Thursday, June 14, 2007

Um giro pelo tumultuado Oriente Médio


LÍBANO - Velhas feridas Reabertas

Atentado mata deputado, seu filho e mais oito pessoas em BeiruteUm atentado matou ontem o deputado anti-Síria Walid Eido, seu filho e outras oito pessoas. Aliados de Eido, de 64 anos, acusaram a Síria de ser responsável pela morte do parlamentar. Nenhum grupo assumiu a autoria do ataque. Um carro-bomba, com cerca de 80 quilos de explosivos, foi detonado no momento em que o carro de Eido saía de um clube no bairro de Manara, perto da orla da cidade. A força da explosão lançou o corpo de Eido e de seu filho até um campo de futebol próximo ao local. Além dos dois, morreram dois guarda-costas e seis pessoas que estavam no local no momento da explosão. Onze pessoas ficaram feridas no atentado. O deputado libanês pertencia à coalizão Março 14, de Saad Hariri, filho do ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, assassinado em fevereiro de 2005. Eido apoiou a criação, anunciada há três dias, de um tribunal internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) para julgar o assassinato de Hariri.
A morte do deputado deve aumentar a disputa entre políticos pró-Ocidente e pró-Síria, país que ainda tem influência na política libanesa. A Síria controlou o Líbano durante 29 anos, sendo forçada a retirar suas tropas após a morte de Hariri. Os sírios são acusados de apoiar o grupo radical libanês Hezbollah. Desde a morte do ex-primeiro-ministro, sete políticos e jornalistas libaneses anti-Síria foram assassinados. ¨São os mesmo dedos que assassinaram o primeiro-ministro Rafic Hariri... os dedos do mal e dos agentes do mal que plantam o terror no Líbano¨, disse Saad Hariri após a morte de Eido. O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, convocou uma reunião de emergência de seu gabinete. ¨O Líbano e os libaneses não se submeterão ao terrorismo¨, afirmou.
Siniora disse que o governo pedirá à comissão da ONU que participa do inquérito da morte de Hariri que ajude nas investigações do atentado de ontem. O Líbano declarou dia de luto nacional hoje, quando Eido será enterrado. Na bairro de Aisha Bakkar, onde Eido morava, alguns partidários queimaram pneus e bloquearam ruas. ¨A Síria quer nos pegar¨, gritavam. A polícia libanesa teve de intervir para que o protesto não saísse de controle. O presidente libanês, Emile Lahoud, e o líder do Parlamento, Nabih Berri, partidários da Síria, condenaram o atentado.
EXTERIOR
EUA, França, Inglaterra e União Européia condenaram o assassinato de Eido. ¨Apoiamos a população libanesa e o governo do primeiro-ministro Siniora no combate a extremistas que tentam desestabilizar a marcha do Líbano para a paz, prosperidade e democracia ¨, disse Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca. O chanceler francês, Bernard Kouchner, afirmou que seu país se mantém ao lado do Líbano ¨frente às repetidas tentativas de desestabilização¨.
Abbas dissolve gabinete e Hamas controla Faixa de Gaza
AFP

GAZA - O presidente palestino, Mahmud Abbas, decidiu dissolver nesta quinta-feira o governo dominado pelo Hamas e proclamar o estado de emergência, no momento em que o grupo islâmico afirma controlar a Faixa de Gaza, após sangrentos combates.
O braço armado do Hamas anunciou na noite desta quinta-feira ter assumido o controle de todos os quartéis-generais da Autoridade Palestina na Faixa de Gaza, inclusive dos escritórios do presidente Mahmud Abbas."Todos os quartéis-generais dos serviços de segurança da Faixa de Gaza estão sob o controle das Brigadas Ezzedin al-Qassam, assim como a "mountada", o complexo da presidência palestina na cidade de Gaza, afirmou o porta-voz do grupo, Abu Obeida.
A decisão de Abbas de dissolver o governo foi anunciada pelo secretário-geral da presidência, Tayeb Abdelrahim, direto da Muqataa, o QG da Autoridade Palestina em Ramallah, na Cisjordânia.
Abbas decidiu "destituir o primeiro-ministro Ismail Haniyeh", do Hamas, e optou pela "instauração do estado de emergência no conjunto de territórios da Autoridade Palestina"."O estado de urgência foi instaurado nos territórios da Autoridade Palestina, em razão da guerra criminosa em curso na Faixa de Gaza, da tomada dos quartéis-generais dos serviços de segurança da Autoridade, do golpe militar e da rebelião armada das milícias fora-da-lei", acrescentou.
O presidente Abbas também decidiu organizar eleições antecipadas, "assim que a situação o permitir", e formar um gabinete de crise.Haniyeh reagiu afirmando que Abbas "adotou decisões precipitadas, que traem todos os acordos firmados", e destacou que o Hamas não tem a intenção de declarar "um Estado" na Faixa de Gaza."
A Faixa de Gaza é parte indissociável da pátria e seus habitantes constituem uma parte indissociável do povo palestino. Não faremos um Estado somente na Faixa de Gaza, pois o Estado é um conjunto que não pode ser dividido", afirmou Haniyeh, após o Hamas declarar que assumiu o controle de toda a região.
Os Estados Unidos reagiram rápido, e a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, garantiu "apoiar plenamente" as decisões de Abbas.Antes disso, ativistas fortemente armados do Hamas tinham tomado um complexo-chave da Segurança Preventiva em Gaza, um segundo quartel-general de segurança em Rafah (sul) e dois serviços de inteligência em Gaza e Beit Lahya (norte).
No final do dia, o Hamas informou ter assumido o controle do mais importante QG da Segurança Nacional, na Cidade de Gaza. Se for confirmada por uma fonte independente, a queda deste QG selará a derrocada total das forças fiéis a Abbas.
Confrontos também explodiram ao redor da sede do governo palestino, segundo testemunhas, enquanto que o Hamas garantiu que responsáveis da presidência estavam fugindo a bordo de barcos.Nesta quinta-feira, 30 palestinos morreram, elevando para 113 o número de mortos desde o início dos últimos enfrentamentos, em 7 de junho.
A televisão do Hamas mostrou membros da Segurança Preventiva deixando o edifício com as mãos para o alto, alguns apenas com roupas íntimas, sob o olhar dos combatentes islâmicos.O Hamas anunciou ainda ter matado, em Gaza, um dos chefes militares do Fatah, Samih Al-Madhune.
Os islâmicos também detonaram um estúdio da rádio oficial Voz da Palestina. Outras duas rádios ligadas ao Fatah também pararam de transmitir, e fios de alta tensão foram danificados, causando cortes de energia na Cidade de Gaza.
Para o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, os palestinos assistem "a uma segunda libertação da Faixa de Gaza, (com o Hamas) livrando-a das hordas de traidores, depois de tê-la livrado dos colonos judeus", em referência à retirada israelense no verão de 2005.
A Casa Branca expressou sua "profunda preocupação" com a violência, enquanto a Comissão Européia pediu uma "trégua humanitária". O conflito também já ganhava a Cisjordânia.No meio do caos, os ativistas do Fatah saquearam quatro escritórios do Hamas em Nablus e queimaram a sede dos deputados islâmicos da cidade.
Além disso, dezenas de ativistas do Hamas foram detidos pelos serviços leais ao Fatah em diferentes cidades da Cisjordânia.
Três mesquitas sunitas são atacadas; Bush pede calma a iraquianos
da Folha Online

Ao tentar acalmar a violência sectária no Iraque após atentados contra alvos sunitas, em represália ao bombardeio de uma mesquita xiita, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu nesta quinta-feira que os iraquianos "rejeitem provocações".

Bush fez o pedido depois que três mesquitas sunitas foram atacadas e queimadas nesta quinta-feira no sul de Bagdá, em uma aparente represália à explosão de duas cúpulas da Mesquita Dourada, importante mausoléu xiita em Samarra, ocorrida ontem.

Segundo Bush, o bombardeio ocorrido em Samarra teve "todas as marcas de um ataque da rede terrorista Al Qaeda". "Esses assassinos esperam que ataques como este criem confusão e caos suficientes para que nós abandonemos essa nova democracia", disse Bush. "Eu convido os iraquianos a rejeitarem essa provocação".

Um ataque contra a mesma mesquita, ocorrido em fevereiro de 2006, ocasionou uma onda de violência sectária que matou dezenas de milhares de pessoas. O premiê iraquiano, Nouri al Maliki, enviou soldados extras para Samarra, de acordo com o Exército americano.

Bush insistiu mais uma vez que ainda é muito cedo para julgar os resultados de uma tomada de posição das tropas americanas em Bagdá, e disse que o verão poderá ser um "período crítico."

Com a guerra impopular reduzindo sua aprovação pública e enfrentando uma oposição crescente no Congresso, Bush está sob pressão crescente para mostrar progressos no Iraque.

No entanto, o presidente dos EUA, advertiu mais uma vez que ainda há uma longa estrada pela frente. "Nós podemos esperar lutas difíceis nas próximas semanas. Podemos esperar mais vítimas, tanto americanas como iraquianas", afirmou.

Ataques

De acordo com a polícia, homens armados atacaram as mesquitas de Al Mustafa e Huteen em Iskandariya, ao sul de Bagdá, onde a Grande Mesquita Sunita foi destruída nesta quarta-feira. A mesquita de Al Bashir, em Mahaweel, também foi atacada nesta quinta-feira.

Segundo a polícia, uma mulher e uma criança ficaram feridos no ataque.

Apesar do toque de recolher, milhares de partidários do clérigo radical xiita Muqtada al Sadr foram às ruas da Cidade de Sadr, no subúrbio de Bagdá, para protestar contra o ataque em Samarra. Manifestações também ocorreram em Najaf e Basra, no sul do país.

"Fora invasores", gritavam os manifestantes em Bagdá, em referência aos EUA. Al Sadr defende que o governo iraquiano estipule um cronograma para a saída americana no país.

Operação

Comandantes americanos afirmaram que as tropas serão reforçadas nesta sexta-feira, como parte de uma ampla operação de segurança em Bagdá.

Cerca de 28 mil soldados extras serão enviados à capital. A operação foi lançada em fevereiro, e visa conter a crescente violência sectária no Iraque.

As baixas americanas aumentaram durante a operação. Um total de 126 soldados morreram em maio, o maior número de mortes em um mês desde a invasão do Iraque, em 2003.
Com Reuters

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