Iniqüidade, selvageria e futilidade no futebol brasileiro
FELIPE BÄCHTOLD
Uma briga de torcedores da Galoucura e da Máfia Azul terminou com a prisão de 33 pessoas, 17 delas menores. O tumulto ocorreu na noite de domingo, logo depois do jogo em que o Cruzeiro venceu o Tupi, no Mineirão, por 4 a 0. Mais de 50 torcedores transformaram ruas do Bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul da capital, num palco de guerra, causando pânico e desespero em quem passava pelo local. Todos os detidos foram liberados, mas devem responder pelo crime de lesão corporal.
O confronto foi marcado por chutes, socos e muita correria. O alvinegro E.V.S., de 16 anos, do Bairro Milionários, no Barreiro, foi a principal vítima da violência. Na briga, ele perdeu um dente e sofreu cortes na cabeça. Foi encontrado desmaiado por policiais militares e levado para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII (HPS). Depois da alta, foi encaminhado à Delegacia de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad).
Testemunhas informaram que a briga teve início perto da sede do Cruzeiro, na Rua Araguari, quando um grupo da Galoucura tentou incendiar uma bandeira da Máfia Azul. Houve pancadaria e os atleticanos, em menor número, fugiram em direção à sede da Cemig, na Avenida Barbacena. Seis deles se esconderam na portaria do Hospital Mater Dei, na Rua Gonçalves Dias. Funcionários do hospital, temendo confronto no interior do prédio, chamaram a Polícia Militar, que retirou o grupo. Vários carros da PM perseguiram outros torcedores.
Foi necessário um microônibus do Batalhão de Operações Especiais para transportar os detidos à Dopcad. O tenente Oswaldo Nunes, da 5ª Companhia, disse ter ficado espantado com a briga entre torcedores, pois o Atlético não jogou domingo. Ele não descarta a possibilidade de alguns torcedores alvinegros terem saído de casa para promover a pancadaria. “Um dos rapazes disse que a Galoucura havia marcado uma reunião para domingo”, explicou, desconfiado das palavras do atleticano.
O diretor do Conselho Administrativo da Galoucura, William Palumbo, confirma a desconfiança: “Não marcamos nenhuma reunião. A briga pode ter ocorrido em razão de bailes funk no Barro Preto. Vamos apurar a participação dos atleticanos. Caso algum integrante da equipe esteja envolvido, pode ser expulso, pois somos contra a violência”, salientou. Nenhum diretor da Mafia Azul foi localizado.
O tenente alerta que, domingo próximo, haverá o primeiro jogo da final do Campeonato Mineiro, entre Atlético e Cruzeiro, e a PM estará de olho nos torcedores que se envolverem em confusões. “A juventude está muito rebelde. Chegou a hora de a gente se conscientizar pela paz. Estou preocupado, porque nessa e na semana que vem teremos o clássico”, reforçou.

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