Boletim da iniqüidade:Cachorro ataca e mata criança
Cachorro ataca e mata criança
Animal arrancou neto, de quatro meses de idade, do colo da avó, em Ipatinga. No ano passado, foram mil acidentes em MG
Junia Oliveira
Um bebê de quatro meses foi atacado e morto por um pit bull, ontem, em Ipatinga, no Vale do Aço, a 209 quilômetros de Belo Horizonte. João Gabriel Heringer Sad estava no colo da avó e teve a cabeça esfacelada pelo cão, de dois anos e meio, que pertencia à família. Acionados para atender uma ocorrência de ataque de animal, em uma casa no Bairro Cariru, os Bombeiros encontraram a avó da criança, Maria da Conceição Rocha Sad, de 53 anos, encurralada na área de serviço e tentando, desesperada, se livrar do animal. “Não conseguimos passar da cozinha porque o cão estava muito agressivo. Chamamos a Polícia Militar, pois ele estava em cima da senhora”, contou o capitão Valdeck Rodrigues.
Animal arrancou neto, de quatro meses de idade, do colo da avó, em Ipatinga. No ano passado, foram mil acidentes em MG
Junia Oliveira
Um bebê de quatro meses foi atacado e morto por um pit bull, ontem, em Ipatinga, no Vale do Aço, a 209 quilômetros de Belo Horizonte. João Gabriel Heringer Sad estava no colo da avó e teve a cabeça esfacelada pelo cão, de dois anos e meio, que pertencia à família. Acionados para atender uma ocorrência de ataque de animal, em uma casa no Bairro Cariru, os Bombeiros encontraram a avó da criança, Maria da Conceição Rocha Sad, de 53 anos, encurralada na área de serviço e tentando, desesperada, se livrar do animal. “Não conseguimos passar da cozinha porque o cão estava muito agressivo. Chamamos a Polícia Militar, pois ele estava em cima da senhora”, contou o capitão Valdeck Rodrigues.
Lairto Martins/Jornal Vale do Aço
Extremamente agressivo, cão mordeu a cabeça de João Gabriel e foi abatido a tiros pela Polícia MilitarNo momento em que o cão subiu em uma das janelas, um policial atirou várias vezes e o matou. De acordo com policiais do 14º Batalhão de Ipatinga, os donos do pit bull decidiram soltá-lo para que se acostumasse com a nova empregada. Maria da Conceição estava com o neto no colo, na varanda, quando foi surpreendida pela reação do animal. Ela tentou puxar a criança e acabou sendo mordida. Maria da Conceição foi levada para o Hospital de Pronto-Socorro Márcio Cunha, com ferimentos no rosto. Ficou em observação, sendo liberada ontem mesmo. O pai de João Gabriel viajava para São Paulo e a mãe estava trabalhando.
O corpo do bebê foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Ipatinga. A avó, em estado de choque, não conseguiu falar nem mesmo com a polícia ou com o Corpo de Bombeiros. O avô do menino, Flávio Sad, estava muito abalado e não quis comentar a tragédia. Até o fim da noite de ontem, a família esperava a liberação do corpo para decidir sobre o enterro. “Em 15 anos de profissão, nunca vi um ataque de cão tão violento como esse”, disse o capitão Valdeck.
DECRETO
Os proprietários das raças pit bull, doberman, rotwailler e outras de porte físico semelhantes devem registrar seus animais, com mais de 120 dias de idade, nos órgãos credenciados pelo governo estadual. O Decreto 44.417/06 obriga os donos a uma série de medidas. O artigo quinto diz que “é proibida a adoção, procriação e entrada de cães pit bull no estado, sujeitando-se os estabelecimentos infratores à cassação de alvará de funcionamento, nos termos da legislação aplicável”.
O decreto obriga, ainda, os proprietários a usarem, nos cães, equipamentos de contenção quando o animal estiver em via pública. Até na casa do dono é obrigatória a instalação de placa de advertência. Dados dos bombeiros informam que, em 2005, foram registrados, 857 casos de ataques envolvendo animais. No ano passado, foram quase 1.000, sendo 99% provocados por cães e, desses, 60% por pit bulls. Os dados dos primeiros meses de 2007 ainda não foram fechados.
De acordo com o coronel Cláudio Teixeira, comandante Operacional do Corpo de Bombeiros, os militares estão capturando, em média, 10 pit bulls por dia na Grande BH. “Outro problema é que determinados municípios não têm serviço de zoonose, então, temos de levá-los para a cidade vizinha, que nem sempre aceita o ônus”, relatou.
Reflexão
Lamentavelmente, a sociedade contemporânea tem tornado os fatos que deveriam ser exceção em regra do cotidiano. Mais uma vida se perde por motivo fútil, como várias outras que se perderam por negligência, imperícia ou imprudência. Mais uma vida foi ceifada pela ação agressiva de um cão pit bull. Desta vez, uma criança de apenas quatro meses de idade, que nem mesmo possuía a capacidade de se defender.
Lamentavelmente, a sociedade contemporânea tem tornado os fatos que deveriam ser exceção em regra do cotidiano. Mais uma vida se perde por motivo fútil, como várias outras que se perderam por negligência, imperícia ou imprudência. Mais uma vida foi ceifada pela ação agressiva de um cão pit bull. Desta vez, uma criança de apenas quatro meses de idade, que nem mesmo possuía a capacidade de se defender.
Sempre que fatos trágicos ocorrem, buscam-se as mais distintas e variadas explicações para justificá-los. Assim, ocorre nos acidentes de trabalho, nos acidentes de trânsito, nos desabamentos, nas enchentes e em todos os outros cenários de desastres ou que registrem fatalidade.
Nestes momentos, questionamentos são formulados para entender o fenômeno. Por que cria-se pit bull? Por que não são respeitadas as normas de segurança do trabalho? Por que não são respeitadas as regras de trânsito? Por que as pessoas constróem suas casas debaixo de encostas ou nas margens dos cursos d'água?
A resposta está no comportamento humano. É a ação ou omissão do homem que tem produzido este efeito nefasto na sociedade moderna. Há um profundo desrespeito com relação aos princípios básicos de convivência social e um perigoso sentimento de desvalorização da vida.
Cada vez mais me convenço que a paz será alcançada quando mudarmos o comportamento humano e realmente valorizarmos a vida como maior patrimônio que o homem pode ter. Coronel Cláudio Vinício Serra Teixeira, comandante operacional de Bombeiros.
