Boletim da iniqüidade: a guerra civil iraquiana
Vingança xiita agrava crise
Nem bem os iraquianos enterram as 215 vítimas de quinta-feira, novas mortes OCORREM
Nem bem os iraquianos enterram as 215 vítimas de quinta-feira, novas mortes OCORREM
Nem o pedido de calma dos líderes religiosos, nem o toque de recolher para pessoas e veículos foram suficientes para impedir que os xiitas atacassem ontem bairros sunitas de Bagdá, em retaliação aos atentados de quinta-feira em Cidade Sadr, que deixaram 215 mortos e 250 feridos. O primeiro alvo ontem foi um pequeno enclave sunita no bairro de Hurriya, cuja maioria da população é xiita. No início da tarde, a milícia Exército Mehdi que controla Cidade Sadr entrou no bairro armada com metralhadoras e granadas propelidas por foguetes e incendiou quatro mesquitas. ¨Eles atacaram a mesquita no horário das orações e mataram 14 pessoas que estavam rezando¨, disse um sobrevivente, o professor universitário Imad al-Din al-Hashemi.
Segundo moradores que não quiseram se identificar, os militantes xiitas queimaram vivos nove homens sunitas. Diversas casas no bairro foram destruídas. Testemunhas também relataram que a polícia permaneceu imóvel quando as milícias começaram a entrar na região de Hurriya. As forças policiais no Iraque são lideradas pelo governo xiita e freqüentemente acusadas de agir em parceria com elas.
MESQUITA
No bairro de Adhamiya, a mesquita de Abu Hanifa a mais sagrada para os sunitas voltou a ser atacada ontem. Outros dois templos sunitas sofreram ataques no Centro da capital. Fora de Bagdá, ocorreram mais ataques contra xiitas. Em Talafar, a 420 quilômetros da capital, ataques suicidas em um mercado xiita mataram 22 pessoas e feriram 45. Em Baquba onde a população é mista , homens armados explodiram o escritório local do Exército Mehdi, a milícia do clérigo Muqtada al-Sadr.
CAIXÕES
Apesar de praticamente toda a capital iraquiana estar vazia, devido ao toque de recolher, no Bairro de Cidade Sadr o movimento era intenso. Dezenas de carros levando caixões das vítimas do massacre de quinta-feira ocuparam as ruas. Homens, mulheres e crianças caminhavam ao lado dos cortejos gritando, chorando e batendo no próprio corpo prática comum em funerais islâmicos. Os cortejos passaram pelo Centro de Cidade Sadr e seguiram para Najaf, cidade sagrada a 160 quilômetros de Bagdá, onde as vítimas seriam enterradas. O presidente Jalal Talabani suspendeu sua viagem ao Irã até que o aeroporto de Bagdá seja reaberto. Talabani deveria se encontrar hoje em Teerã com os presidentes Bashar Assad, da Síria, e Mahmud Ahmadinejad, do Irã.
Seguidores do clérigo xiita antiamericano Muqtada al-Sadr afirmaram ontem que abandonarão o Parlamento e o gabinete de governo se o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, reunir-se com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse um deputado ligado ao grupo.
Políticos ligados a Sadr denunciaram as forças americanas, responsabilizando as tropas estrangeiras pela atual onda de violência no Iraque. ¨As forças de ocupação são as culpadas pela situação do país, e por isso, elas devem se retirar¨, afirmou Saleh al-Iquaili, um senador ligado a Sadr. ¨E se o primeiro-ministro não desistir de seus planos de encontrar o criminoso Bush, nós iremos suspender nossa participação no Parlamento e no governo¨, completou o político.

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