Friday, March 09, 2007

A violência, o desrespeito e a iniqüidade nas escolas

Se estas crianças e jovens, consegue desrespeitar e agredir de forma acintosa, professores e colegas, imaginem quando ficarem adultos. A falta de respeito e de autoridade leverá este mundo ao caos, até que Jesus Cristo, o Caminho, a verdade e vida, retorne.

Violência nas escolas


O problema se alastra pelo mundo como rastilho de pólvora, mas, no Brasil, embora o governo admita sua existência, ele não é prioritário dentro das políticas educacionais. Iniciativas para combatê-lo, geralmente, partem de entidades como Unesco, pesquisadores e secretarias de educação. O MEC as apóia, mas elas contemplam um número reduzido entre mais de 200 mil estabelecimentos e não há diretrizes para um combate efetivo à violência escolar. As discussões são estéreis e as soluções apontadas abarcam desde munir escolas com modernos aparatos de segurança, até a implementação de projetos que visam à oferta de atividades culturais e esportivas para os alunos, passando pelo treinamento de professores em mediação de conflitos. Todas têm seu lado positivo e devem ser tentadas em conjunto, desde que não se caia em exageros: nem podemos transformar escolas em fortalezas, onde olhos eletrônicos vigiam qualquer movimento, e (no outro extremo) tampouco podemos nutrir a ilusão de que um jogo de bola nos fins de semana demoverá jovens infratores do hábito de portar armas e drogas e ameaçar a integridade física e mental de professores e colegas.
Inadmissível é adiar providências, enquanto se buscam as causas da violência escolar, e nos perdermos em um labirinto de ¨achismos¨. De um lado, muitos crêem que as escolas são autoritárias, sufocam os alunos e favorecem sua agressividade. Outros acham que falta mais disciplina. De que lado você está? Obviamente, há dois problemas em um. O primeiro, segundo especialistas norte-americanos, que têm como marco a tragédia de Columbine, é o fato de as escolas não estarem preparadas para detectar alunos com problemas emocionais graves. O Centro Nacional de Segurança nas Escolas (National School Safety Center NSSC) elaborou até uma lista de características dos ¨alunos-problema¨ que beiram a patologia, para que sejam identificados antes de causarem uma desgraça. Esses casos bárbaros, no entanto, desvelam o segundo problema: um cotidiano de violências em vários graus, com o qual os alunos compactuam ou do qual temem falar.
A Unesco alerta que nas escolas impera a lei do silêncio e não há confiança entre professores, alunos e pais . O instituto de prevenção de violência na escola dos EUA entrevistou alunos e pais e constatou que 2/3 dos alunos participam de grupos que intimidam colegas; só 1/3 acha que a escola penaliza os intimidadores; entre as vítimas, apenas 16% pediriam ajuda a um professor e, entre recorrer aos pais ou a um amigo, 78% escolheriam o amigo. Na Alemanha, pesquisa entre jovens das 7ª e 8ª séries apontava que 60% já tinham batido em colegas nos últimos seis meses; 5% os intimidam regularmente e 8% os ameaçaram com facas e pistolas. Na França, 23,9% dos alunos já foram agredidos; 72,4% sofreram insultos e 45,1% foram roubados. Mas esses percentuais não ¨batem¨ com dados oficiais, como frisou o representante do país em palestra sobre violência escolar na reunião da SBPC de 2004, em Cuiabá. Denúncias não são levadas à polícia: lá como cá, os alunos não crêem que ela vá protegê-los de represálias.
E que ações distintos países vêm promovendo para amenizar o fenômeno que fez do magistério profissão de risco e dividiu alunos em opressores e vítimas? Nos EUA, os estabelecimentos se equipam, contratam seguranças e dois mil deles estão recompensando alunos que informam, via ¨disque-denúncia¨, atividades suspeitas. Na Inglaterra, crianças de dez anos respondem por seus crimes e podem ser expulsas da rede escolar. A Argentina desenvolve um trabalho pioneiro na América Latina, treinando professores para mediar conflitos. No México, implantou-se o programa Contra la violencia, eduquemos para la paz. Por ti, por mí y por todo el mundo . A Unesco propôs o Programa Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz, nascido da observação de experiências nos Estados Unidos, França, Espanha e países onde o trabalho com jovens nas dimensões artísticas, culturais e esportivas funcionou como prevenção à violência. No Brasil, além do reforço de policiamento no entorno, as escolas também devem perder o escrúpulo de adotar medidas de segurança. Além disso, deve ser efetiva a integração famílias/escola, para que esta seja gerida de modo democrático e ofereça aos alunos oportunidades de expressarem seus talentos, não sua crueldade.
MAGO DE AGUIAR MARANHÃO
Presidente da Comissão de Legislação e Normas do Conselho Estadual de Educação do Rio de Janeiro
A autoridade na escola moderna
Em todas as paisagens humanas deste país e suas respectivas escolas, estão em pauta o debate e as dúvidas sobre a autoridade do professor, da escola e dos pais. Afinal, em tempos atuais, como exercer tal autoridade?
Por longos períodos e até hoje, o senso comum associa a autoridade aos cargos, fardas, posição social e econômica, disposição física etc. E quem os tem pensa estar investido e vestido dessa autoridade, como um fato consumado. Esse tipo de autoridade assemelha-se a um figurino, que se escolhe e in-veste para assumir então as responsabilidades e possibilidades. E em culturas latinas, a autoridade é ainda um meio de desfrutar privilégios.
Nas escolas e com os professores não é diferente. O título e a titulação, bem como os cargos hierárquicos, oferecem a ilusão de autoridade consumada. No entanto, a realidade de indisciplina nas escolas nos últimos dez anos vem, na verdade, consumindo os professores, que não produziram qualidade na educação.
São alvos de agressões, humilhações e violência. E muitos aceitam trocar sua autoridade pela chamada vitimização vestem-se de vítimas. Resultado: todos perdem.
Tudo se confunde; os papéis de vítima mudam de mãos, assim como o exercício da autoridade. Esta se perdeu ou se fragilizou? Será que assumir-se como vítima não é uma forma de aceitar a indiferença como única alternativa ?
O grande equívoco está em como entender e exercer a autoridade neste mundo moderno, no qual professores e escolas têm ainda papel vital no desenvolvimento.
O que dá poder, influência e capacidade de realização a um professor é o reconhecimento que tem do outro; o outro aluno, pais e também seus pares. Ou seja, a minha autoridade está no reconhecimento do outro de minhas possibilidades. Então, não basta ter um cargo, um contracheque (gordo ou magro), ou alçar-se ao tablado. Em tempos de comunicação, há que persuadir, influenciar e convencer os alunos de que você é digno de confiança para ensinar, aprender, interagir e, o mais importante, conviver com eles.
Por isso, o exercício da autoridade requer, daquele que se investe dela, conhecimento e atenção constantes. É trabalhar com os olhos e a vocação voltados para o olhar dos alunos, para sua realidade pedagógica e não para conteúdos, para sua larga experiência de professor, para seu cargo etc.. Exercer autoridade se escondendo atrás das notas, da presença, da punição, enfim, do medo que pode provocar para ter controle é um sintoma de ausência dessa mesma autoridade.
A questão não tem solução fácil e rápida. Passa por planejamento de longo prazo, organização e disciplina do corpo docente, ou seja, da escola.
Hoje, o quadro é grave, porque no passado as propostas se resumiam ou em todos se vestirem de branco pela paz ou em iniciativas isoladas, quixotescas. Autoridade e escola são duas faces da mesma moeda. Há que se iniciar um processo de resgate do sentido e do exercício da autoridade com formação, conscientização do coletivo docente e um bom planejamento.
Deve-se lembrar sempre que a experiência de disciplina que se deseja para as crianças e jovens se conquista com a vivência da disciplina daqueles que os educam.
MÔNICA SYDOW HUMMEL - Educadora e escritora
Diário da Tarde 9/3/2007

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