Wednesday, January 10, 2007

Boletim da iniqüidade: bandidos aterrorizam cidades do interior de MG

A iniqüidade está tão banalizada, que os bandidos têm até tempo para zombar de suas vítimas. Patético!
Assaltos com mortes e reféns assustam interior de Minas
Cinco agências no Alto Paranaíba, Leste e Noroeste de Minas são invadidas por bandidos fortemente armados, que fazem reféns juiz e delegado
(Landercy Hemerson/Diário da Tarde)
(Renato Alves /Correio Braziliense)
Assaltantes espalharam terror na terça-feira nas regiões do Alto Paranaíba, Leste e Noroeste de Minas, em roubos a bancos (dois com com reféns). Em São Gotardo, a 295 quilômetros de Belo Horizonte, Alto Paranaíba, um policial rodoviário morreu e dois militares ficaram feridos. Uma megaoperação, com centenas de policiais em vários carros e dois helicópteros, foi montada próximo a Patrocínio, na mesma região, onde outro militar foi baleado. No fim da noite, um delegado da Polícia Civil, que foi levado pelos criminosos na fuga, tentava convencê-los a se entregarem, diante do cerco. Além do policial, um juiz, um carcereiro e um soldado foram feitos reféns pelos bandidos.
Em Brasilândia, região Noroeste, no começo da tarde, assaltantes fizeram quatro reféns, sendo dois militares. Ainda na terça-feira, pela manhã, em São Sebastião do Maranhão, no Vale do Rio Doce, dois ladrões morreram em troca de tiros com policiais, numa tentativa de assalto a banco. O ataque mais violento foi por volta das 16h, em São Gotardo. Pelo menos 15 homens atacaram as agências dos bancos Brasil e Itaú, na cidade de 30 mil habitantes. Fortemente armados, com escopetas, metralhadoras e fuzis, eles chegaram numa perua Blazer escura e num Vectra prata metálico. Há informações de que o grupo, ao entrar na cidade, estava com o juiz Valnei Alves Diniz, seqüestrado no município vizinho de Carmo do Paranaíba, e o delegado Augusto, de Rio Paranaíba.
A investida dos criminosos em São Gotardo durou cerca de 30 minutos. Os bandidos foram direto para o centro. Entraram juntos nas agências do Banco do Brasil e Itaú, que estavam lotadas. Dentro do BB, dispararam rajadas de metralhadora para o alto. Renderam funcionários e clientes. Alguns dos reféns foram colocados na fachada dos dois prédios vizinhos. De mãos dadas, serviam como escudos humanos.
“Os carros de polícia que apareciam eram recebidos a bala e logo recuavam”, contou um dos reféns. O cabo PM Wanduck Costa da Silva, da Polícia Rodoviária Estadual, foi baleado e morreu dentro da viatura ao tentar cercar os bandidos. Já o cabo Luiz Alberto foi atingido no ombro, mas se recupera bem. Na saída da cidade, em outra troca de tiros com a PM, o cabo Caetano foi baleado na perna. Em Patrocínio, em outra troca de tiros, durante a fuga, o cabo PM Vander também foi baleado.
Os assaltantes levaram tudo que havia nos cofres e caixas do dois bancos. Levaram também nove reféns na Blazer e mais quatro no Vectra. A ação dos bandidos espalhou pânico em São Gotardo. Além de metralharem os prédios das agências bancárias, na fuga eles atiraram em lojas e carros nas ruas da cidade. Junto com o juiz e o delegado, foram levados um carcereiro e o cabo PM Fausto.
“Um dos reféns foi colocado no capô da Blazer e outros no bagageiro. Os assaltantes exibiam as metralhadoras para intimidar todos”, comentou outra testemunha, uma empresária de 32 anos. Ela, que pediu para não ter o nome publicado por medo, viu nove reféns serem liberados na porta de sua loja. "Eles ainda balearam um deles (refém), por ter demorado a saltar da Blazer", afirmou.
Segundo as testemunhas, os bandidos usavam roupas pretas, coletes à prova de bala, coturnos, gorros pretos e fone nos ouvidos. “Pareciam uma tropa de elite do exército norte-americano, dessas que a gente vê em filme", comentou um dos reféns. Ele contou ainda que os assaltantes zombavam de todos. “Eles comemoravam o assalto que fizeram em Tiros (cidade vizinha) e o seqüestro do delegado e do juiz”, disse. O assalto na agência de Tiros, também no Alto do Paranaíba, foi na segunda-feira, quando seis homens levaram R$ 300 mil do Banco Itaú.
Mais reféns
Outros dois assaltos a banco com reféns ocorreram na terça-feira em Brasilândia de Minas, Noroeste do estado, às 14h40. A polícia não confirma se os criminosos fazem parte da quadrilha que atacou São Gotardo, apesar das semelhança das ações criminosas. Os ladrões usaram capuz e armamento pesado, como fuzis e escopetas. Eles fizeram quatro reféns, entre eles o sargento Jésus Martins de Melo e o cabo Ascanio Geraldo de Lima.
Em Brasilândia os ladrões atacaram primeiro o destacamento da Polícia Militar e renderam todos que estava de plantão. Em seguida invadiram as agências do Bradesco e Banco do Brasil. De acordo com a PM da cidade, todos os reféns foram soltos à tarde. Dois deles, gerentes dos bancos, ficaram na MG-181, que liga a cidade a João Pinheiro. Os dois policiais foram soltos

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