Friday, December 29, 2006

Boletim da iniqüidade: final de ano violento e sombrio no RJ

De tanto vermos este tipo de fato ocorrer, que já consideramos normal vivermos com tanta iniqüidade e violência na nossa frente, como se nada acontecesse. Não tarda em voltar, Senhor Jesus!
Ataques matam 18 no Rio; PM rejeita ajuda da Força Nacional
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Uma onda de ataques contra ônibus e alvos policiais deflagrada na madrugada desta quinta-feira no Rio de Janeiro deixou ao menos 18 mortos e mais de 20 feridos. Após a ação, atribuída a facções criminosas, as polícias Militar e Civil iniciaram operações especiais em pelo menos 25 favelas da cidade e seis pessoas foram presas.
O chefe da Polícia Militar do Rio, coronel Hudson de Aguiar, recusou um possível auxílio da Força Nacional de Segurança para combater o crime organizado, indo contra a proposta do governador eleito, Sérgio Cabral Filho (PMDB).
"A Força Nacional foi treinada pela Polícia Militar do Rio, e o aluno não pode trazer nada ao instrutor. Se eles vierem para cá será para morrer e voltar no caixão", disse o coronel a jornalistas em entrevista coletiva na sede da Secretaria de Segurança Pública.
Mais cedo, Cabral afirmara em nota que o governo "não vai se intimidar e não vai tolerar esses ataques". "Faremos um policiamento ostensivo nas ruas e se necessário vamos convocar a Força Nacional de Segurança Pública", disse ele.
Os ataques das madrugada ocorreram em vários pontos da cidade. O mais grave atingiu um ônibus da Viação Itapemirim, que fazia o trajeto de Cachoeiro de Itapemirim (ES) a São Paulo (SP), que foi incendiado quando passava pela Avenida Brasil. Sete corpos carbonizados foram retirados dos destroços do ônibus, segundo peritos no local. Havia 28 passageiros no ônibus, informou em nota a empresa.
Entre os mortos há nove civis, sete suspeitos de envolvimento nos ataques e dois policiais militares, segundo a secretaria. Além disso, 22 pessoas ficaram feridas: oito PMs e 14 civis, a maioria vítima de queimaduras.
À tarde nesta quinta, dois outros ônibus foram incendiados, nos municípios de Mesquita e Niterói, e uma bomba caseira foi atirada contra um prédio da Caixa Econômica Federal em Itaboraí. Não houve feridos.

RESPOSTA A MUDANÇAS
Para o secretário de Segurança Pública, Roberto Precioso, a onda de ataques foi uma "resposta à mudança no comando da administração penitenciária no Estado".
"A próxima administração poderia adotar um regime diferente. É isso que eles temem," disse. Precioso responsabilizou traficantes de drogas de várias facções de agirem conjuntamente.
"Não existe um comando central... quando há um interesse comum é natural que se unam... foi um ataque desorganizado, do tipo cavalo-maluco, ou seja, o primeiro PM que encontra ataca e mata," acrescentou o secretário em entrevista coletiva.
O secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira, descartou a possibilidade de a ordem para a ação ter saído de dentro de algum presídio e afirmou que os incidentes não teriam ligação com a mudança de governo.
"Não acredito que essa seja a causa. Há dois meses os órgãos de inteligência do Estado, do município e até da União tinham informação de que traficantes de diferentes organizações se uniriam para enfrentar a polícia", disse Pereira a jornalistas.
O secretário considerou a ação desta madrugada um combate dos traficantes às milícias, grupos formados por policiais do Rio que estariam tomando dos traficantes o controle das favelas e extorquindo dinheiro de moradores em troca de segurança.
"É uma briga de poder econômico... as milícias existem, elas são uma quarta facção no Estado, além do Comando Vermelho, 3o Comando e ADA (Amigos dos Amigos)."
A Polícia Civil abriu inquéritos individuais sobre os ataques, mas o chefe da corporação, o delegado, Ricardo Hallak, preferiu não adiantar nenhuma vertente da investigação.
Ele afirmou que o desempenho policial evitou um "banho de sangue" e que era impossível impedir o ataque contra o ônibus. "Nenhuma inteligência policial no mundo conseguiria prever que um louco atearia fogo em um ônibus e queimasse as pessoas vivas", afirmou.
ATAQUES A PMs
O serviço de inteligência do Estado recebeu na noite de quarta-feira a informação de que a onda de ataques iria começar. Segundo Precioso, o policiamento foi reforçado em delegacias e batalhões.
"É uma ação muito difícil de prevenir", disse, acrescentando que há alguns meses a Secretaria de Segurança vem analisando tecnicamente denúncias de um ataque como este.
Em um ataque ao 31o Batalhão de Polícia Militar, na Barra da Tijuca, um policial e um suspeito foram mortos e outro policial ficou ferido.
Na praia de Botafogo, uma cabine da Polícia Militar foi metralhada, e uma ambulante que estava perto do local morreu, segundo a polícia.
A Polícia Civil informou que seis homens foram presos com as mãos queimadas e não apresentaram justificativas para tais ferimentos, após terem sido apontados por testemunhas como suspeitos de um incêndio criminoso.
Segundo a PM, com suspeitos presos "foram apreendidas uma granada M-9, uma pistola calibre 40 com três munições intactas e uma motocicleta... produto de roubo."
Os ataques no Rio lembraram as ondas de violência que atingiram São Paulo durante este ano, porém as autoridades de segurança da capital fluminense consideraram a ação na cidade de menor proporção.
"Em São Paulo todo o sistema carcerário entrou em colapso, o comércio fechou na cidade toda e houve um sentimento geral de pânico. O sistema carcerário do Rio está funcionando normalmente, a situação é bastante diferente."
(Reportagem de Pedro Fonseca e Eduardo Lima)

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