Tuesday, December 12, 2006

Justiça injusta: marca registrada deste dias iníquos

A cada dia que passa, os valores que regem nossa este mundo iníquo se deterioram: o mocinho virou vilão e o vilão tornou-se o herói. lamentável
Justiça injusta
Às vezes, assusta a ‘eficiência’ da polícia em apontar culpados
Fátima Soares Rodrigues. Escritora
No início da manhã de 17 de novembro, o casal de idosos Sebastião Esteves Tavares, de 71 anos, e sua mulher, Hilda Gonçalves, de 68, foi morto a facadas, em sua própria casa, no Bairro de Perdizes, Zona Oeste de São Paulo. Um dos filhos do casal, Rogério Gonçalves Tavares, de 42, também sofreu ferimentos a faca na nuca, e, em estado de choque e falando informações desconexas, foi considerado suspeito de ser o assassino dos pais, apesar de ter sido inocentado pela avó, que também se encontrava na casa no momento do crime. A pressa em apresentar suspeitos para o crime teve uma conseqüência: a casa na Rua Cayowaá amanheceu no dia seguinte pichada com a palavra assassino, em referência ao filho do casal. Na tarde do dia 19/11, a polícia prendeu Luiz Eduardo Cirino, de 29, vizinho do casal, assassino confesso. Ele ligou para o 190 e assumiu o crime.
Em 29 de outubro, a menina Victória Maria do Prado Iori Camargo, de apenas um ano e três meses, morreu no PS Infantil de São Paulo. A mãe da criança, Daniele Toledo do Prado, de 21 anos, foi acusada, imediatamente, depois do óbito da filha, de tê-la envenenado com cocaína, colocada na mamadeira. Quinze dias antes de morrer, a criança foi submetida a uma consulta no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, referência internacional em pediatria. Sofria de vasculite cerebral de causa desconhecida, que a deixava, nas crises, inconsciente por várias horas. O diretor do PS Infantil estava presente quando a pequena Victória morreu, depois de três paradas cardíacas. Apoiada em um laudo preliminar do Instituto de Criminalística, a polícia prendeu a mãe. Segundo esse laudo, teria sido encontrada cocaína em material coletado na boca de Victória e na mamadeira servida a ela. Daniele não pôde comparecer ao enterro da filha, pois, foi presa, e nos 37 dias em que ficou na prisão, foi chamada de “monstro da mamadeira” e espancada por 18 detentas. Teve a mandíbula quebrada e lesões na cabeça e no corpo. O laudo definitivo mostrou que as amostras coletadas não continham vestígios da droga. O Hospital das Clínicas emitiu um parecer sobre o caso de Victória: uma possível causa do problema seria dosagem errada de medicamentos usados para tratá-la.
Num país em que a punição para os crimes políticos se arrasta em doses homeopáticas, mesmo que os culpados sejam imediatamente e claramente apontados, assusta-nos a “eficiência” em solucionar rapidamente crimes de qualquer natureza, menos a política, ainda que os detidos sejam depois inocentados. Por que não vemos toda essa eficiência em esclarecer à população brasileira crimes como o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, o caso do dossiê, desvios de dinheiro público, mensalões, sanguessugas, que grassam e denigrem a credibilidade dos brasileiros depositada na Justiça?
Em 29 de outubro, a menina Victória Maria do Prado Iori Camargo, de apenas um ano e três meses, morreu no PS Infantil de São Paulo. A mãe da criança, Daniele Toledo do Prado, de 21 anos, foi acusada, imediatamente, depois do óbito da filha, de tê-la envenenado com cocaína, colocada na mamadeira. Quinze dias antes de morrer, a criança foi submetida a uma consulta no Instituto da Criança do Hospital das Clínicas, referência internacional em pediatria. Sofria de vasculite cerebral de causa desconhecida, que a deixava, nas crises, inconsciente por várias horas. O diretor do PS Infantil estava presente quando a pequena Victória morreu, depois de três paradas cardíacas. Apoiada em um laudo preliminar do Instituto de Criminalística, a polícia prendeu a mãe. Segundo esse laudo, teria sido encontrada cocaína em material coletado na boca de Victória e na mamadeira servida a ela. Daniele não pôde comparecer ao enterro da filha, pois, foi presa, e nos 37 dias em que ficou na prisão, foi chamada de “monstro da mamadeira” e espancada por 18 detentas. Teve a mandíbula quebrada e lesões na cabeça e no corpo. O laudo definitivo mostrou que as amostras coletadas não continham vestígios da droga. O Hospital das Clínicas emitiu um parecer sobre o caso de Victória: uma possível causa do problema seria dosagem errada de medicamentos usados para tratá-la. Num país em que a punição para os crimes políticos se arrasta em doses homeopáticas, mesmo que os culpados sejam imediatamente e claramente apontados, assusta-nos a “eficiência” em solucionar rapidamente crimes de qualquer natureza, menos a política, ainda que os detidos sejam depois inocentados. Por que não vemos toda essa eficiência em esclarecer à população brasileira crimes como o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, o caso do dossiê, desvios de dinheiro público, mensalões, sanguessugas, que grassam e denigrem a credibilidade dos brasileiros depositada na Justiça?
Estado de Minas 12/12/2006

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