Friday, February 23, 2007

Guerras e rumores de guerras: o Oriente Médio sob tensão

Relatório abre caminho para isolamento do Irã
Documento da Agência Internacional de Energia Atômica afirma que Teerã descumpriu prazo dado pela ONU para suspender enriquecimento de urânio e sanções podem aumentar
Raheb Homavandi/Reuters

Viena – A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, divulgou ontem o relatório sobre as atividades nucleares do Irã e abriu caminho para ações que podem isolar a República Islâmica. O documento diz que o Irã não deixou de enriquecer urânio até o dia 21, como havia exigido o Conselho de Segurança da ONU, o que pode acarretar novas sanções ao país.
Segundo o relatório, o Irã instalou duas redes de 164 centrífugas em sua fábrica subterrânea de urânio enriquecido em Natanz, e que duas outras redes estão perto de serem concluídas. Isso, diz a agência, indica um esforço de enriquecer urânio em escala industrial. O Ocidente teme que o combustível atômico seja parte do desenvolvimento de armas. O governo iraniano garante que seu programa nuclear é voltado apenas para a geração de eletricidade com fins pacíficos.
Ao ignorar o prazo, Teerã reafirmou sua rejeição a uma oferta de benefícios comerciais feita em meados de 2006 por seis potências mundiais, caso o país abandonasse as atividades de enriquecimento nuclear. O Conselho de Segurança da ONU impôs em 23 de dezembro sanções ao programa nuclear iraniano, proibindo principalmente a transferência de tecnologia. A mesma resolução autorizava o Conselho a tomar novas medidas caso o Irã desrespeitasse o prazo. Entre as novas penalidades podem estar a proibição de viagens de autoridades iranianas e restrições a atividades não-nucleares.
Mohammad Saeedi, vice-diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, afirmou que “a respeito da suspensão mencionada no relatório, sendo tal demanda sem base legal e contra os tratados internacionais, naturalmente ela não pôde ser aceita por Teerã". Segundo ele, o relatório mostra que a melhor forma de resolver a disputa é voltando às negociações.
O relatório diz que o Irã já colocou na usina de Natanz um contêiner de 8,7 toneladas do gás hexafluorido de urânio (UF6), como preparativo para a alimentação das centrífugas, que purificam o material para seu uso em usinas nucleares ou, se refinado em níveis mais altos, para bombas. O Irã diz à AIEA que pretende manter 3 mil centrífugas, divididas em 18 redes, que entrariam gradualmente em operação até maio. Essas centrífugas serviriam de base para a futura produção de urânio enriquecido em escala industrial, envolvendo cerca de 54 mil máquinas.
O texto diz ainda que o Irã continua muito distante de enriquecer urânio em quantidades necessárias para o uso em usinas. Uma fonte da ONU familiarizada com as operações da AIEA no Irã disse que a quantidade de urânio já produzida é mínima. Analistas dizem que o Irã ainda levaria dez anos para acumular material suficiente para uma bomba atômica.
O relatório não dá respostas significativas a velhas questões da AEIA sobre a natureza do programa nuclear iraniano, como os misteriosos traços de urânio passível de uso em bombas e o suposto envolvimento militar nas pesquisas. O Irã promete repetidamente esclarecer essas questões, mas diplomatas dizem que as informações estão sendo guardadas como fichar para uma eventual barganha.
O governo iraniano, porém, manteve o tom desafiador: "Resistiremos até o final às pressões internacionais. O povo iraniano considera seu direito o acesso à tecnologia nuclear para uso pacífico", disse o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, num discurso para milhares de pessoas na cidade de Talesh, no Norte do país. Em Teerã, mais de 700 iranianos fizeram protestos na frente das embaixadas britânica e francesa em apoio à posição de seu governo na questão nuclear.
Aumenta a tensão nas Colinas de Golã
AFP
Soldados israelenses fazem exercícios militares nas Colinas de Golã, área ocupada por Israel na guerra contra a Síria, em 1967
Jerusalém – Jornais israelenses afirmaram ontem que o Exército da Síria movimentou tropas em direção à fronteira com Israel nas Colinas de Golã. Para o jornal Haaretz, a Síria entrou em uma corrida armamentista com a ajuda do Irã. "Nos últimos tempos, o Exército sírio se reforça em todas as áreas com a ajuda financeira do Irã de uma forma sem precedentes", destaca na primeira página do jornal o correspondente militar Zeev Schiff. Ele acrescenta que a corrida armamentista se concentra sobretudo em mísseis e foguetes de longo alcance.
Anteontem, o Exército israelense executou importantes manobras nas colinas de Golan, com unidades de infantaria blindadas, artilharia e aviação. O ministro israelense da Defesa Amir Peretz afirmou que o exercício não estava vinculado a um eventual conflito. No final de 2006, Peretz desmentiu categoricamente informações divulgadas pela imprensa israelense sobre a eventualidade de uma guerra com a Síria em meados de 2007, após declarações de autoridades sírias sobre uma eventual opção militar para recuperar Golã.
As Colinas de Golã foram conquistadas por Israel durante a guerra de 1967 e anexadas em 1981, mas a comunidade internacional e as Nações Unidas não as reconhecem como território do Estado hebreu. As negociações entre Israel e Síria estão suspensas desde 2000. O governo sírio exige a restituição das Colinas de Golã. Mais de 15 mil israelenses permanecem na região.

1 Comments:

Blogger marcel said...

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vous pouvez mettre vos messages sur la page Region du site jewisheritage
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12:42 PM  

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