Saturday, March 31, 2007

Custos, malfeitorias e perigos do dólar


Custos, malfeitorias e perigos do dólar
por Rudo de Ruijter [*]

Aqueles que utilizam o dólar fora dos Estados Unidos pagam permanentemente uma contribuição àquele país. Esta consiste numa inflação de 1,25 milhão de dólares por minuto. É o resultado do crescimento rápido da dívida externa dos Estados Unidos. A metade das suas importações é simplesmente acrescentada à dívida externa e é paga pelos detentores de dólares no estrangeiro através da inflação. Além disso, estes detentores não parecem conscientes de que o curso do dólar não passa de uma fachada fracturada. Se não compreenderem o que ainda a retém de pé, arriscam-se a que esta lhes caia na cabeça de surpresa.
Entretanto, bem camuflado, o dólar está no centro de diversos conflitos dos Estados Unidos.

1. Procura mundial de dólares

Até 1971: dólar = ouro
Até 1971 cada dólar Americano representava um peso fixo em ouro. Os Estados Unidos dispunham de enormes reservas de ouro, que cobriam a totalidade da quantidade de dólares posta em circulação. Quando bancos estrangeiros tinham mais dólares do que pretendiam, podiam trocá-los por ouro. Esta era a razão mais importante porque o dólar era aceite por toda a parte do mundo.
A partir de 1971: o petróleo da OPEP é pago em dólares Em 1971, o valor do dólar foi separado do peso fixado em ouro. De facto, isto foi uma medida da aflição do presidente Nixon. A guerra do Vietnam havia esvaziado os cofres do Estado. Os Estados Unidos haviam impresso mais dólares do que o permitiam as suas reservas de ouro. Desde então, o valor do dólar é determinado pela lei da oferta e da procura nos mercados de câmbio.
Nesta época os Estados Unidos ainda produziam bastante petróleo para o seu consumo próprio. Para proteger suas empresas petrolíferas, haviam instaurado limitações às importações de petróleo. Em contra-partida do levantamento destas limitações, os países da OPEP prometiam não mais vender o seu petróleo senão em dólares. Na época o dólar já era a moeda mais utilizada no comércio mundial. Portanto, nada de especial?
Todos os países têm necessidade de dólares
A partir de 1971, todos aqueles que desejam importar petróleo devem antes comprar dólares. [1] É aqui que começa a festa para os Estados Unidos. Quase todo o mundo tem necessidade de petróleo, portanto todo o mundo quer dólares.
Os compradores de petróleo do mundo inteiro dão os seus yens, coroas, francos e outras moedas. Em troca recebem dólares, com os quais podem comprar petróleo nos países da OPEP. A seguir, os países da OPEP vão gastar estes dólares. Poderão naturalmente fazer isso nos Estados Unidos, mas também em todos os outros países do mundo. Com efeito, todo o mundo quer dólares, pois todo o mundo terá novamente necessidade de petróleo.

2. Compras gratuitas pelos Estados Unidos

Neste comércio de petróleo, há necessidade de uma quantidade importante de dólares. Muitos destes dólares não servem senão no ciclo no exterior dos Estados Unidos, ou seja, entre os outros países do mundo e os países da OPEP
A princípio não existiam suficientes dólares para isso. Eles deviam ser impressos nos Estados Unidos. [2] Isso lhes custava papel e tinta verde. A seguir, estes dólares deviam ser postos à disposição no estrangeiro, nos lugares onde os compradores de petróleo dele tinham necessidade. E é aqui que se chega ao lucro gigantesco. Com efeito, não existe senão um modo de colocar estes lindos bilhetes novos à disposição no estrangeiro: os Estados Unidos vão fazer compras com eles. E uma vez que esta quantidade de dólares fica em uso permanente no estrangeiro, os Estados Unidos nada fornecem em troca. As suas compras portanto são gratuitas!
Estas compras gratuitas perpetuam-se. Uma vez que são precisos mais dólares no comércio de petróleo, pela subida de preços ou de volumes, estes são benefícios para os Estados Unidos. Isto não se limita aos crescimentos no comércio de petróleo, pois vale igualmente para a utilização do dólar no resto do comércio mundial. A globalização, o livre comércio mundial, a privatização mundial dos serviços públicos, como por exemplo os serviços de gás, água, electricidade, telefone e transportes públicos, devoram quantidades enormes de dólares. São sempre mais dólares que desaparecem nos quatro cantos do mundo. E em primeiro lugar isto significa sempre compras gratuitas para os Estados Unidos!
Dívida
Evidentemente, isto implica que os Estados Unidos criam dívidas com todas estas compras gratuitas. Pois um dia o estrangeiro poderia vir fazer compras nos Estados Unidos com todos estes dólares e então, finalmente, os Estados Unidos deveriam fornecer alguma coisa em troca.
Balança comercial

Importações americanas 2004
US$
1 469 704 400
Exportações americanas 2004
US$
818.774.900
Compras menos vendas
US$
650.929.500
Para não correr risco, os Estados Unidos deveriam ter o cuidado de manter o equilíbrio entre as suas importações e as suas exportações. A partir de 1971, data em que uma quantidade acrescida de dólares fora posta em circulação, só em 1972 as vendas ultrapassaram as compras. A seguir começou a descida e os Estados Unidos vivem cada vez mais pendurados no resto do mundo. [3] Só no ano 2004, o défice na balança comercial foi de 650 mil milhões de dólares! [4] Numa população de 300 milhões, isto quer dizer que cada cidadão dos Estados Unidos comprou 2.167 dólares de mercadorias estrangeiras, pelas quais não pagou.
Face a este défice da balança comercial, não houve melhoria na balança de pagamentos. A dívida externa dos Estados portanto aumentou em 650.929.500.000 dólares num ano. Isto equivale a 1,25 milhão de dólares por minuto!
O défice do comércio externo dos Estados Unidos é mais importante no seu comércio com a China (162 mil milhões de dólares), o Japão (76), o Canadá (66), a Alemanha (46), o México (45), a Venezuela (20), a Coreia do Sul (20), a Irlanda (19), a Itália (17), a Malásia (17). [5]
O curso do dólar
Qualquer outro país que compra mais do que vende verá diminuir o valor da sua moeda. Quando não se pode comprar grande coisa com uma moeda, a procura baixa, tal como o seu curso no mercado de câmbios. Mas o que vale para os outros países não vale para os Estados Unidos. O mundo inteiro tem tanta necessidade de dólares para comprar petróleo que há sempre procura.
Os Estados Unidos consomem ¼ da produção mundial de petróleo. Quando o curso do dólar ascende, unicamente o preço para os outros ¾ dos consumidores de petróleo é que sobe. Para os Estados Unidos o preço não se move.
Quando o preço da OPEP sobe, é preciso acrescentar dólares ao ciclo. Se o consumo permanece o mesmo, eles podem ser impressos e acrescentados à circulação, sem que o curso do dólar baixe.
Em 2004 os Estados Unidos produziam a metade do petróleo que consumiam, a outra metade (1/8 do consumo mundial de petróleo) era importada. De todos os dólares suplementares que são necessários aquando de um aumento dos preços da OPEP, 7/8 são portanto necessários no exterior dos Estados Unidos. A cada aumento dos preços do petróleo os Estados Unidos podem financiar o seu próprio aumento do sobrecusto graças a bilhetes novos e, simultaneamente, fornecer sete vezes mais dólares ao estrangeiro. Portanto, mais uma vez, fazer compras gratuitas e criar dívidas suplementares (a dependência das importações de petróleo aumenta rapidamente; em 2006 os Estados Unidos já deviam importar 60 por cento do seu consumo).
Os Estados Unidos dispõem de quantidades de truques de prestidigitação para manter o curso do dólar. Quando, no estrangeiro, a utilização do dólar aumenta, basta-lhe esperar um pouco para reagir à procura acrescida para ver o curso subir. Os Estados Unidos podem pôr mais dólares em circulação quando o curso sobe demasiado. Podem recomprar dólares eles próprios quando a procura baixa. Por exemplo: vendendo obrigações, como títulos do Tesouro. Para os Estados Unidos isto entretanto implica despesas: os juros. Todos estes juros reunidos já são de tal forma elevados que eles devem fazer sempre novos empréstimos para pagá-los. A dívida dos Estados Unidos cresce cada vez mais rapidamente.

3. Falidos e ainda assim continuam

Em http://www.babylontoday.com/national_debt_clock.htm pode ser vista a última cifra da dívida e a rapidez com que ela ascende por segundo… 45% desta soma é devida a credores estrangeiros. A dívida externa é de tal forma elevada que os Estados Unidos já não podem reembolsá-la. Os Estados Unidos estão falidos.
Apesar disso os dólares são comprados e vendidos como antes. Para as compras de gás e de petróleo, eles são sempre necessários. Enganado pelo curso do dólar, que parece de boa saúde, o comércio mundial continua a fazer os seus negócios em dólares. Business as usual? Seguindo a lógica habitual da economia, um curso mais baixo deveria conduzir a mais exportações e menos importações. É porque os compradores estrangeiros podem comprar menos caro. Entretanto, enquanto os vendedores estrangeiros forem bastante loucos para aceitarem dólares, não é um problema para os Estados Unidos emitir um pouco mais destes bilhetes verdes. Dar alguns dólares a mais por peúgas chinesas ou por artigos electrónicos do Japão? Não há problema algum. Os Estados Unidos deixam simplesmente que a sua dívida externa suba um pouco mais rápido. Mais dólares para um mesmo artigo significa inflação. E 1% de inflação significa ao mesmo tempo que o valor da dívida já existente diminui 1%. Portanto, os Estados Unidos não têm qualquer interessem em travar suas importações.
No comércio do petróleo, uma baixa do dólar é geralmente seguida da sua consequência lógica. A longo prazo os exportadores de petróleo não aceitarão um valor menor pelas suas vendas. Se o curso do dólar baixa 10%, é quase certo que os preços do petróleo aumentarão 10% de modo a que o valor permaneça pelo menos idêntico.
Se não houver mais necessidade de dólares para comprar petróleo, o resto do mundo não terá nenhuma vantagem em continuar a servir-se do dólar. Apenas desvantagens. O dólar não representa mais equivalência em ouro e a dívida externa gigantesca conduzirá à consequência lógica: o curso do dólar cairá. E quando os estrangeiros não aceitarem mais dólares, os Estados Unidos não poderão mais imprimi-los para viver às custas do resto do mundo. Não poderão mais manter o seu exército custoso. Perderão a sua influência.
Dissolução da dívida
A queda do dólar terá um efeito secundário miraculoso para os Estados Unidos. Quando o dólar já não valer mais nada, a dívida externa terá ao mesmo tempo desaparecido. Com efeito, esta é composta de dólares que se encontram no estrangeiro. No limite, atingirão o valor do papel velho. Mas ai! A queda do dólar será igualmente acompanhada pela falência de bancos, empresas e organizações internacionais, cujo destino está ligado ao do dólar.

4. Reservas de dólares do Japão e da China

Um grupo importante de compradores de dólares é constituído pelos bancos centrais dos diferentes países. Os bancos centrais guardam reservas estratégicas. São reservas em moeda estrangeira, com as quais estes bancos podem recomprar a sua própria moeda, se porventura grandes quantidades forem propostas nos mercados de câmbio. Assim, eles podem impedir que o curso da sua moeda caia. Eles guardam estas reservas na moeda mais aceite do mundo, até agora o dólar. Mas na China, no Japão, e igualmente em Formosa e na Coreia do Sul, estas reservas de dólares subiram muito acima do que é estrategicamente necessário. [6]
Não é tanto porque estes bancos gostem de guardar os dólares, ao contrário. Estes países exportam muito e, em consequência, massas de dólares afluem para eles. Elas devem ser trocadas contra a moeda local para pagar os trabalhadores e as matérias-primas. Se a procura de dinheiro local empurra o seu curso para o alto, os produtos tornam-se mais caros para o estrangeiro. Assim, para não por em perigo a posição exportadora do país, os bancos centrais tentam manter o curso da moeda estável. E é por isso que compram dólares maciçamente, evitando assim que o curso da sua própria moeda aumente.
Para estes países isto é um grande problema. Por todos estes dólares armazenados, os bancos centrais emitem dinheiro local. Portanto, de facto, os trabalhadores recebem inflação em troca dos seus produtos exportados. [7]
Desta maneira exportam trabalho e matérias-primas em troca de nada. Para os bancos centrais, estes dólares rendem quase nada. Os dólares certamente podem ser trocados por obrigações, como os títulos do Tesouro, e render algum juro. Mas mesmo estes juros não pagam definitivamente senão a si próprios, uma vez que os Estados Unidos pagam-nos simplesmente com um novo aumento da sua dívida externa.
Durante este período, o valor de todos estes dólares armazenados é tributário das flutuações de curso nos mercados de câmbio. E além disso, devido à dívida externa gigantesca dos Estados Unidos, o dólar ameaça implodir a qualquer momento. Estes bancos centrais estão encalhados entre a necessidade de se desfazerem destas reservas de dólares, a necessidade de comprarem dólares para manterem o curso da sua própria moeda e, eventualmente, de comprar dólares quando o curso do mesmo arrisca-se a cair nos mercados mundiais de câmbio. Enquanto isso, os Estados Unidos deixam subir a sua dívida externa cada vez mais rapidamente. Por quanto tempo pode isto ainda continuar?
Peritos do Asian Development Bank estimam que o curso do dólar deveria descer de 30% a 40%. Tamanha baixa comporta o risco de que um número importante de bancos e empresas vendam os seus dólares rapidamente e que mesmo os bancos centrais não queiram ou não possam mais impedir a queda total do dólar. Aquele que vende os seus dólares em primeiro lugar safa-se, quem espera não tem senão de calcular as suas perdas.

5. Conflitos camuflados

Para manter a procura permanente de dólares, as vendas de petróleo devem continuar em dólares. É por isso que os Estados Unidos tentam manter a maior influência possível, por um lado sobre o mercado do petróleo, pelo outro sobre os dirigentes locais. Deste modo asseguram simultaneamente o seu aprovisionamento em petróleo. E, para os dirigentes locais, há contratos lucrativos a obter com os quais se pode apropriar de um máximo de benefícios na produção de petróleo.
O medo ganha sempre à razão
Mas quando estes dirigentes locais não quiserem mais vender seu petróleo em dólares, os Estados Unidos terão um problema. Neste caso, o presidente dos Estados Unidos não explicará quanto o seu país é dependente da procura de dólares. O conflito será, pois, sempre camuflado. Para isso, sistematicamente, será escolhido um tema emocional. Outrora era o perigo comunista, hoje é o perigo terrorista, fundamentalista e outros medos populares tais como "o inimigo tem armas de destruição maciça" ou "o inimigo tenta fabricar armas nuclares". Que, racionalmente, não exista qualquer prova é sem importância. As emoções dominarão sempre. Mesmo o facto de as acusações serem invertidas, com provas para demonstrar, não é notado por quase ninguém: os Estados Unidos têm armas de destruição maciça e já as utilizaram; os Estados Unidos têm armas nucleares e já as utilizaram. Em 2006 ainda ameaçaram fazer uso delas. Mas, mais uma vez, a partir do momento em que as acusações são vertidas emocionalmente, o ser humano desliga sua inteligência. A razão já não é um argumento para manter a paz. O teatro já não se concentra senão em torno das acusações. E uma vez que nenhum especialista de armas de destruição em massa ou de armas nucleares tem a palavra, praticamente ninguém descobre o problema real dos Estados. Façamos uma ronda para ver alguns conflitos mais de perto.
A Venezuela
Na Venezuela os Estados Unidos tentam há vários anos fazer cair o presidente Chavez, com o pretexto de que é um perigoso comunista. Chavez nacionalizou a indústria do petróleo [NR1] e exporta uma parte do óleo em transacções por troca, como por exemplo petróleo contra os cuidados médicos de Cuba. Nas transacções de troca não há necessidade de dólares e assim os Estados Unidos não podem lucrar.
O Iraque
Até 1990 os Estados Unidos tinham contactos comerciais lucrativos com Saddam Hussein. Saddam era um bom aliado, pois em 1980 havia tentado libertar o pessoal da embaixada dos Estados Unidos em Teerão. Em 1989, Saddam acusava o Kuwait de inundar o mercado de petróleo e fazer cair os preços. Em 1990, Saddam anexava o Kuwait. Isto provocou uma viragem imediata na atitude dos Estados Unidos. Com a anexação do Kuwait, Saddam dispunha de 20% das reservas mundiais de petróleo. Os iraquianos são portanto expulsos do Kuwait pelos Estados Unidos, apoiados por uma coligação de 134 países, e postos a pão e água durante dez anos no quadro de um embargo das Nações Unidas.
Apesar de os Estados Unidos terem sonhado durante anos com uma maneira de restabelecer a sua influência no Iraque, a passagem de Saddam ao euro, em 6 de Novembro de 2000 [9] , devia tornar a guerra inevitável. O dólar afundava e em Julho de 2002 a situação tornava-se de tal como crítica que o Fundo Monetário Internacional advertia que a divisa dos EUA arriscava-se a soçobrar. [10] Alguns dias depois, em Downing Street (Londres), eram discutidos os planos de ataque. [11] No mês seguinte, o vice-presidente Cheney proclamava que doravante era certo que o Iraque dispunha de armas de destruição em massa. [12] Utilizando este pretexto, os Estados Unidos invadiram o Iraque a 19 de Março de 2003. Dia 5 de Junho 2003 restabeleciam as vendas do petróleo iraquiano em dólares. [13]
O Irão
Com o Irão, os Estados estão em conflito desde 1979, quando perderam influência sobre a sua produção de petróleo. Segundo os Estados Unidos, o Irão é um país de fundamentalistas perigosos.
A posição geográfica do Irão, entre o Mar Cáspio e o Oceano Índico, complicava as ambições dos Estados Unidos quanto à exploração das ricas reservas de gás e de petróleo da margem leste do Mar Cáspio. Para transportar este gás e este petróleo com destino aos mercados mundiais, sem passar pela Rússia ou o Irão, deviam ser construídos pipelines através do Afeganistão. Isto resultou em vários conflitos de interesse com o Irão. George W. Bush ia usar a presença de Osama bin Laden como pretexto para começar uma guerra contra o Afeganistão. [14]
Em 1999 o Irão anunciava publicamente que estava igualmente pronto a aceitar euros pelo seu petróleo. O Irão vende 30% do seu petróleo à Europa, o resto sobretudo à Índia e à China, e nem uma gota aos Estados Unidos após o embargo que os próprios Estados Unidos estabeleceram. Apesar das ameaças de Bush, que mencionava o país no seu famoso "eixo do mal", o Irão começou a vender petróleo em euros a partir da primavera de 2003.
A seguir o Irão queria também estabelecer a sua própria bolsa de petróleo, independente do IPE e do NYMEX. Ela devia abrir as portas a 20 de Março de 2006. Tendo em conta a fraqueza do dólar nesta época, um êxito desta bolsa conduziria ao desastre do dólar e portanto dos Estados Unidos. No princípio de 2006 as tensões cresceram seriamente. Finalmente, a abertura da bolsa foi retardada. Rapidamente, o presidente Putine abriu então uma bolsa na Rússia, o que fazia com que esta bolsa iraniana perdesse interesse. [15]
Os Estados Unidos acusam o Irão de pretender fabricar bombas nucleares. Isto não é novo. O Irão e outros países árabes sentem-se efectivamente ameaçados pelo arsenal nuclear de Israel, que não é membro do Tratado de Não Proliferação. Em 1981 Israel havia bombardeado a central nuclear quase pronta de Osirak, no Iraque. Desde então, vários países árabes pensam em munir-se de armas nucleares para contrapor-se à ameaça israelense. [16]
Pode parecer estranho que um país dispondo de petróleo queira energia nuclear. O Irão exporta petróleo bruto, mas importa produtos petrolíferos refinados. Estes são necessários para a iluminação, o aquecimento, o transporte e a indústria da sua população em crescimento. Para muitos iranianos, o preço real destes produtos seria demasiado elevado. É por isso que são vendidos barato, com perdas para o Tesouro iraniano. A passagem à electricidade deve proporcionar energia a todo o país a um preço comportável. O Irão tem necessidade dos rendimentos destas exportações de petróleo a fim de financiar as importações dos muitos outros produtos de que o país tem necessidade.
As centrais iranianas parecem um alvo privilegiado para os seus adversários. Se elas fossem destruídas, o Irão deveria consumir seu petróleo ao invés de exportá-lo em euros. Ultimamente, o responsável da AIEA, El Baradei, advertiu estes adversários para não atacareem as centrais iranianas. [17]
Hoje, tomando o Irão como pretexto e como teste, foi tramado um golpe duplo. Juntamente com os outros países dotados de armas nucleares, mais a Alemanha e o Japão, os Estados Unidos querem apossar-se do mercado mundial dos combustíveis para centrais nucleares. Com este plano, a procura de dólares seria assegurada por um longo período, mesmo para além do ninho do petróleo. [18]
A Rússia
Desde 2006 a Rússia também virou as costas ao dólar. [19] Ao vender o excedente de dólares aos bancos centrais, o presidente Putine teve o cuidado de que isto não tivesse consequências sobre o curso do dólar. Entretanto, a base para procura mundial de dólares diminuiu bastante. Os Estados Unidos têm necessidade da Rússia para o assalto ao mercados dos combustíveis nucleares, portanto as represálias parecem pouco prováveis.

6. Como se roubam reservas de petróleo?
Ainda há um outro aspecto quanto ao abuso do dólar. Durante as manifestações contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, a maior parte dos manifestantes compreendia que não se tratava de armas de destruição em massa. O Iraque tem a segunda maior reserva de petróleo do mundo. Os manifestantes percebiam que os Estados Unidos estavam em busca do petróleo iraquiano. É verdade, mas como se podem roubar reservas de petróleo que se encontram debaixo da terra e são tão gigantesca que não se pode levá-las?
Faz-se isso com a moeda. Ao impor que este petróleo não fosse vendido senão em dólares, os Estados Unidos tornaram-se de uma penada seus proprietários. Os Estados Unidos são os únicos que têm o direito de imprimir dólares e poderão dispor deles livremente a qualquer momento. Os outros países que quiserem comprar petróleo do Iraque devem primeiro comprar dólares. De facto, é neste exacto momento que eles o pagam aos Estados Unidos. Os dólares que compram são direitos para receberem uma certa quantidade de petróleo (como no Ikea quando se compra um móvel: primeiro paga-se na caixa e recebe-se um documento, com este papel pode-se buscá-lo na porta de mercadorias atrás da loja). Os dólares portanto são documentos para petróleo. E como todo o mundo tem sempre necessidade de petróleo, todo o mundo quer destes documentos.
A passagem ao euro de Saddam Hussein, no princípio de Novembro de 2000, não era portanto apenas um ataque ao curso do dólar, mas implicava igualmente que os Estados Unidos não mais poderiam dispor livremente da segunda maior reserva de petróleo mundial. Os Estados Unidos deveriam comprar euros para delas dispor. Desde o restabelecimento da venda em dólares do petróleo iraquiano, a 5 de Junho de 2003 [20] , os Estados Unidos têm novamente, pelo menos financeiramente, a livre disposição do petróleo iraquiano. Mas ainda é preciso homens de palha à frente do país e impedir que o comércio do petróleo iraquiano não vire outra vez as costas para o dólar. Isto é mais fácil de dizer do que de fazer.
A economia do dólar
A economia do dólar não se limita às fronteiras dos Estados Unidos. Não há apenas as reservas de petróleo etiquetadas em dólares a dela fazer parte. Igualmente as empresas, bancos e investimentos pagos em dólares dela participam, pouco importa onde se encontrem. São como ilhotas da economia do dólar. Os benefícios e dividendos retornam aos seus proprietários. Aliás, o valor destes investimentos é influenciado pelo curso da troca do dólar. Os vendedores de petróleo, que vendem em dólares, são actores na economia do dólar e comportam-se geralmente como perfeitos representantes dos interesses dos Estados Unidos. Consideram do seu próprio interesse.

7. Euro versus dólar

O euro está cotado desde Janeiro de 1993. Em Junho de 2005 o curso era o mesmo do momento da sua introdução: US$ 1,22. A nova moeda já experimentou flutuações múltiplas durante a sua curta vida. A partir de 1998 o euro afundava-se cada vez mais, até que Saddam Hussein passe ao euro. Apesar de o comércio de petróleo iraquiano ter sido restabelecido em dólares em Junho de 2003, o avanço do euro continuava. O Irão havia começado a vender o seu petróleo em euros.
O euro tornou-se uma pequena moeda mundial. Entre Julho de 2004 e Julho de 2005, a parte do dólar no comércio mundial desceu de 70% para 64%. Um pouco menos destes 64% referem-se à parte dos Estados Unidos no comércio mundial. Mas se o euro quiser tornar-se tão importante quanto o dólar, ainda tem muito caminho a percorrer.
Euro: mesmas desvantagens que o dólar
Em princípio, o euro apresenta os mesmos riscos do dólar. Enquanto houver um motor permanente para uma procura de euros, como por exemplo vendas de petróleo em euros, a zona euro poderia fazer dívidas e deixá-las crescer infindavelmente.
Para evitar dívidas, a zona euro deveria guardar nos seus cofres uma quantidade equivalente em moedas estrangeiras no valor dos euros fora da Europa. Por que o faria? O truque da prestidigitação do crédito sem fim funciona sem problemas para os Estados Unidos já há mais de 30 anos!
Se os países produtores de petróleo venderem seus óleo em duas ou três divisas diferentes, como foi encarado, isto significa somente que os três países em causa poderão fazer o mesmo truque de prestidigitação que os Estados Unidos. A longo prazo isto multiplicaria os problemas por três. A única solução para isto seria que os países produtores de petróleo aceitassem todas as divisas existentes no mercado. Teerão já considerou aceitar mais do que uma única moeda. Passo a passo.

8. Células cancerígenas verdes

O facto de os Estados não não deixarem senão crescer a sua "dívida externa" e de chegarem até a utilizar a força militar para prolongar esta exploração faz com que não se possa mais falar de uma dívida externa normal, tal como aquela que se conhece no comércio internacional entre os demais países do mundo. No que se refere aos Estados Unidos, pode-se falar de roubo. Também se pode falar até mesmo de burla ou de taxa imperial que os Estados Unidos impõem aos utilizadores estrangeiros do dólar. Mas há mais.
Cada bilhete de dólar é um reconhecimento de dívida dos Estados Unidos, uma promessa de que entregarão alguma coisa em troca. Pela quantidade enorme destes reconhecimentos de dívida postos em circulação, os Estados Unidos não estão mais em condições de reembolsar as suas dívidas desde há muito tempo. Estão em falência. A obrigação de pagar o gás e o petróleo em dólares mantém uma procura permanente. O curso do dólar é entretanto mantido de modo artificial, como através do armazenamento dos dólares nos bancos centrais da China, do Japão, de Formosa e de outros países. Como isto significa um empobrecimento da população destes países e como os Estados Unidos fazem crescer a sua dívida externa cada vez mais rápido, chegará um momento em que estes bancos centrais terão de parar de armazená-los. A questão portanto não é de que o dólar deverá cair, e sim de QUANDO cairá.
Como o mundo está enganado com a aparente boa saúde do curso de câmbio, muitos operadores do comércio mundial ainda aceitam estes bilhetes que se aninham em todas as economias do mundo como células cancerosas. A questão é incontornável. Todas as economias infectadas serão arrastadas no dia em que a procura de dólares cair e o império dos Estados Unidos soçobrar.
Com isto o mundo clamará por paz e segurança, e assim virá o falso cristo, enganando a muitos por um breve período de tempo, até que o verdadeiro Cristo retorne e reine sobre esta Terra.( Nota do Editor)

06/Março/2007
[1] Exceptuadas as importações de petróleo provenientes do Iraque entre 6 de Novembro de 2000 e 5 de Junho de 2003, do Irão desde a Primavera de 2003 e da Rússia desde 8 de Junho de 2006.
[2] "Imprimir dólares" é um modo de falar. A maior parte dos dólares não existe senão como cifras em contas bancárias.
[6] Washington Post
[12] Cheney
[15] Anúncio RTS ; Accélération RTS & Ouverture RTS
[17] ElBaradei
[19] Financial Times, 5 de Junho de 2003
[NR1] Continua a haver transnacionais de petróleo a operarem na Venezuela, além da empresa estatal PDVSA (nota de resistir.info).
[*] Analista económico, holandês, rudoderuijter@wanadoo.nl O original encontra-se em http://www.europe2020.org/spip.php?article402&lang=fr .
Tradução de JF.
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

O mundo está ficando inabitável


O mundo está ficando inabitável

Nos países latinos a violência campeia em toda parte, pois a formação católica desses países deu origem a políticos e clérigos incrédulos e corruptos, servindo eles mesmos de exemplo aos assassinos e traficantes de drogas. Aqui no Brasil isso tem acontecido de modo escandaloso.
E a igreja evangélica, na qual tem sido computado quase 1/3 da população do país, por acaso não está servindo de freio ao banditismo?

A resposta é: deveria estar! Mas somente se as igrejas pregassem o verdadeiro evangelho de Cristo e os seus freqüentadores fossem realmente pessoas “nascidas de novo”. Infelizmente, porém, nove entre dez “pastores evangélicos” não têm preparo moral nem espiritual para dirigir os seus rebanhos e, pervertidos pela sua ignorância e cobiça, acabam conduzindo atrás deles um rebanho mal alimentado com grama seca e água poluída.

Os “teólogos” da Fé e da Prosperidade, os quais prometem curas milagrosas e riqueza aos “convertidos”, só conseguem formar um rebanho de ovelhas subnutridas, as quais se deixam apanhar em qualquer armadilha doutrinária e, conseqüentemente, acabam se extraviando e sendo devoradas pelo engodo religioso, na busca desenfreada por bens materiais.

O Senhor Jesus Cristo tem sido tratado como um quitandeiro, que entrega a mercadoria conforme o dinheiro que recebe. Enquanto isso, o Espírito Santo tornou-se um “office-boy”, devendo atender a todos os pedidos dos pastores malaquianos, em troca dos dízimos e ofertas que eles exigem (e coletam) dos analfabetos bíblicos.

Na União Européia, agora completando meio século de existência, o Cristianismo foi estrangulado há muito tempo. Os jesuítas labutaram, desde a criação da Ordem de Loyola, com o objetivo específico de neutralizar a Reforma, até que conseguiram reduzir o Cristianismo bíblico a um cristianismo de fachada, no qual a psicologia e o humanismo andam juntos, buscando a maneira mais eficaz de liquidar a fé cristã. Hoje os europeus zombam acintosamente de quem afirma que Jesus Cristo é Deus!

O resultado dessa descrença geral é que a violência (antes constatada apenas nos países latinos) agora está começando a agir no Primeiro Mundo e a juventude transviada no hedonismo e nos vícios, tem sido a maior vítima de toda a desgraça, nos países ricos. A gravidez precoce e a AIDS são apenas duas das tenebrosas conseqüências da liberdade sexual da juventude moderna.
O desemprego alcança cifras astronômicas, o povo vive deprimido e inseguro e ninguém mais encontra a paz que procura, porque simplesmente ela só existe nos corações que têm uma genuína fé em Jesus Cristo. “Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6) e quando Ele não se agrada do povo, deixa-o mergulhado na própria infelicidade, rumo à perdição total.
O Oriente é um barril de pólvora, pronto a explodir a qualquer momento, enquanto os países ricos do Ocidente já não gozam da segurança que imaginavam possuir, em razão de sua riqueza cultural e industrial.

Vejam como a Inglaterra está ficando perigosa para se viver, conforme notícia hoje colhida no link Terra Notícias:
28.03.2007 - Os britânicos estão comprando coletes à prova de facadas para proteger seus filhos após onda de assassinatos de adolescentes com armas brancas na Grã-Bretanha. Segundo o jornal Daily Mail, a companhia VestGuard UK, que produz coletes à prova de balas e de facadas para funcionários de governos de todo o mundo, recebeu mais de cem pedidos de pais que querem proteger seus filhos após o aumento de ataques de gangues em Londres.
De acordo com a agência ANSA, os coletes em tamanhos pequenos custam de US$ 400 a US$ 800 cada. A procura pelas peças começou como uma resposta aos ataques sofridos pelos adolescentes Adam Regis e Kodjo Yenga, ambos assassinados em Londres nas últimas semanas após serem esfaqueados na rua.

Os pais estão preocupados com o que está acontecendo nas ruas, com o nível de violência", declarou Shaun Ward, diretor de vendas da VestGuard UK ao Daily Mail. "Por isso, começamos a produzir coletes à prova de balas e contra ataques com faca de tamanho muito pequenos, que chegam a pesar apenas 800 gramas. Os menores são na maioria meninos, mas também houve várias meninas", acrescentou.

Graves distúrbios têm acontecido também na França. “O salário do pecado é a morte (Romanos 6:23) e o maior pecado que existe é a descrença no Criador do universo, Jesus Cristo, o Filho unigênito de Deus, que veio ao mundo para salvar os pecadores, porém não foi reconhecido pelos judeus nem pelos gentios... A “operação do erro” está se tornando cada dia mais visível e, brevemente, o mundo vai sentir o peso da mão de Deus nos quatro cantos da Terra.
País que descarta o Rei dos reis e Senhor dos senhores é um país entregue à violência e ao futuro domínio do Anticristo, que está mais próximo de aparecer do que a maioria possa imaginar.

Mary Schultze, 28/03/2007.

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:9)...o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. 1 João 1:7)

Tuesday, March 27, 2007

Apostasia em ação:Teologia Relacional ou Teísmo Aberto - Outro evangelho?

Teologia Relacional ou Teísmo Aberto - Outro evangelho?
(Gálatas 1:6-8).

Primeiro o pastor da PIBT começou a ler, dar um curso e a pregar a duvidosa teologia de Henry Blackaby apresentada em seu badalado livro “Conhecendo Deus”.

Logo em seguida, ele desceu mais um degrau e anunciou um novo curso focalizando um livro de René Kivitz (o qual, junto com Ricardo Gondim, é proponente do Teísmo Aberto ou Teologia Relacional).

Ele está sempre citando no púlpito autores como Phillip Yancey, Larry Crab e outros bem moderninhos, simplesmente porque a CBB os aprova. Mas será que Deus aprova esses autores?

Por que ele não prega autores sérios, realmente bíblicos, preferindo entregar aos membros da igreja esse tipo de teologia espúria... E ainda se acha no direito de criticar no púlpito quem tenta abrir-lhe os olhos que ficaram nublados pelos autores da moda? Por que ele não alimenta corretamente as suas ovelhas, em vez de dar-lhes rações secas e contaminadas?

Não pretendo ser uma especialista no assunto do Teísmo Aberto, (ou Teologia Relacional), mas apresento abaixo um artigo do eminente autor presbiteriano - Dr. Augustus Nicodemus Lopes - um homem a salvo de qualquer suspeita, um legítimo defensor da verdadeira teologia bíblica

Teologia Relacional: um novo deus no mercado

Rev. Augustus Nicodemus Lopes

As ondas gigantes que provocaram a tremenda catástrofe na Ásia no final de dezembro de 2004 afetaram também os arraiais evangélicos, levantando perguntas acerca de Deus, seu caráter, seu poder, seu conhecimento, seus sentimentos e seu relacionamento com o mundo e as pessoas diante de tragédias como aquela. Dentre as diferentes respostas a essas perguntas, uma chama a atenção pela ousadia de suas afirmações: Deus sofreu muito com a tragédia e certamente não a havia determinado ou previsto; ele simplesmente não pôde evitá-la, pois Deus não conhece o futuro, não controla ou guia a história, e não tem poder para fazer aquilo que gostaria. Esta é a concepção de Deus defendida por um movimento teológico conhecido como teologia relacional, ou ainda, teísmo aberto ou teologia da abertura de Deus.
A teologia relacional, como movimento, teve início em décadas recentes, embora seus conceitos sejam bem antigos. Ela ganhou popularidade por meio de escritores norte-americanos como Greg Boyd, John Sanders e Clark Pinnock. No Brasil, estas idéias têm sido assimiladas e difundidas por alguns líderes evangélicos, às vezes de forma aberta e explícita [Ricardo Gondim, René Kivitz, e outros - MS].

A teologia relacional considera a concepção tradicional de Deus como inadequada, ultrapassada e insuficiente para explicar a realidade, especialmente catástrofes como o tsunami de dezembro de 2004, e se apresenta como uma nova visão sobre Deus e sua maneira de se relacionar com a criação. Seus pontos principais podem ser resumidos desta forma:
1. O atributo mais importante de Deus é o amor. Todos os demais estão subordinados a este. Isto significa que Deus é sensível e se comove com os dramas de suas criaturas.

2. Deus não é soberano. Só pode haver real relacionamento entre Deus e suas criaturas se estas tiverem, de fato, capacidade e liberdade para cooperarem ou contrariarem os desígnios últimos de Deus. Deus abriu mão de sua soberania para que isto ocorresse. Portanto, ele é incapaz de realizar tudo o que deseja, como impedir tragédias e erradicar o mal. Contudo, ele acaba se adequando às decisões humanas e, ao final, vai obter seus objetivos eternos, pois redesenha a história de acordo com estas decisões.

3. Deus ignora o futuro, pois ele vive no tempo, e não fora dele. Ele aprende com o passar do tempo. O futuro é determinado pela combinação do que Deus e suas criaturas decidem fazer. Neste sentido, o futuro inexiste, pois os seres humanos são absolutamente livres para decidir o que quiserem e Deus não sabe antecipadamente que decisão uma determinada pessoa haverá de tomar num determinado momento.

4. Deus se arrisca. Ao criar seres racionais livres, Deus estava se arriscando, pois não sabia qual seria a decisão dos anjos e de Adão e Eva. E continua a se arriscar diariamente. Deus corre riscos porque ama suas criaturas, respeita a liberdade delas e deseja relacionar-se com elas de forma significativa.
5. Deus é vulnerável. Ele é passível de sofrimento e de erros em seus conselhos e orientações. Em seu relacionamento com o homem, seus planos podem ser frustrados. Ele se frustra e expressa esta frustração quando os seres humanos não fazem o que ele gostaria.

6. Deus muda. Ele é imutável apenas em sua essência, mas muda de planos e até mesmo se arrepende de decisões tomadas. Ele muda de acordo com as decisões de suas criaturas, ao reagir a elas. Os textos bíblicos que falam do arrependimento de Deus não devem ser interpretados de forma figurada. Eles expressam o que realmente acontece com Deus.

Estes conceitos sobre Deus decorrem da lógica adotada pela teologia relacional quanto ao conceito da liberdade plena do homem, que é o ponto doutrinário central da sua estrutura, a sua “menina dos olhos”. De acordo com a teologia relacional, para que o homem tenha realmente pleno livre arbítrio suas decisões não podem sofrer qualquer tipo de influência externa ou interna. Portanto, Deus não pode ter decretado estas decisões e nem mesmo tê-las conhecido antecipadamente. Desta forma, a teologia relacional rejeita não somente o conceito de que Deus preordenou todas as coisas (calvinismo) como também o conceito de que Deus sabe todas as coisas antecipadamente (arminianismo tradicional). Neste sentido, o assunto deve ser entendido, não como uma discussão entre calvinistas e arminianos, mas destes dois contra a teologia relacional. Vários líderes calvinistas e arminianos no âmbito mundial têm considerado esta visão da teologia relacional como alheia ao cristianismo.
A teologia relacional traz um forte apelo a alguns evangélicos, pois diz que Deus está mais próximo de nós e se relaciona mais significativamente conosco do que tem sido apresentado pela teologia tradicional. Segundo os teólogos relacionais, o cristianismo histórico tem apresentado um Deus impassível, que não se sensibiliza com os dramas de suas criaturas. A teologia relacional, por sua vez, pretende apresentar um Deus mais humano, que constrói o futuro mediante o relacionamento com suas criaturas. Os seres humanos são, dessa forma, co-participantes com Deus na construção do futuro, podendo, na verdade, determiná-lo por suas atitudes.
Contudo, a teologia relacional não é novidade. Ela tem raízes em conceitos antigos de filósofos gregos, no socinianismo (que negava exatamente que Deus conhecia o futuro, pois atos livres não podem ser preditos) e especialmente em ideologias modernas, como a teologia do processo. O que ela tem de novo é que virou um movimento teológico composto de escritores e teólogos que se uniram em torno dos pontos comuns e estão dispostos a persuadir a igreja cristã a abandonar seu conceito tradicional de Deus e a convencê-la que esta “nova” visão de Deus é evangélica e bíblica.
Mesmo tendo surgido como uma reação a uma possível ênfase exagerada na impassividade e transcendência de Deus, a teologia relacional acaba sendo um problema para a igreja evangélica, especialmente em seu conceito sobre Deus. Embora os evangélicos tenham divergências profundas em algumas questões, reformados, arminianos, wesleyanos, pentecostais, tradicionais, neopentecostais e outros, todos concordam, no mínimo, que Deus conhece todas as coisas, que é onipotente e soberano. Entretanto, o Deus da teologia relacional é totalmente diferente daquele da teologia cristã. Não se pode afirmar que os adeptos da teologia relacional não são cristãos, mas que o conceito que eles têm de Deus é, no mínimo, estranho ao cristianismo histórico.
Ao declarar que o atributo mais importante de Deus é o amor, a teologia relacional perde o equilíbrio entre as qualidades de Deus apresentadas na Bíblia, dentre as quais o amor é apenas uma delas. Ao dizer que Deus ignora o futuro, é vulnerável e mutável, deixa sem explicação adequada dezenas de passagens bíblicas que falam da soberania, do senhorio, da onipotência e da onisciência de Deus (Is 46.10a; Jó 28; Jó 42.2; Sl 90; Sl 139; Rm 8.29; Ef 1; Tg 1.17; Ml 3.6; Gn 17.1 etc). Ao dizer que Deus não sabia qual a decisão de Adão e Eva no Éden, e que mesmo assim arriscou-se em criá-los com livre arbítrio, a teologia relacional o transforma num ser irresponsável. Ao falar do homem como co-construtor de Deus de um futuro que inexiste, a teologia relacional esquece tudo o que a Bíblia ensina sobre a queda e a corrupção do homem. Ao fim, parece-nos que na tentativa extrema de resguardar a plena liberdade do arbítrio humano, a teologia relacional está disposta a sacrificar a divindade de Deus. Ao limitar sua soberania e seu pleno conhecimento, entroniza o homem livre, todo-poderoso, no trono do universo, e desta forma, deixa-nos o desespero como única alternativa diante das tragédias e catástrofes deste mundo e o ceticismo como única atitude diante da realidade do mal no universo, roubando-nos o final feliz prometido na Bíblia. Pois, afinal, poderá este Deus ignorante, fraco, mutável, vulnerável e limitado cumprir tudo o que prometeu?
Com certeza a visão tradicional de Deus adotada pelo cristianismo histórico por séculos não é capaz de responder exaustivamente a todos os questionamentos sobre o ser e os planos de Deus. Ela própria é a primeira a admitir este ponto. Contudo, é preferível permanecer com perguntas não respondidas a aceitar respostas que contrariem conceitos claros das Escrituras. Como já havia declarado Jó há milênios (42.2,3): “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; cousas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.
Mary Schultze, 16/03/2007 - http://www.cpr.org.br/Mary.htm

O Rev. Augustus Nicodemus Lopes é chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor auxiliar da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, em São Paulo.
http://www.monergismo.com/

Um ano após polêmica com Palocci, caseiro vive de bico

O caseiro francenildo, foi o que mais sofreu as conseqüências de não ter mentido. Perdeu o emprego, a mulher o deixou, e , hoje, vive sem tranqüilidade e com estigma de ter delatado o então ministro Palocci, que é tratado como uma celebridade, atualmente.
Moral da história, nestes tempos iníquos e sombrios, o mocinho virou o bandido, e o bandido virou mocinho, em outras palavras, "bonzinho" só fica no prejuízo.



Um ano após polêmica com Palocci, caseiro vive de bico

Passado exatamente um ano da demissão de Antonio Palocci (PT-SP) do Ministério da Fazenda, por envolvimento na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, o inquérito contra o ex-ministro está parado no Supremo Tribunal Federal (STF), onde aguarda parecer do Ministério Público. Enquanto Palocci, hoje deputado federal, com foro privilegiado, lança livro, dá entrevistas e faz palestra como celebridade, Nildo perdeu o emprego, a mulher e a tranqüilidade.

Desempregado, ele vive o estigma do delator e sobrevive de bicos. Atualmente, ganha um salário mínimo - metade do que recebia na época do escândalo, como jardineiro diarista numa casa do Lago Sul. Toda vez que surge uma promessa de trabalho - a última foi na Embaixada do Zimbábue -, é despachado quando o contratante vê a ficha e percebe de quem se trata. "A minha vida só fez piorar. Fiquei mais queimado do que ele (Palocci) por ter falado a verdade", lamenta. Nildo é visto com desconfiança e alvo freqüente de chacotas. "Alguns, além de me recusarem o emprego, ainda perguntam se eu não recebi mesmo propina para denunciar o ministro", relata. O escândalo ainda agravou o relacionamento entre Nildo e a mulher , que o abandonou, assustada com as conseqüências do caso para si e para o filho. Apesar de tudo, o caseiro garante que não está arrependido e hoje faria o mesmo.

Em março de 2006, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Nildo acusou Palocci, então o mais poderoso ministro do governo, de freqüentar uma mansão no Lago Sul onde lobistas de Ribeirão Preto realizariam festas e negócios escusos. Em retaliação, dirigentes do alto escalão do governo quebraram o sigilo bancário do caseiro e realizaram uma devassa ilegal em sua vida. Quando o escândalo veio à tona, Palocci perdeu o cargo e passou a responder a processo por quebra de sigilo bancário e funcional, prevaricação e denunciação caluniosa. Caíram no escândalo o então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, e quatro altos assessores do governo.
Fonte: Agência Estado

Friday, March 23, 2007

Uma reflexão sobre a atual sociedade pós-moderna

Nesta reflexão, observa-se algumas características da sociedade deste ínicio de século: embrutecida, sem amor, avarenta, gananciosa, indiferente, alienada, tem o prazer como objetivo final e cada vez mais ignorante. As sagradas escrituras não mentem: vivemos tempos trabalhosos.
Cabaré dos solitários
Os filmes Babel e Pequena Miss Sunshine estimulam a reflexão sobre o labirinto sem saída em que o homem se meteu. Banalização da vida é a praga contemporânea
Inez Lemos
Nenhum ser humano consegue ser feliz sem um “eu te amo”. Isso é básico. Nascemos do amor e dele precisamos para seguir pela vida. É o amor que funda o sujeito. Contudo, percebo que o amor está em extinção, é artigo de alto luxo, a que poucos têm acesso. O filme Babel retrata vários cenários em diferentes lugares; porém, há um que choca, bate fundo, vira realidade que nos machuca e despedaça. Trata-se da jovem que vive a solidão do mundo tecnológico – gigante que nos esmaga por dentro. No Japão das ondas magnéticas, o afeto entre as pessoas não é costume valorizado. Falta ímã, liga, substância que nos aquece, qual incêndio no coração, fogueira em busca de alento. O fogo do amor é mistério que queima de prazer. É difícil viver sem ele. A máquina é fria, não produz sensação, emoção. O progresso congela sentimentos, paralisa o mundo. E o sujeito finge que acredita.
Do Oriente, a jovem pós-moderna chora sua falta de amor. Reivindicar amor é reivindicar humanidade. A protagonista recusa a vida fria e artificial produzida na hipermodernidade. Íntimo – relação que pressupõe interioridade, o adentrar na alma do outro, comunicando-se com algo divino, solene e mágico. No mundo atual, há luz em excesso, clarão que cega e seca. No Japão, com um simples botão, acendem-se luzes, ligam-se e desligam-se aparelhos, mas não se chega à alma – que padece gelada, desprezada.
Quando o mundo vai parar de crescer para fora e começar a crescer para dentro? Estamos parados. E amar é movimento abissal, caminhar rumo ao idílico, onírico, tempo de magia e poesia. Como amar sem tocar essas divindades? O cenário amoroso que nos oferecem é o de encontros relâmpagos, relações que se curto-circuitam em meio a tantas maravilhas eletrônicas. O futuro está enfermo, padece em leito solitário. As imagens detectam o paciente morrendo de falta de amor. Em Babel, o mundo é precipício, abismo cavado pela inteligência internacional, mundial, global. “Meu amor... os carros já não andam. Aviões param no ar... meu amor. Meus olhos se apagaram, o que fazer? Com meus braços, tuas pernas, nossas bocas. O que fazer? Adeus... Adeus... Tudo que era vida foi embora. Eu... Deus...”. Assim Murilo Antunes, poeta e letrista mineiro, de forma pungente e aguda, denuncia a tragédia do amor, quando já não há crença na vida. A dimensão verdadeira da humanidade faliu: amor aos pedaços, peças avulsas e soltas no mercado dos corpos. Vida cáustica, foram seqüestradas as possibilidades de se fazer amor de corpo inteiro
A vida é um grande coração batendo. A viagem que travamos com ele é profunda – conduz-nos às entranhas e lá descobrimos espaços inusitados, sonhos reclusos, magias secretas. Quando abrimos o coração, o chão treme e descobrimos que somos felizes. Felicidade é descobrir, dentro de nós, relíquias a se percorrer e compor poemas. É preparar-se para receber a poesia da vida, que se aproxima tal como o beija-flor nos jardins, cativo das flores. O beija-flor é nobre e sábio, pois não vaga como os pássaros vagabundos, de galho em galho, à espera do que der e vier. O vôo do beija-flor é direcionado, seu percurso tem endereço certo. Ele sabe o que busca, do que precisa e o que deseja. Desnorteante é vagar sem eixo, sem norte, sem saber onde é a casa da felicidade, lugar escolhido pelo coração para descansar – paragem que cura da secura do mundo.
Que é viajar, e para que serve viajar? Qualquer poente é o poente, não é mister ir vê-lo a Constantinopla. A sensação de libertação, que nasce das viagens? Posso tê-las saindo de Lisboa até Benfica... porque se a libertação não está em mim, não está, para mim, em parte alguma”. Fernando Pessoa critica a obsessão de viajar por viajar. Para cruzar mares, temos de, primeiro, cruzar nossa monotonia. A vida é um tédio, quando não enfrentamos os monstros que nos apavoram. Viajar requer paz interior. Sem abrir espaço dentro de nós, não navegamos rios, não apreciamos cidades. Escalar belas montanhas? Só com o coração em júbilo. O tédio é para ser enfrentado, ultrapassado – sem vencê-lo, estaremos sempre empacotados, emparedados. Aliás, a melhor forma de não viajar é entrar num pacote turístico. As agências de viagens, em consonância com os empresários do tédio, nos oferecem um enlatado de lugares. Você compra a promessa de viagem e realiza o plano de metas, programa intensivo de visitas. Passa por lugares, sem que eles passem por você. Emoção planejada é fingimento, engodo, vida tediosa, tendenciosa. Quem segue as tendências do mundo externo vaga sozinho e fora do eixo, distante do néctar divino. Divino é viver com a alma embevecida da dor ínfima, ferrugem que corrói lentamente de prazer.
Quão irritante é assistir à destruição do lado emocionante da vida por empresários que tudo institucionalizam e comercializam. Viver se tornou mero cerimonial, quando tudo tem de ser impecável. Vida sem pecado, fracassos e derrotas. A vida que os Estados Unidos querem nos impor goela abaixo – vencer ou vencer, concorrer, correr para o primeiro lugar, conquistar. O filme A pequena Miss Sunshine expõe o ridículo norte-americano. Parece que a vida forjada no progresso nos deixou retardados. Agimos como robôs. Viajamos para onde não desejamos, ingerimos todas as gorduras que nos empurram e, depois, nos penitenciamos em cima de esteiras, verdadeiros idiotas correndo parados. Competimos obcecados e enlouquecidos por prêmios. Amor e emoção, só no cabaré dos solitários, demissionários dessa vida otária, gente de sangue frio. Viver é sonhar diante do espelho da alma. Pobres almas magnéticas, que viajam em chips e navegam conectadas, programadas.
Miss Sunshine mostra a transformação do trágico em cômico – a cena da família à mesa, a comida comprada que vem embalada em baldes plásticos. O cardápio do dia compõe-se de pedaços de frango, devorados inteiros, com as mãos. A América esparrama estupidez pelo mundo, ao transformar o ato de se alimentar em banalidade. Sem o ritual de sentar à mesa bem-posta, é como ir ao banheiro aliviar-se. Instintos de preservação – comer, lutar, vencer. Banalizar a vida, isso o capitalismo fez com mestria. A vida que restou é a que engolimos nas esquinas – especiarias sem sabor, temperos sem cheiros. A família, hoje, é um amontoado de gente que demanda enlatados. Consomem-se sonhos cifrados e projetados nos escritórios de vidro – janelas que se abrem para o céu nublado, cinzento e poluído, fagulhas de cimento em almas de ferro.
O cenário a que os dois filmes nos remetem é labirinto sem saída. A salvação deve vir de nós, ao recusarmos caminhos que nos enredam e paralisam. Jorge Luis Borges, em Elogio da sombra, nos aponta um lugar: “Não haverá nunca uma porta. Estás dentro. E o alcacér abarca o universo. E não tem nem anverso nem reverso. Nem externo muro nem secreto centro”. Tudo de que precisamos para uma vida saudável, emocionante, é enfrentar as bifurcações dos caminhos que travamos a partir de nossas entranhas, vísceras que desconfortam – labirinto a ser percorrido, real a ser bordejado.
A vida é para ser bordada, ponto a ponto. Destino traçado por fadas que idealizamos, que nos orientam e nos indicam os jardins de beija-flores. Refeição à mesa, com a família reunida. Juntos, comem o sofrer e saboreiam o saber. Nas metrópoles, a vida de famílias que abandonaram seus feudos sentimentais e migram para lugares sem memória, conforto sem esperança, é rala, fria e frágil. A emoção, hoje, é participar do Big brother, eliminar o “babaca da vez”. Triste é a juventude acreditar que a vida é essa obscenidade sem sabor, pecado sem dor, desistindo de encontrar o néctar dos deuses, no jardim da existência. Essa vida burguesa, dissoluta e sem sentido já havia sido severamente criticada por Salinger em seu ontológico O apanhador no campo do centeio: “Esses sujeitos que vivem dizendo quantos quilômetros fazem com um litro de gasolina... Sujeitos que nunca na vida abriram um livro. Sujeitos chatos pra burro”. Salinger realizou um pouco do desejo de se ausentar da hipocrisia americana, tal como aspirava seu personagem de O apanhador. Retirou-se para uma vida despojada e marginal, ao que parece em uma cabana no Maine, onde não havia água encanada e luz elétrica. Distante da frieza do progresso e longe do alcacér, abarcou o universo, ao escrever e revelar ao mundo sabedoria. Soube viver a emoção de saber de si.
Inez Lemos é psicanalista. E-mail: mils@gold.com.br
Estado de Minas 17/3/2007

Tuesday, March 20, 2007

Quatro anos depois da invasão, o Iraque passa por dias sombrios

Este país vive uma situação cada vez mais caótica e sem solução. A guerra civil iraquiana pode se alastrar para outras partes do Oriente Médio e comprometer a delicada situação da região e, conseqüentemente, de todo o planeta.
Iraque é país que desmorona aos poucos, diz especialista

CHIAKI KAREN TADA
da Folha Online
Quatro anos após o início da Guerra do Iraque, "muito pouco" foi realizado e o país está "desmoronando aos poucos", na opinião de Joost Hiltermann, vice-diretor do Programa para o Oriente Médio e Norte da África da ONG International Crisis Group [especializada em análises de conflitos]. Hiltermann foi entrevistado por telefone do Iraque com exclusividade pela Folha Online.
"Um regime muito brutal foi removido, e muitos iraquianos estão muito agradecidos por isso. Mas a criação de um vácuo político, administrativo e especialmente de segurança em 2003 deu poder a grupos armados, seja de milícias ou de insurgentes", resume Hiltermann. "[Estes grupos] engajaram-se em batalhas que possuem caráter sectário em áreas de população mista e caráter político em outras áreas", afirma. Como exemplo, o especialista cita as tensões entre sunitas em Ramadi (oeste) e entre xiitas em Basra (sul).

Segundo ele, como resultado, a reconstrução do Iraque "parou". "A classe trabalhadora mudou-se para países vizinhos. O país está ingovernável e desmoronando aos poucos", diz. Diante de um quadro sem governo, sem um líder nacional respeitado e sem forças americanas capazes de preencher esse vácuo, o ex-diretor executivo da Divisão de Armas do Human Rights Watch diz que o cenário futuro do Iraque é o de um "Estado em colapso".
Hiltermann encontra-se no momento em Kirkuk, no Iraque, para a atualização de um relatório sobre como solucionar os problemas na região. "O cenário estava calmo nas últimas duas semanas. Mas a situação em Kirkuk é tensa", definiu ele.
Localizada 250 km ao norte de Bagdá, a cidade foi atingida ontem por três carros-bomba que mataram 18 pessoas e feriram 37. A região vive um cenário de violência crescente atribuída a insurgentes que deixaram Bagdá após o início da operação de segurança na capital.
Cidade rica em petróleo, Kirkuk é um dos lugares de maior conflito no Iraque. Sunitas, apoiados pelos turcomanos, e curdos disputam o comando da cidade.
Guerra civil
Na quinta-feira (15), o Departamento de Defesa dos EUA admitiu em um relatório que o Iraque enfrenta uma guerra civil.O documento descreve que o período entre outubro e dezembro de 2006 como o mais violento do conflito desde a invasão americana há quatro anos, e aponta que "alguns elementos [do conflito] no Iraque podem ser considerados parte de uma guerra civil".

De acordo com o Pentágono, o Iraque é alvo de uma média de mil ataques por semana, contra cerca de 800 por semana no período de maio a agosto de 2006.
Para Hiltermann, a situação é "claramente" de guerra civil desde muito antes da divulgação do relatório americano, "em termos de intensidade e do número de mortos".
Hiltermann alerta que é preciso que haja um plano político para resolver a situação no Iraque. "Mas não vejo a administração [do presidente americano, George W.] Bush lançando uma iniciativa política", afirmou. "Eles estão cegos para os problemas e fracos demais em casa para fazer qualquer coisa efetiva no Iraque agora".
Nesta segunda-feira, na véspera do quarto aniversário da Guerra do Iraque, Bush afirmou que a vitória no país ainda "é possível", mas levará meses, e não dias ou semanas.O presidente americano deu as declarações ao falar ao Congresso americano liderado pelo Partido Democrata, que pressiona pelo final do conflito.
"Tarefa árdua"
Para outro especialista em Iraque, porém, a resolução da guerra levará muitos anos.

"Os americanos ainda não conseguiram reconstruir o Estado [iraquiano] ou restabelecer a segurança no país", afirma Toby Dodge, especialista em Iraque do International Institute for Strategic Studies, no Reino Unido.
Para Dodge, os EUA precisam enviar mais soldados e controlar Bagdá. Ao mesmo tempo, é necessário reconstruir o Estado iraquiano. "Será uma tarefa árdua e longa", diz.
Dodge também concorda que há, sim, uma guerra civil em curso no Iraque. Mas, para ele, a situação iraquiana é muito mais complexa que uma guerra civil "direta", porque em vez de grandes grupos em luta, há muitos grupos menores combatendo um ao outro.
"Basicamente todos estão lutando uns contra os outros no Iraque", afirma. Na opinião de Dodge, a estabilização do Iraque ainda levará "uns dez anos", mas a retirada das tropas americanas deve ocorrer "em três ou quatro anos".

Thursday, March 15, 2007

Aquecimento Global - A última chance para salvar o planeta?

Há um certo exagero no debate do aquecimento global, este considerado um grande vilão do planeta, provocado pelo homem, e responsável por todas as catástofres climáticas, que tem ocorrido nos últimos tempos.
A natureza está gemendo, mas não é por causa do aquecimento global, decorrente da emissão de dióxido de carbono e outros poluentes e sim pela crescente iniqüidade e maldade humanas praticadas neste planeta, nestes tempos finais. Esta é a verdade que a mídia e os governantes preferem ignorar ou esconder.
Aquecimento Global - A última chance para salvar o planeta?
Tony Pearce
Muitos têm alertado a respeito do alto custo do aquecimento global para a humanidade. Os jornais e os noticiários de TV estão cheios de previsões tenebrosas sobre o colapso da economia mundial: milhões morrerão ou serão desalojados em virtude de secas, fomes e inundações, enquanto Londres, Nova York e Tóquio, juntamente com outras cidades litorâneas, afundarão nos mares cujo nível subirá. Um relatório também predisse que todos os frutos do mar estarão extintos em cinqüenta anos.

A respeito desse panorama há diversas possibilidades. As principais são:

1. O aquecimento global é real e causado pela atividade humana (queima de combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás, queima das florestas tropicais, etc.). Por isso, os governos devem tomar medidas urgentes para salvar o mundo da catástrofe.

2. O aquecimento global é real mas não se tem certeza sobre as causas. Pode tratar-se de atividade solar e parte de um ciclo de aquecimento e esfriamento das temperaturas na Terra. Nesse caso, não há nada que os governos possam fazer a respeito.

3. O aquecimento global é um engano usado por aqueles que querem implantar um governo mundial. Eles estão tentando amedrontar as pessoas para que se submetam aos seus planos.

Vamos analisar essas questões:

1. O aquecimento global é real e causado pela atividade humana
De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (PIMC), apoiado pe la ONU , as temperaturas globais poderão aumentar entre 1,4° C e 5,8° C entre 1990 e 2100. O aumento das temperaturas, por sua vez, poderá provocar outras mudanças, inclusive o aumento do nível dos oceanos, a quantidade e o padrão das chuvas. É possível que essas alterações aumentem a freqüência e intensidade de eventos meteorológicos extremos como inundações, secas, ondas de calor, furacões e tornados. Outras conseqüências incluem reduções na produção agrícola, diminuição das geleiras, redução das correntes de verão, extinção de um grande número de espécies e o aumento de organismos transmissores de doenças.

Em seu congresso de 2003, a Sociedade Meteorológica Americana adotou uma declaração que dizia:

As atividades humanas tornaram-se uma fonte destacada de mudanças ambientais. Muito urgente é [considerar] as conseqüências da abundância crescente de gases de estufa na atmosfera... Como os gases de estufa continuam aumentando, estamos, na realidade, realizando uma experiência climática global, que não foi planejada nem é controlada, cujos resultados poderão apresentar desafios sem precedentes ao que conhecemos e prevemos. Eles também poderão ter impacto significativo sobre nossos sistemas naturais e sociais. Trata-se de um problema de longo prazo que requer uma perspectiva de longo prazo. Importantes decisões aguardam os atuais e futuros líderes nacionais e mundiais.

Manifestações para salvar o planeta têm sido realizadas ao redor do mundo. Em Londres, um evento organizado pela “Stop Climate Chaos” exigiu que o governo aja contra a ameaça do aquecimento global. O primeiro-ministro inglês Tony Blair declarou que se trata “do mais importante relatório sobre o futuro publicado pelo meu governo”. Angela Merkel, a chanceler da Alemanha, disse-lhe que enfrentar a questão das mudanças climáticas será uma prioridade para a presidência alemã do G8 (grupo das nações industrializadas) em 2007. A secretária do Exterior do Reino Unido, Margaret Beckett, disse num encontro em Nova Delhi que o subcontinente indiano poderá enfrentar uma combinação de secas e elevações do nível do mar – que devastarão as colheitas de cereais e forçarão milhões a fugir dos seus lares – como resultado da elevação das temperaturas globais.

Atualmente, o sol se encontra no ponto mais alto de atividade em 300 anos. Esse ciclo poderá ser seguido por um esfriamento e uma mini era do gelo.

2. ‑O aquecimento global é real mas pode ser causado pelo sol
Uma minoria de cientistas está afirmando que as mudanças climáticas, tais como o aquecimento global, são causados por alterações no sol e não devido à liberação de gases de estufa na Terra. O sol fornece toda a energia que movimenta nosso clima, mas ele não é a estrela constante que pode parecer. Estudos cuidadosos durante os últimos vinte anos mostram que seu brilho geral e a energia desprendida aumentam levemente à medida que sobe a atividade das manchas solares até seu ponto mais alto em um ciclo de onze anos. Atualmente, o sol se encontra no ponto mais alto de atividade em 300 anos. Esse ciclo poderá ser seguido por um esfriamento e uma mini era do gelo.

3. O aquecimento global é um engano
Há aqueles que são ainda mais céticos nessa questão. Christopher Monckton escreveu um artigo intitulado “Caos climático? Não acredite” no jornal britânico The Sunday Telegraph em que começou sugerindo que “o pânico provocado em torno das mudanças climáticas é menos relacionado com a intenção de salvar o planeta do que com a ‘criação de um governo mundial’, conforme a preocupante afirmação de Jacques Chirac”.

Ele apresenta evidências, mostrando como a ONU falsificou informações acerca do problema através da sua agência, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (PIMC). Monckton cita David Deming, um geocientista da Universidade de Oklahoma (EUA), que escreveu um artigo avaliando as temperaturas na América do Norte através de dados de perfurações. Isso lhe deu credibilidade com o PIMC, que lhe pediu que participasse de suas pesquisas. Deming afirma: “Eles pensaram que eu era um deles, alguém que iria perverter a ciência a serviço de causas sociais ou políticas. Um deles abaixou a guarda: um destacado pesquisador na área do aquecimento global enviou-me um surpreendente e-mail, que dizia: ‘temos que nos livrar do período de calor da Idade Média”’.

O período de calor da Idade Média é um fato bem documentado da história, mostrando que na época as temperaturas eram em torno de 3°C mais elevadas do que atualmente. De acordo com o artigo de Monckton:

De acordo com o artigo de Monckton: “...não havia geleiras nos Andes; hoje elas existem. Havia fazendas dos vikings na Groenlândia; hoje elas estão cobertas de gelo permanente.”
Então não havia geleiras nos Andes ; hoje elas existem. Havia fazendas dos vikings na Groenlândia; hoje elas estão cobertas de gelo permanente. Havia pouco gelo no Polo Norte, uma esquadra chinesa circunavegou o Ártico em 1421 e não o encontrou. Dados de 6.000 perfurações em todo o mundo indicam que as temperaturas globais eram mais elevadas na Idade Média do que agora.

Após esse período, as temperaturas caíram bem abaixo dos níveis atuais. Nos séculos XVII e XVIII ocorreu a “Pequena Era do Gelo”, quando o Tâmisa, junto à ponte de Londres, congelou de maneira tão sólida que uma Feira de Inverno foi realizada em 1607 com um conjunto de tendas sobre o próprio rio, oferecendo uma série de diversões, inclusive boliche sobre o gelo.

O relatório original do PIMC, publicado em 1996, apresentava um gráfico dos últimos mil anos, mostrando corretamente que as temperaturas na Idade Média tinham sidos mais altas que as atuais. Mas o relatório de 2001 continha um novo gráfico sem qualquer indicação de um período de calor medieval, indicando temperaturas uniformes até o começo da Era Industrial. Esse gráfico mostrava incorretamente que o século XX foi o mais quente dos últimos mil anos. Essa informação mostra que a história está sendo deliberadamente falsificada por uma agência da ONU.

Aquecimento global e governo mundial

Jacques Chirac relacionou a preocupação ambiental com um plano de governo mundial. Chirac escreveu um artigo para a revista New Scientist (19/5/05) sobre a necessidade de cuidar do meio ambiente, dizendo: “esse esforço deveria concentrar-se em estabelecer a governança ambiental global, algo que a França defende incansavelmente”.

Também é possível que haja um elemento de verdade em todas as três possibilidades. O aquecimento global pode ser causado parcialmente pela atividade humana e em parte pelo sol. Com certeza, ele está sendo usado para promover a idéia de que a governança mundial apoiada pe la ONU é a solução do problema. Quer seja real ou não, trata-se de uma questão ideal para unir as nações. É possível argumentar que nenhuma nação por si mesma pode resolver o problema e que, se ele não for solucionado, todos morreremos. É necessário que as nações trabalhem juntas para evitar isso. A ameaça também pode ser usada para dar aos governos desculpas para impor impostos mais elevados e exercer maior controle sobre a população...

Em seu artigo, Christopher Monckton referiu-se a uma afirmação do presidente francês, Jacques Chirac, que relacionou a preocupação ambiental com um plano de governo mundial. Chirac escreveu um artigo para a revista New Scientist (19/5/05) sobre a necessidade de cuidar do meio ambiente, dizendo: “esse esforço deveria concentrar-se em estabelecer a governança ambiental global, algo que a França defende incansavelmente, em particular com sua proposta de criar uma organização ambiental da ONU, que será discutida pelos líderes mundiais na cúpula da ONU em Nova York em setembro”. Em um discurso anterior no Encontro da ONU sobre Mudanças Climáticas em Haia (20/11/2000), ele afirmou: “Pela primeira vez, a humanidade está instituindo um que a França e a União Européia gostariam de ver criada”. (ênfase do autor).

É interessante que existe agora um consenso de opiniões sobre essa questão, favorecendo a agenda verde, nos três principais partidos do Reino Unido. Esse consenso é compartilhado pelos poderes que dominam a União Européia. Com os Democratas em ascensão nos EUA, é provável que as questões ambientais serão mais importantes que a “Guerra ao Terror”. Se a Rússia, a China, o Japão e a Índia puderem ser persuadidos a participar, a pressão para impor algum tipo de solução global para o problema poderá ser irresistível para o resto do mundo.

O meio ambiente – uma questão espiritual

É verdade que a Terra é um todo interdependente, que foi criado por Deus como “muito bom” (veja Gênesis 1.31). Tudo que é necessário para a vida é mantido em delicado equilíbrio no único planeta em que podemos viver.

Também é interessante que existe uma idéia semi-religiosa relacionada a tudo isso – a controvertida Teoria Gaia, denominada assim por causa da deusa da Terra dos antigos gregos. Essa teoria foi desenvolvida pelo cientista britânico James Lovelock durante a década de 1960, enquanto ele trabalhava no Projeto Viking, analisando a possibilidade de vida em Marte. Enquanto analisava o que sustinha a vida na Terra e observava a atmosfera terrestre, com seu delicado equilíbrio de oxigênio, hidrogênio, nitrogênio, metano e resquícios de outros elementos, ele teve a idéia de que a Terra era um todo vivo e interdependente, capaz de controlar a si mesmo e de eliminar ameaças, da mesma maneira que um corpo lida com doenças e traumas.

De acordo com essa idéia, a Terra é um sistema vivo imenso e eternamente interativo – um planeta vivo, flutuando no espaço, e cada parte do seu grandioso mecanismo afeta todos os outros, tanto para o bem como para o mal. A Terra teria certos órgãos especialmente importantes, como as florestas tropicais e os pântanos, que seriam mais importantes para o meio ambiente do que outras partes do sistema. Usando a comparação com o corpo humano, seria possível perder uma parte menor, como um dedo, e sobreviver, mas se você perder uma parte essencial, como os pulmões, você está morto. Desse modo, a Terra poderia sobreviver apesar de perder algumas espécies animais em virtude do descuido humano com o meio ambiente, mas se um órgão vital estiver ameaçado ela teria de reagir contra a interferência humana ou morrer.

Em certos grupos do movimento ambientalista está sendo difundida a idéia de que as catástrofes que atingem a Terra são o resultado de Gaia alertando a humanidade, para que esta pare de destruir o único planeta em que podemos viver. Em outras palavras, Gaia poderá agir para trazer uma espécie de juízo sobre a humanidade por descuidar do planeta. De acordo com essa visão, as catástrofes são a maneira da Terra combater a degradação do planeta por parte da humanidade. Isso conduz à visão da Nova Era de que devemos retornar à unidade com o planeta e com os outros seres humanos para salvar o planeta.

As catástrofes afetando a Terra irão aumentar nos dias finais desta era. Jesus disse a respeito dos tempos anteriores à Sua Segunda Vinda: “haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu...”
A Bíblia ensina um conceito diferente: que o Deus Todo-Poderoso, que criou a Terra e deu à humanidade a tarefa de cuidar dela, está falando através desses eventos, que Ele até predisse há séculos por meio dos profetas e do Senhor Jesus. É verdade que a Terra é um todo interdependente, que foi criado por Deus como “muito bom” (veja Gênesis 1.31). Tudo que é necessário para a vida é mantido em delicado equilíbrio no único planeta em que podemos viver. A distância da Terra até o Sol, a atmosfera, o ciclo das águas, a camada de solo para plantio, tudo está exatamente certo para sustentar a vida. A idéia evolucionária de que tudo se originou através de um acidente cósmico é tão provável como a possibilidade de que o computador em que estou escrevendo este artigo é o resultado de átomos que se juntaram ao acaso. Um projeto exige a existência de um projetista e a criação exige um Criador. Há abundantes evidências, para aqueles que querem entender, de que Deus, como Criador, e não a evolução pelo acaso, tem a resposta para a pergunta donde viemos.

Conforme o relato do Gênesis, a humanidade teria “domínio” sobre a Terra, não no sentido de saqueá-la, mas de cuidar dela e das suas criaturas (Gênesis 1.26-28, Salmo 8), em harmonia com Deus, nosso Criador. Porém, a desobediência humana a Deus causou a degradação da Terra, inicialmente com a queda (Gênesis 3) e depois com o dilúvio (Gênesis 6-8), estragando a criação original “muita boa”.

Quando vamos para o outro extremo da escala de tempo bíblica e analisamos os eventos do fim dos tempos, fica claro que as catástrofes afetando a Terra irão aumentar nos dias finais desta era. Jesus disse a respeito dos tempos anteriores à Sua Segunda Vinda: “haverá grandes terremotos, epidemias e fome em vários lugares, coisas espantosas e também grandes sinais do céu... Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; sobre a terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bramido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos céus serão abalados” (Lucas 21.11,25-26).

Qualquer que seja a verdade sobre o aquecimento global, trata-se de uma questão que tem o potencial de levar o mundo em direção ao governo mundial profetizado em Apocalipse 13. Aquele que apresentar uma solução para esse problema certamente será saudado como salvador que oferecerá “paz e segurança” e será adorado pelo mundo como o novo messias.

Tempestades tropicais que provocam ondas gigantescas e devastam regiões costeiras estão aumentando em ferocidade, algo que muitos cientistas estão relacionando com as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global. Em Isaías 24 há uma passagem apocalíptica que trata da destruição causada por eventos impressionantes nos últimos dias desta era, quando cidades serão devastadas e seus habitantes espalhados: “Na verdade, a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto transgridem as leis, violam os estatutos e quebram a aliança eterna” (Isaías 24.5).

É interessante que Isaías 24.16 também se refere aos “pérfidos” que “tratam mui perfidamente”. Isso estabelece uma relação entre a questão ambiental e os que a utilizam para objetivos pérfidos (isto é, o governo mundial do Anticristo).

As profecias da Bíblia advertem que no futuro haverá um tempo de dificuldades, com intenso calor, vegetação queimada e águas contaminadas, como também violentas tempestades e desastres naturais, trazendo fomes, epidemias e morte: “O primeiro anjo tocou a trombeta, e houve saraiva e fogo de mistura com sangue, e foram atirados à terra. Foi, então, queimada a terça parte da terra, e das árvores, e também toda erva verde. O segundo anjo tocou a trombeta, e uma como que grande montanha ardendo em chamas foi atirada ao mar, cuja terça parte se tornou em sangue, e morreu a terça parte da criação que tinha vida, existente no mar, e foi destruída a terça parte das embarcações. O terceiro anjo tocou a trombeta, e caiu do céu sobre a terça parte dos rios, e sobre as fontes das águas uma grande estrela, ardendo como tocha. O nome da estrela é Absinto; e a terça parte das águas se tornou em absinto, e muitos dos homens morreram por causa dessas águas, porque se tornaram amargosas” (Apocalipse 8.7-11).

Longe de solucionar o problema, o governo mundial anticristão dos tempos finais conduzirá o mundo às margens da destruição. Somente o retorno do Senhor Jesus Cristo salvará a Terra.
O Apocalipse fala de um tempo em que “o quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com fogo...” (Apocalipse 16.8). Depois, “Derramou o sexto a sua taça sobre o grande rio Eufrates, cujas águas secaram...” (Apocalipse 16.12) e “sobrevieram relâmpagos, vozes e trovões, e ocorreu grande terremoto, como nunca houve igual desde que há gente sobre a terra; tal foi o terremoto, forte e grande” (Apocalipse 16.18).

Qualquer que seja a verdade sobre o aquecimento global, trata-se de uma questão que tem o potencial de levar o mundo em direção ao governo mundial profetizado em Apocalipse 13. Aquele que apresentar uma solução para esse problema certamente será saudado como salvador que oferecerá “paz e segurança” e será adorado pelo mundo como o novo messias.

Longe de solucionar o problema, o governo mundial anticristão dos tempos finais conduzirá o mundo às margens da destruição. Somente o retorno do Senhor Jesus Cristo salvará a Terra. Após Sua volta, ela será miraculosamente restaurada e voltará a ser um lugar fértil e belo, capaz de suprir as necessidades dos povos durante o reino milenar de Jesus, quando “...a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11.9). (Tony Pearce, Light for The Last Days - http://www.chamada.com.br)

Friday, March 09, 2007

A violência, o desrespeito e a iniqüidade nas escolas

Se estas crianças e jovens, consegue desrespeitar e agredir de forma acintosa, professores e colegas, imaginem quando ficarem adultos. A falta de respeito e de autoridade leverá este mundo ao caos, até que Jesus Cristo, o Caminho, a verdade e vida, retorne.

Violência nas escolas


O problema se alastra pelo mundo como rastilho de pólvora, mas, no Brasil, embora o governo admita sua existência, ele não é prioritário dentro das políticas educacionais. Iniciativas para combatê-lo, geralmente, partem de entidades como Unesco, pesquisadores e secretarias de educação. O MEC as apóia, mas elas contemplam um número reduzido entre mais de 200 mil estabelecimentos e não há diretrizes para um combate efetivo à violência escolar. As discussões são estéreis e as soluções apontadas abarcam desde munir escolas com modernos aparatos de segurança, até a implementação de projetos que visam à oferta de atividades culturais e esportivas para os alunos, passando pelo treinamento de professores em mediação de conflitos. Todas têm seu lado positivo e devem ser tentadas em conjunto, desde que não se caia em exageros: nem podemos transformar escolas em fortalezas, onde olhos eletrônicos vigiam qualquer movimento, e (no outro extremo) tampouco podemos nutrir a ilusão de que um jogo de bola nos fins de semana demoverá jovens infratores do hábito de portar armas e drogas e ameaçar a integridade física e mental de professores e colegas.
Inadmissível é adiar providências, enquanto se buscam as causas da violência escolar, e nos perdermos em um labirinto de ¨achismos¨. De um lado, muitos crêem que as escolas são autoritárias, sufocam os alunos e favorecem sua agressividade. Outros acham que falta mais disciplina. De que lado você está? Obviamente, há dois problemas em um. O primeiro, segundo especialistas norte-americanos, que têm como marco a tragédia de Columbine, é o fato de as escolas não estarem preparadas para detectar alunos com problemas emocionais graves. O Centro Nacional de Segurança nas Escolas (National School Safety Center NSSC) elaborou até uma lista de características dos ¨alunos-problema¨ que beiram a patologia, para que sejam identificados antes de causarem uma desgraça. Esses casos bárbaros, no entanto, desvelam o segundo problema: um cotidiano de violências em vários graus, com o qual os alunos compactuam ou do qual temem falar.
A Unesco alerta que nas escolas impera a lei do silêncio e não há confiança entre professores, alunos e pais . O instituto de prevenção de violência na escola dos EUA entrevistou alunos e pais e constatou que 2/3 dos alunos participam de grupos que intimidam colegas; só 1/3 acha que a escola penaliza os intimidadores; entre as vítimas, apenas 16% pediriam ajuda a um professor e, entre recorrer aos pais ou a um amigo, 78% escolheriam o amigo. Na Alemanha, pesquisa entre jovens das 7ª e 8ª séries apontava que 60% já tinham batido em colegas nos últimos seis meses; 5% os intimidam regularmente e 8% os ameaçaram com facas e pistolas. Na França, 23,9% dos alunos já foram agredidos; 72,4% sofreram insultos e 45,1% foram roubados. Mas esses percentuais não ¨batem¨ com dados oficiais, como frisou o representante do país em palestra sobre violência escolar na reunião da SBPC de 2004, em Cuiabá. Denúncias não são levadas à polícia: lá como cá, os alunos não crêem que ela vá protegê-los de represálias.
E que ações distintos países vêm promovendo para amenizar o fenômeno que fez do magistério profissão de risco e dividiu alunos em opressores e vítimas? Nos EUA, os estabelecimentos se equipam, contratam seguranças e dois mil deles estão recompensando alunos que informam, via ¨disque-denúncia¨, atividades suspeitas. Na Inglaterra, crianças de dez anos respondem por seus crimes e podem ser expulsas da rede escolar. A Argentina desenvolve um trabalho pioneiro na América Latina, treinando professores para mediar conflitos. No México, implantou-se o programa Contra la violencia, eduquemos para la paz. Por ti, por mí y por todo el mundo . A Unesco propôs o Programa Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz, nascido da observação de experiências nos Estados Unidos, França, Espanha e países onde o trabalho com jovens nas dimensões artísticas, culturais e esportivas funcionou como prevenção à violência. No Brasil, além do reforço de policiamento no entorno, as escolas também devem perder o escrúpulo de adotar medidas de segurança. Além disso, deve ser efetiva a integração famílias/escola, para que esta seja gerida de modo democrático e ofereça aos alunos oportunidades de expressarem seus talentos, não sua crueldade.
MAGO DE AGUIAR MARANHÃO
Presidente da Comissão de Legislação e Normas do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro
A autoridade na escola moderna
Em todas as paisagens humanas deste país e suas respectivas escolas, estão em pauta o debate e as dúvidas sobre a autoridade do professor, da escola e dos pais. Afinal, em tempos atuais, como exercer tal autoridade?
Por longos períodos e até hoje, o senso comum associa a autoridade aos cargos, fardas, posição social e econômica, disposição física etc. E quem os tem pensa estar investido e vestido dessa autoridade, como um fato consumado. Esse tipo de autoridade assemelha-se a um figurino, que se escolhe e in-veste para assumir então as responsabilidades e possibilidades. E em culturas latinas, a autoridade é ainda um meio de desfrutar privilégios.
Nas escolas e com os professores não é diferente. O título e a titulação, bem como os cargos hierárquicos, oferecem a ilusão de autoridade consumada. No entanto, a realidade de indisciplina nas escolas nos últimos dez anos vem, na verdade, consumindo os professores, que não produziram qualidade na educação.
São alvos de agressões, humilhações e violência. E muitos aceitam trocar sua autoridade pela chamada vitimização vestem-se de vítimas. Resultado: todos perdem.
Tudo se confunde; os papéis de vítima mudam de mãos, assim como o exercício da autoridade. Esta se perdeu ou se fragilizou? Será que assumir-se como vítima não é uma forma de aceitar a indiferença como única alternativa ?
O grande equívoco está em como entender e exercer a autoridade neste mundo moderno, no qual professores e escolas têm ainda papel vital no desenvolvimento.
O que dá poder, influência e capacidade de realização a um professor é o reconhecimento que tem do outro; o outro aluno, pais e também seus pares. Ou seja, a minha autoridade está no reconhecimento do outro de minhas possibilidades. Então, não basta ter um cargo, um contracheque (gordo ou magro), ou alçar-se ao tablado. Em tempos de comunicação, há que persuadir, influenciar e convencer os alunos de que você é digno de confiança para ensinar, aprender, interagir e, o mais importante, conviver com eles.
Por isso, o exercício da autoridade requer, daquele que se investe dela, conhecimento e atenção constantes. É trabalhar com os olhos e a vocação voltados para o olhar dos alunos, para sua realidade pedagógica e não para conteúdos, para sua larga experiência de professor, para seu cargo etc.. Exercer autoridade se escondendo atrás das notas, da presença, da punição, enfim, do medo que pode provocar para ter controle é um sintoma de ausência dessa mesma autoridade.
A questão não tem solução fácil e rápida. Passa por planejamento de longo prazo, organização e disciplina do corpo docente, ou seja, da escola.
Hoje, o quadro é grave, porque no passado as propostas se resumiam ou em todos se vestirem de branco pela paz ou em iniciativas isoladas, quixotescas. Autoridade e escola são duas faces da mesma moeda. Há que se iniciar um processo de resgate do sentido e do exercício da autoridade com formação, conscientização do coletivo docente e um bom planejamento.
Deve-se lembrar sempre que a experiência de disciplina que se deseja para as crianças e jovens se conquista com a vivência da disciplina daqueles que os educam.
MÔNICA SYDOW HUMMEL - Educadora e escritora
Diário da Tarde 9/3/2007