Wednesday, February 28, 2007

Turbulências na economia mundial à vista

Mais cedo ou mais tarde, o atual padrão econômico, baseado no dólar estadunidense sem lastro (ou seja, emissão monetária discriminada sem que ocorra um aumento na produção de bens e serviços) , vigente desde 1971 chegará ao seu fim, abalando as economias de todos os cantos do planeta, inclusive a China. Resultado: um colapso econômico poderá gerar um caos sem precedentes por todo o planeta e, conseqüentemente, aparecerá um líder apazigaudor e democrático, prometendo paz e segurança para o mundo inteiro. Certamente, não será Jesus Cristo, a Verdade absoluta, e sim um imitador muito sutil de sua obra, com aparência do bonzinho, humanitário, mas por trás desta aparência estará o somatório de toda mentira e iniqüidade que um elemento possa ter: o anti cristo
Bolsas desabam em clima de fim de festa
Temor com economia chinesa leva mercado a fortes perdas. Bovespa tem maior queda desde atentados de 11 de setembro. Nos EUA, negociações são restringidas para evitar mais prejuízos

Heberth Xavier
Maurício Lima/AFP

Alerta geral, mercado tenso, fim de festa. As notícias negativas parecem estar voltando de vez ao mundo financeiro global, ironicamente saídas da China, locomotiva do período de bonança na economia mundial dos últimos anos. Ontem, temores quanto à desaceleração do crescimento econômico da nação asiática derrubou os mercados em todos os continentes. Liderados pela Bolsa de Xangai, que desabou 8,8% (maior perda em 10 anos), outros centros financeiros tiveram péssima terça-feira. Em alguns momentos, e guardadas as devidas proporções, o clima entre operadores e analistas lembrava o que sucedeu importantes acontecimentos históricos, como o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001.

A comparação com o atentado foi lembrada por vários operadores da Bolsa de Valores de São Paulo. A Bovespa chegou a cair 7,52% no meio da tarde, seu pior desempenho desde a destruição das torres gêmeas, em Nova York, quando recuou 9,17% – no fim da tarde, melhorou um pouco, com queda de 6,63%, mas ainda recorde. O dólar registrou a maior alta desde maio do ano passado: fechou vendido a R$ 2,12, avanço de 1,73%. O risco Brasil disparou 10,4%, para 201 pontos. O alerta global contaminou até as expectativas em relação à trajetória da taxa de juros, que vinha em contínua redução nos últimos dias: os contratos negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) terminaram o dia valorizados. Contratos mais longos, como o de janeiro de 2010, registravam uma taxa de juros de 11,96% ao ano, elevação de 0,96 ponto em relação à segunda-feira.

O mercado brasileiro respondia ao comportamento generalizado dos mercados: o índice Merval, da Bolsa de Buenos Aires, despencou 7,49%; em Frankfurt, a queda atingiu 2,76%; Londres recuou 2,15%; Paris, 2,76%. A Bolsa de Nova York chegou a restringir os negócios à tarde, com o índice Dow Jones em queda de mais de 2% – é um patamar considerado muito elevado para os padrões do mercado acionário americano, que movimenta cifras altíssimas. A restrição às negociações, através de um mecanismo conhecido como trading curbs, é usada para tentar conter perdas quando a retração começa a preocupar. Não deu certo: Dow Jones terminou o dia com desvalorização de 3,28%.

A queda no mercado chinês foi, na realidade, uma antecipação dos analistas e operadores a prováveis medidas tomadas pelo governo asiático que funcionarão como freio à forte expansão econômica. O Produto Interno Bruto (PIB) chinês cresce a um ritmo médio de 10% nos últimos 15 anos e, com isso, leva consigo boa parte da economia global. O temor é que essa festa esteja acabando. A afirmação do ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Alan Greenspan, de que a maior economia mundial pode entrar em recessão já no fim deste ano, também contribuiu para o pessimismo – Greenspan esteve à frente do Fed no período de forte expansão econômica em todo o mundo e, mesmo já fora do cargo, é talvez o economista mais influente da atualidade.

O clima de fim de farra é um ajuste de posições que, mais cedo ou mais tarde, ocorreria. O índice Xangai, por exemplo, computou ano passado alta de 130%. Dow Jones apresentou alta de 18,9% no período; na Bovespa, a valorização chegou a 32,9%. O mercado de ações não sobrevive de altas eternas – caso contrário, ninguém lucraria comprando na baixa e vendendo na alta. Um correção de rumo, portanto, era questão de tempo. Nenhum analista, porém, se arrisca em apostar que a festa, de fato, chegou ao fim e as perdas prosseguirão nos próximos dias. Mas o sinal amarelo já está aceso.
Estado de Minas 28/2/2007

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