de vida que levamos, de extrema correria, vai com certeza nos debilitando. Não podemos ser ingênuos de pensar que não sofreremos conseqüências de nossas ações. Elas vão se fazer presentes e, na maioria dos casos, de forma nociva.
Como no campo físico, temos a destruição da camada de ozônio, o degelo dos pólos, as imprevisíveis chegadas de maremotos, tufões, tempestades, secas etc. Assim, nós também vamos colher frutos amargos no campo psíquico se não repensarmos nossa conduta.
Digo ainda que não é apenas no campo psíquico. Pesquisas têm mostrado que mulheres estão enfartando quase na mesma proporção que os homens, por causa da mudança de comportamento que adquiriram nos últimos anos. Uma depressão normalmente surge como resposta a grandes mudanças. Ela não surgiu agora, não é uma doença descoberta agora. Vem de séculos atrás. No entanto, tornou-se uma epidemia nos últimos anos, precisamente nas duas ultimas décadas.
A novidade hoje é que atinge, assim como a globalização, todo o mundo. Não existem mais barreiras para ela, todos são afetados implacavelmente. Já é a quarta doença desde 1990 e, pelas projeções, deve ser a doença de número um até 2020. Falta pouco!
Aprender a lidar com as questões vitais, como trabalho, relacionamento social e lazer, é um desafio e tanto. Não podemos sucumbir a um modelo que não traz respostas para uma pergunta: onde está a qualidade de vida? Não é uma tarefa simples sair ileso desta parafernália existencial, demanda reflexões, mudanças progressivas de valores e uma tomada de consciência profunda da existência, sobre tudo do que é qualidade de vida.
Não é saudável chegar ao longo da estrada e descobrir que se trilhou um caminho espinhoso, alcançando o fim com marcas profundas que não trazem boas lembranças. Que tal observar bem as placas de orientação? Um grande abraço!* Luiz Cláudio Araújo é psicólogo clínico e consultor em RH e escreve às sextas-feiras nesta página.
Fonte: Diário da Tarde 06/10/2006