Wednesday, February 21, 2007

Crônica: Uma carta aberta a Jesus Cristo

O clamor por sua vinda aumenta a cada dia, conforme vemos nesta crônica. Mas, vale lembrar que sua vinda será para executar seu juízo, com poder e glória e não para salvar a humanidade, através da crucificação e sua ressurreição, em sua primeira vinda.Portanto, buscai Jesus, enquanto se pode achar, ou seja, enquanto ele retorna.
Nota: São opiniões da cronista, que em parte, não expressa a minha opinião.

Uma carta aberta a Jesus Cristo

Ninguém quer mais alimentar esse sentimento tão nobre que você nos ensinou: Amai-vos uns aos outros
Caro Jesus, nunca nos foi possível falar-lhe pessoalmente ou mesmo escrever-lhe. Você se foi e não nos deixou o endereço do céu. Nem o código postal daí, conseguimos até hoje. Só nos comunicamos por meio do pensamento. Temos receio de falar em voz alta e não sermos compreendidos. Você precisa voltar. As coisas, por aqui, estão muito diferentes. O homem continua sedento de descobertas, porém ainda existem situações não solucionadas.
A doutrina que você nos deixou continua provocando polêmica. À cada dia, são construídas muitas moradas que dizem ser suas. As religiões entram constantemente em conflito e cada uma delas se considera a verdadeira. As idéias se chocam, cada religião tem suas peculiaridades e não se misturam.
Temos nos esforçado para dar certo, mas tantas são as contradições que, muitas vezes, duvidamos sobre a veracidade das informações. Aqui, a gente luta muito para ganhar dinheiro, pois quase tudo se resolve com ele. Procuramos viver dentro dos padrões da moralidade, embora as grandes manchetes vêm nos mostrando rombos escandalosos nos cofres públicos e lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
Dos assassinatos, nem dá para entrar muito em detalhes. Pessoas estão sendo queimadas vivas, outras, vítimas de balas perdidas ou, intencionalmente, direcionadas. Morreu, está morto. Não há ressurreição semelhante à de Lázaro. Isso aqui está um horror. Milagres? A gente nem sabe mais o que são. Ninguém aprendeu a multiplicar o pão, cada dia mais caro. Você precisa ver o preço do vinho. Nossos políticos (salvo raras exceções) só se preocupam com a ganância e o próprio bem-estar. São ricos em dinheiro e pobres de espírito. Andam dizendo que dirigem o Brasil, mas somos sempre vítimas de graves acidentes. As crianças já não desfrutam da infância. O trabalho infantil as obriga a abandonarem a escola e os brinquedos. Faz até dó.
Nossos jovens estão perdidos, sem direcionamento nem perspectivas. Amor, Jesus, hoje virou prática de sexo. Ninguém quer mais alimentar esse sentimento tão nobre que você nos ensinou: Amai-vos uns aos outros . As empresas, em geral, e os bancos geram emprego, mas se preocupam muito com os lucros e menos com o ser humano.
Estamos com os pés calejados pelo tanto de caminhos percorridos. As solas estão doloridas e grossas por nossas andanças em busca do sonho distante que ainda não veio. Pisamos em terra fria, molhada, escorregadia. Esses mesmos pés, freiam as emoções , galgam o tempo, a vida. De vez em quando, chutamos a barraca, o balde, mas não fugimos da luta, deixando pegadas enquanto houver chão.
Sabe, você precisa voltar. Dessa vez, será diferente. Ninguém irá colocar-lhe uma coroa de espinhos ou uma cruz nos ombros. Já aprendemos a carregar as nossas. Queremos que volte, não como um rei, mas como um líder seguro e democrático. Nossa democracia ainda é um engodo. O carnaval deste ano passou, mas volta. Quem sabe, no ano que vem, você até aceite desfilar na Escola de Samba da Portela ? O povo daqui adora carnaval e tem uma enorme carência nos pés.
Reservaremos para você um lindo carro do ano, embora os preços dos combustíveis estejam pela hora da morte. Apesar disso, ninguém pára de rodar. Dá para entender? Gostaríamos de fazer-lhe algumas recomendações. Quando voltar, tome todas as vacinas. A Terra está altamente poluída e o buraco negro, na camada de ozônio, só aumentando. Tem aparecido muita doença incrível. Algumas ainda sem nome ou cura.
Muitos amigos e parentes já devem estar aí no paraíso. Abrace-os por nós. Estamos saudosos, mas não os aconselhamos a voltar. Aí não existe inflação, dor e miséria. Arranje bastante acomodações. Tem muita gente precisando subir. Quando vir nos visitar, traga-nos de presente, bastante paz, fé e amor. Um abraço carinhoso do povo brasileiro e um especial da minha parte.
REGINA MORELO
Professora
Diário da Tarde 21/2/2007

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