Um giro pelo mundo iníquo
Mais dois crimes em sinais abalam o Rio
Mais dois crimes em sinais de trânsito deixam a população do Rio traumatizada. Anteontem, quando estava em um sinal de trânsito no Estácio, o dentista Jorge Fernando Gomes de Andrade, de 53 anos, foi assassinado a tiros por bandidos e enterrado ontem. No mesmo dia, o aposentado Francisco Paulino Valeriano, de 68, foi assassinado, também a tiros, quando estava parado em um sinal no Largo do Encantado, em um Audi A3. No caso da morte do dentista, o irmão dele, professor de ciências sociais Eduardo Gomes, de 60, disse que Jorge já havia sido atacado outras vezes, uma delas na Linha Amarela, no ano passado. O episódio quase acabou da forma trágica como a de ontem: o dentista acelerou o veículo e os bandidos atiraram, mas não conseguiram acertar o carro. Há quatro meses, Jorge teve outro veículo, um Golf, fechado por criminosos, dessa vez em Bonsucesso. Na ocasião, o dentista agiu de forma diferente, entregando o automóvel aos ladrões.
Mais dois crimes em sinais de trânsito deixam a população do Rio traumatizada. Anteontem, quando estava em um sinal de trânsito no Estácio, o dentista Jorge Fernando Gomes de Andrade, de 53 anos, foi assassinado a tiros por bandidos e enterrado ontem. No mesmo dia, o aposentado Francisco Paulino Valeriano, de 68, foi assassinado, também a tiros, quando estava parado em um sinal no Largo do Encantado, em um Audi A3. No caso da morte do dentista, o irmão dele, professor de ciências sociais Eduardo Gomes, de 60, disse que Jorge já havia sido atacado outras vezes, uma delas na Linha Amarela, no ano passado. O episódio quase acabou da forma trágica como a de ontem: o dentista acelerou o veículo e os bandidos atiraram, mas não conseguiram acertar o carro. Há quatro meses, Jorge teve outro veículo, um Golf, fechado por criminosos, dessa vez em Bonsucesso. Na ocasião, o dentista agiu de forma diferente, entregando o automóvel aos ladrões.
Jorge Fernando morava e tinha consultório na Rua Cardoso de Moraes, em Bonsucesso. Professor há mais de 20 anos do curso de graduação da Faculdade de Odontologia da UFF, era casado, tinha quatro filhos e ainda criava, com a mulher Rosemere, um menino de 4 anos. Com a guarda provisória do garoto, o casal aguardava o trâmite da adoção oficial. Segundo Eduardo, embora muito preocupado com a violência do Rio, o dentista não pensava em se mudar e deixava os parentes preocupados com suas reações: Ele tinha muito medo, mas, por causa do trabalho, era obrigado a voltar à noite para casa. Sempre pedíamos a ele para não reagir e entregar o carro. Só eu já perdi quatro veículos. Uma vez fui assaltado na Rua da Relação, perto do prédio da Polícia Civil , afirmou o professor.
Eduardo elogiou o atendimento recebido na 6ª Delegacia, mas criticou o sistema judiciário brasileiro e o trabalho de investigação da polícia do Rio: Nossa lei penal favorece muito os criminosos. Bandidos pegam 400 anos, mas a lei limita a pena a 30. Depois, são beneficiados com progressão de regime e em seis anos estão nas ruas. Precisamos de reforma no Judiciário e de reforço do policiamento ostensivo e do serviço de inteligência , afirmou.
ALUNOS
Cerca de 50 alunos e professores foram ao Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, onde o dentista foi enterrado. Ele era uma pessoa amável, companheira e muito querida , disse o coordenador de Dentística da Faculdade de Odontologia da UFF, professor Eduardo Moreira da Silva. Jorge havia passado todo o dia no ¨campus¨ do Valonguinho, no Centro de Niterói, dando aulas. Ele dirigia um Siena quando foi abordado no sinal de trânsito da esquina das ruas Joaquim Palhares e João Paulo I, perto da estação de metrô do Estácio. Testemunhas disseram que a vítima foi abordada por dois homens armados, a pé. O dentista teria tentado fugir e um dos bandidos atirou contra ele, acertando-o na cabeça. Foi o terceiro professor da UFF morto em quatro meses em ataques de ladrões.
BLUMENAU -
Italiano é seqüestrado e morto em cobertura
O empresário italiano Vincenzo Nazzaro, de 55 anos, foi encontrado morto ontem, na cobertura onde morava, em Blumenau, a 130 quilômetros de Florianópolis. Segundo a polícia, o corpo do empresário estava caído no chão, enquanto Carlos Lacerda Júnior, de 30, bastante ferido, dormia embriagado na cama ao lado. Segundo o delegado Walmir Padilha, o italiano chegou ao Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, na noite de quinta-feira. Ele e a cunhada Tatiane Lourenço da Silva, de 26, estavam colocando as malas no carro quando foram abordados por dois homens que disseram ser agentes da Polícia Federal e teriam um mandado de prisão contra ele. Nazzaro aceitou pagar US$ 200 mil para ficar em liberdade , disse o delegado.
O empresário italiano Vincenzo Nazzaro, de 55 anos, foi encontrado morto ontem, na cobertura onde morava, em Blumenau, a 130 quilômetros de Florianópolis. Segundo a polícia, o corpo do empresário estava caído no chão, enquanto Carlos Lacerda Júnior, de 30, bastante ferido, dormia embriagado na cama ao lado. Segundo o delegado Walmir Padilha, o italiano chegou ao Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, na noite de quinta-feira. Ele e a cunhada Tatiane Lourenço da Silva, de 26, estavam colocando as malas no carro quando foram abordados por dois homens que disseram ser agentes da Polícia Federal e teriam um mandado de prisão contra ele. Nazzaro aceitou pagar US$ 200 mil para ficar em liberdade , disse o delegado.
Todos foram para a cobertura do estrangeiro em Blumenau, onde o italiano entrou em contato com um empresário amigo de Balneário Camboriú, que poderia conseguir o dinheiro. Tatiane foi mandada para a cidade, a 60 quilômetros de distância, mas nada conseguiu. Enquanto isso, vizinhos alertavam a polícia de que estaria havendo uma briga no apartamento. Sem saber ainda das circunstâncias do caso, a equipe do delegado Padilha entrou no imóvel. No início, aquele rapaz (Carlos Lacerda) disse que era segurança do empresário, mas mudou a história quando Tatiane o identificou como um dos supostos policiais federais , afirmou o delegado.
Marcas de sangue espalhadas por todo o apartamento, de acordo com Padilha, indicam que houve briga. Encontramos quatro tiros no teto, disparados pela arma que estava no quarto , disse. As primeiras informações da perícia revelaram que a morte foi provocada provavelmente por golpes com uma garrafa de champanhe. Lacerda Júnior foi autuado em flagrante por seqüestro seguido de morte e está internado no hospital, pois apresentava profundos cortes na perna. Enquanto tenta descobrir mais detalhes do caso, a polícia investiga o paradeiro do terceiro homem, que fugiu e deixou o apartamento trancado. Segundo a polícia, o italiano era empresário do ramo têxtil em Nápoles e tinha vários imóveis em Santa Catarina.
Crime em Londres - Carta atribuída ao ex-espião acusa Putin por sua morte
O ex-espião russo que morreu na quinta-feira em Londres foi envenenado por uma substância radioativa, informou ontem o governo britânico. Em uma dramática declaração lida ontem e ditada no dia 21, Alexander Litvinenko acusou o presidente russo, Vladimir Putin, pelo ataque. ¨Você pode ter tido sucesso em silenciar um homem. Mas um rugido de protesto proveniente de todo o mundo reverberará, senhor Putin, em seus ouvidos pelo resto de sua vida. Que Deus o perdoe pelo que tem feito¨, disse Litvinenko, de 43 anos, na nota lida por seu amigo, Alexander Goldfarb.
O ex-espião russo que morreu na quinta-feira em Londres foi envenenado por uma substância radioativa, informou ontem o governo britânico. Em uma dramática declaração lida ontem e ditada no dia 21, Alexander Litvinenko acusou o presidente russo, Vladimir Putin, pelo ataque. ¨Você pode ter tido sucesso em silenciar um homem. Mas um rugido de protesto proveniente de todo o mundo reverberará, senhor Putin, em seus ouvidos pelo resto de sua vida. Que Deus o perdoe pelo que tem feito¨, disse Litvinenko, de 43 anos, na nota lida por seu amigo, Alexander Goldfarb.
Putin negou qualquer relação com a morte do ex-espião, asilado na Grã-Bretanha desde 2000, e pediu que a questão não se transforme em um escândalo. ¨É uma pena que algo tão trágico como a morte de um homem seja usada como provocação política... Espero que as autoridades britânicas não contribuam para instigar escândalos políticos¨, disse Putin na Finlândia, onde participa de uma reunião da União Européia.
O presidente russo também questionou a autenticidade da declaração: ¨Se a nota foi realmente escrita no dia 21 e antes da morte de Litvinenko, me pergunto por que ela não foi publicada quando ele ainda estava vivo?¨ Goldfarb disse que Litvinenko ditou a declaração antes de perder a consciência na terça-feira e a assinou na presença de sua mulher, Marina. ¨Uma morte é sempre uma tragédia. Deploro essa e envio minhas condolências à família de Litvinenko¨, acrescentou Putin, que ofereceu ajuda à polícia britânica para esclarecer a morte do ex-espião.
A chancelaria britânica falou com Moscou sobre a morte de Litvinenko e a qualificou de ¨um sério problema¨. Suspeita-se que a morte de Litvinenko, um duro crítico do Kremlin, seja uma queima de arquivo. Ele investigava a morte da jornalista russa Anna Politkovskaya, assassinada a tiros em outubro em Moscou.
A Agência de Proteção à Saúde britânica informou ontem que o raro elemento radioativo polônio-210 foi encontrado na urina de Litvinenko. Testes estabeleceram que ele tinha uma quantidade significativa do isótopo radioativo polônio-210 em seu corpo, mas não estava claro como ele foi contaminado. Segundo a chefe da agência, Pat Troop, o alto nível da substância indica ¨que ele pode tê-la ingerido, inalado ou absorvido por meio de um ferimento¨. O pai de Litvinenko, Walter, disse chorando diante do hospital: ¨Meu filho foi morto por uma pequena bomba nuclear".
Especialistas encontraram traços de radioatividade no hotel visitado por Litvinenko e no restaurante japonês que ele almoçou no dia 1º, quando ficou doente. Litvinenko foi internado no dia 17 e sofreu uma parada cardíaca na noite de quarta-feira. Inicialmente, os médicos disseram que ele teria sido envenenado com o metal tóxico tálio e depois suspeitaram de radiação. Os cabelos de Litvinenko caíram, sua garganta ficou inflamada e seus sistemas nervoso e imunológicos foram afetados.
Greve contra a crise política libanesa
Empresários promoveram ontem uma greve no Líbano para exigir que os líderes do país encontrem uma solução para a crise política atravessada pelo país em meio a temores de que ela ganhe contornos mais violentos depois do assassinato de um líder cristão maronita no início da semana. Com a tensão em alta um dia depois do sepultamento do ex-ministro da Indústria Pierre Gemayel, fábricas, bancos e outros estabelecimentos não abriram as portas a pedido dos líderes da comunidade empresarial libanesa. Apesar de algumas lojas pequenas terem ficado abertas ontem, a maioria das escolas permaneceu fechada e o movimento pelas normalmente movimentadas ruas de Beirute era muito mais baixo que o normal para uma sexta-feira.

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