O Saneamento do Reino
O Saneamento do Reino
Um típico exemplo de autoritarismo religioso é o empenho para livrar o mundo de sua oposição… Nas mentes de muitos desses dominionistas carismáticos, a autoridade dos apóstolos e profetas não pode ser questionada por pessoa alguma, quer seja amigo ou inimigo. Sua disposição de governar no Reino de Deus deve ficar isenta de dissidentes, a fim de que a nova unidade não seja interrompida. Desse modo, torna-se necessário que aqueles que desafiam os seus ensinos e autoridade sejam removidos. Claro que muitos têm sido rotulados de anticristos ou de cometer a blasfêmia contra o Espírito Santo. Paulk comenta sobre o não reconhecimento do que está acontecendo: “Portanto, o espírito do anticristo se recusa a reconhecer que DEUS ESTÁ AQUI EM CARNE” (Earl Paulk, The Wounded Body of Christ). Paulk quer dizer com isso que se trata do corpo de Cristo. Contudo, a Bíblia diz que Ele (Jesus) veio em carne e não que Ele esteja aqui, agora, em carne. Sim, Deus habita em Seu povo como Igreja, corporativa e individualmente, porém não somos o Cristo encarnado. O corpo encarnado de Cristo foi levado ao céu e o evento de Sua encarnação não deve ser repetido. Chamar de anticristo quem não aceita suas teorias é quase acusar a Igreja, em toda a sua história, de ser ignorante. Ou Paulk entende de modo errado a significação da encarnação, ou então ele está mudando, de propósito, sua significação.
Basicamente, o espírito do anticristo é o de alguém que se opõe à pessoa de Cristo, negando que Ele veio em carne (1 João 4:3). Mudar a encarnação de Cristo para se tornar o Seu corpo coletivo poderia aproximar-se mais da admoestação bíblica de ter o espírito do anticristo; isso porque o ato de negar que somente Ele veio em carne é o mesmo que negar a Sua exclusiva encarnação. O objetivo de João é fazer com que os crentes possam discernir aqueles que se opõem às doutrinas dos apóstolos sobre o exclusivo nascimento virginal do Salvador, cujo significado é Deus [em Cristo] vindo do céu para o homem. Tanto Hinn como Copeland acreditam que [o termo] anticristo significa anti-unção: “O diabo é o único aqui a combater o que é ungido”. Traduzido nos seus termos, quem for contra eles, será um anticristo (pois eles dizem: não toquem nos ungidos de Deus). Isso porque eles falam certas coisas, tais como serem pequenos messias, ungidos exatamente como Jesus. Eles estão convencidos de que sua missão provém de Deus. Contudo, Deus pode colocar no coração de alguns que cumpram os Seus propósitos, embora eles não estejam de modo algum agindo em prol do Seu Reino. Ele faz isso com o exército de Joel e o fará com o quarto reino, no final dos tempos.
Uma das áreas mais típicas dessa “coisa nova” é SANEAR A TERRA dos indesejáveis. Este é o objetivo do Movimento Nova Era, no sentido de primeiro mudar a Igreja, para trazer paz e unidade à humanidade, sem a presença física do Príncipe da Paz. A Nova Era sabe que a Igreja ortodoxa é contra o exercício do governo mundial pelos apóstolos (mestres ascendidos). Não é uma coincidência que esses novos profetas e apóstolos digam exatamente a mesma coisa? Os que não se encaixarem nos moldes do Ministério Quíntuplo, deixando de obedecer ao novo governo que vai ser instalado pelos “novos” profetas e apóstolos, serão retirados do caminho.
O saneamento [a ser executado] pela Nova Era deve cair sobre os que se recusarem a receber a iniciação da luz de Lúcifer, a qual é experimentada quando alguém chega à conclusão de que todas as coisas são UMA. Isso vai trazer um período de crise, quando a Terra será saneada da presença dos que não aceitarem essa unidade. O saneamento da Igreja pode também envolver a nova unção e os líderes que não a aceitarem.
Franklin Hall, precursor e promotor do Latter Rain, nos anos 1940, declarou: “Do grupo infante dos filhos de Deus será exigido que ´governe as nações com vara de ferro´ (Apocalipse 12:5). Para os que não aceitarem esse convite da luz de fogo do Espírito Santo, existe apenas uma alternativa: o oposto da luz são as TREVAS. A luz da vida será para eles um fogo que cega e consome com a destruição.” (Franklin Hall, Subdue The Earth, Rule the Nations”, Franklin Hall Ministries, 1966, p. 57).
“Existem diferenças de opinião entre os dominionistas sobre como os dissidentes deverão ser removidos, mas existem cinco meios essenciais, através dos quais isso poderá acontecer: 1. - Deus vai matar sobrenaturalmente os que se opuserem aos Seus apóstolos e profetas; 2. - Deus enviará, ou permitirá, que forças satânicas enviem pragas contra os dissidentes; 3. - a Igreja (ou determinados “vencedores”) pronunciarão o julgamento divino sobre os dissidentes, fazendo, desse modo, com que Deus os destrua; 4. - A Igreja usará, em caso de necessidade, a força física, pela qual julgará, sentenciará e executará o julgamento (inclusive a morte) dos dissidentes; 5. - Toda ou qualquer combinação dos itens acima pode acontecer”. (Al Dager, Vengeance is Ours, pp. 96-97). [N.T. - Se não formos arrebatados, irmãos bíblicos fundamentalistas, seremos todos exterminados pelos “santos” apóstolos da “coisa nova”. Isso é voltar ao Catolicismo da Era das Trevas, ou coisa pior - MS].
Alguém consegue se lembrar do fiasco ocorrido em 09/06/1994, quando Hinkley pronunciou na TBN, claramente, a profecia do Reino, a qual dizia: “O mal será varrido da terra”? O Reino deveria chegar porque o mal seria varrido da Terra. Pois a mesma coisa tem sido ouvida, sempre e sempre, nos dias de hoje.
Outros parecem ter recebido a mesma mensagem, naquele tempo: “É tempo de julgamento e purificação. Isso deve ser feito para que a minha Igreja fique preparada... Essa purificação vai remover o mal do mundo inteiro e ativar o reavivamento espiritual, com milhões de pessoas afluindo à Igreja” (Don Hackman, The Evangelist). Muitos outros, tais como David Griffs, Diretor da JOCUM no Colorado, tiveram uma visão na qual ouviram o Senhor falar. Ele viu um quadro mental com a data “09/06”. Ele disse: “Eu vi essa data em minha mente”, tendo então descrito o que seria um grande desastre ou até mesmo uma tribulação. Sua esposa Teri usou um chumaço de lã [velo], para verificar se a data estava correta e ouviu que 09/06 realmente estava certa. (Citado na Discernment News Letter). Os que estão buscando esse tipo de cenário parecem ouvir muito frequentemente tudo que é contrário aos ensinos da Escritura. Não apenas a data estava incorreta, mas o conteúdo é totalmente antibíblico no que se refere à vinda de Cristo. [N.T. - Com a mania que esses grupos têm de transformar a Igreja na Nova Israel de Deus, assimilando tudo que é exclusivo a Israel, não é de estranhar tanta confusão bíblica - MS). É raro que eles acertem alguma coisa entre eles mesmos e assim as coisas vão prosseguindo dentro da Terceira Onda, com proporções cada vez mais alarmantes.
Esse tipo de erro acontece frequentemente, sempre que alguém usa o método de espiritualização na interpretação da profecia, em vez de sua literal significação dentro do contexto. Por isso eles podem dizer que a virgem (a Igreja) está novamente grávida: “A Igreja Virgem está com dores de parto (Apocalipse 12:1-2)... Pois eu lhes digo, mais uma vez, que a virgem está grávida. Antes do próprio Jesus regressar, a última Igreja virgem vai ficar grávida com a promessa de Deus. Desse trabalho de parto, o Corpo de Cristo sairá elevado ao completo status de Sua cabeça, o Senhor Jesus. Corporativamente manifestada em santidade, poder e amor, a Noiva de Cristo se levantará” (Francis Frangipane, “In The Presence of God”, 1994, Capítulo: A Virgem Grávida”, pp. 153-157). Conquanto ele possa estar pensando o melhor para a Igreja, eu diria que a Bíblia deixa claro que ele está indo um pouco à frente de Cristo. Em vez de uma interpretação literal da profecia, encontramos aqui a Teologia da Substituição [de Agostinho de Hipona], algumas vezes misturada com os ensinos dos Manifestos Filhos de Deus. As profecias destinadas ao futuro da nação de Israel são erroneamente aplicadas à Igreja. Espiritualizar passagens, em vez de buscar a sua significação literal, como tem acontecido, pode deixar a significação a cargo do manipulador.
Um exemplo disso é o dos ossos secos, que voltam à vida, em Ezequiel 37:1-11. Eles [os carismáticos] atribuem essa profecia à restauração da Igreja, saindo da Babilônia (o denominacionalismo que separa), para uma unidade perfeita (ensino de William Branham). Finalmente, todos os crentes terão a mesma mente e os mesmos objetivos, sob o governo dos apóstolos e profetas, na Era do Reino.
Outros estão também falando de uma “ação de saneamento”. Eis uma profecia de Glen Foster [como se ele estivesse começando com “Assim diz o Senhor]: “Tenho estado a purificar a Igreja. E estou pronto a purificar também as nações... O fogo cairá primeiro sobre o sacrifício do altar, que é a minha Igreja. Depois ele vai cair sobre os falsos profetas, isto é, o governo e a liderança do mundo, os quais governam com crueldade, segundo a sua própria sabedoria. Este é um dia especial - o tempo aceitável... Eis que os meus Jeús estão prontos para receber uma nova unção. Jeú vai substituir o governo de Acabe e Jezabel... Existe uma palavra profética nos lábios dos Elias deste tempo, os quais vão atirar a carne de Jezabel aos cães.” (Fields of Honey, mensagem profética falada por Glen Foster, em 11/07/1994, citada na Discernment News Letter). [N.T. - Lembremo-nos do que Jesus falou em Lucas 16:16. Esses profetas de araque se valem do VT, a fim de inventar tantas maluquices, conseguindo levar milhões de pessoas à operação do erro - MS].
Primeiro, precisamos entender que essa profecia aplica a tipologia do VT à Igreja, o que o Novo Testamento não faz. Não somos o altar. Não existem Jeús nem muitos Elias agora, conforme esse homem está profetizando pelo seu próprio espírito, uma vez que a sua tendência teológica trai a influência do seu ensino. Claro que, para aqueles treinados em espiritualizar a Escritura desse modo, isso até pode fazer sentido. Quando existe uma proposta gnóstica para entender o escrito sagrado, então fica justificado que se usem os personagens do VT, aplicando-os a todos os tipos de indivíduos e movimentos de hoje. Em parte nenhuma vamos encontrar um apóstolo [de Cristo] dizendo que outro apóstolo, ou um membro da Igreja primitiva, é igual a Moisés ou que ele tenha o espírito de Zacarias ou de muitos Elias. Certamente podemos usar o exemplo de Elias, mas nunca da maneira como o tal profeta está usando.
Esse tipo de ensino certamente precisa ser contestado, embora aqueles que pedem uma referência bíblica para tal posição sejam logo minimizados e julgados indignos.
Um espírito de julgamento é visto exatamente pelos que nos proíbem de julgá-los, os quais logo se voltam contra nós e nos acusam de ter o espírito do anticristo ou de cometer blasfêmia contra o Espírito Santo, quando lhes contestamos os falsos ensinos. Os promotores da “coisa nova”, como Benny Hinn, Kenneth Copeland e outros, sentem-se ameaçados pelos que aconselham as pessoas a pesquisarem os seus ensinos. Eles colocam nas pessoas o medo [e um complexo de culpa] quando estas se colocam contra as curas e a unção de Deus, falando o contrário do que eles pregam.
Kenneth Copeland faz a seguinte admoestação: “Qualquer dia desses, você pode estar falando com alguém, indagando como as coisas aconteceram no domingo e ela poderá responder: ‘Foi tudo ótimo! A glória de Deus foi tão grande que 16 paralíticos foram curados; Deus abriu os ouvidos de 30 pessoas surdas; curou sete casos de câncer e matou o irmão Bigmouth [Pimentel] e a irmã Strife [Schultze]´”. (Voice of Victory, outubro 1994). Quando Pedro tratou o caso de Ananias e Safira, ele não tinha essa intenção. Houve uma imediata instrução e castigo do Senhor sobre duas pessoas que haviam se comprometido, mas mentiram.
Rodney Howard-Browne: “Eu lhes digo, agora mesmo, (e fazendo uma voz roufenha) ´vocês vão cair mortos, se proibirem o que Deus está fazendo!´” Ele gesticula dramaticamente em direção à multidão, admoestando os que, como eu, ousam duvidar que proceda de Deus o que ele está fazendo, e assim cometendo o pecado imperdoável, o qual não será perdoado neste mundo nem no outro. (Rodney Howard-Browne, Melodyland Christian Center, Anaheim, CA, do Counterfeit Revival de Hank Hanegraaf, 1997, p. 22).
Benny Hinn declara: “Amaldiçôo todo homem e mulher que estender a sua mão contra esta unção. Amaldiçôo todo homem que ousar dizer uma palavra contra este ministério.” (TBN, 13/09/1999). Estes julgamentos não são pronunciados para que a Igreja se arrependa e volte ao primeiro amor, mas contra os que falam pessoalmente sobre a “coisa nova” e o seu ministério. Obviamente, esses homens se sentem ameaçados pelos que denunciam os seus falsos ensinos. Será que Deus se preocupa com a mão de alguém se voltando contra um desses “ungidos”? Isso é ridículo! Será que algum dos verdadeiros apóstolos ameaçou alguém desse modo? Deveríamos considerar a declaração de Tiago e João, querendo invocar fogo do céu contra os samaritanos: “Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez?” E o que o Senhor Jesus lhes respondeu: “Vós não sabeis de que espírito sois”. (Lucas 9:54,55).
O próprio Jesus é quem há de vir purificar a Terra [sanear] (varrer todos os inimigos, quando Ele voltar). A Igreja não ajuda, mas vem com Ele, cujo manto está salpicado do sangue dos inimigos de Deus. O Senhor declara na escritura: “Minha é a vingança”, não da Igreja. Atacar o caráter das pessoas e rotulá-las, sem qualquer respaldo bíblico, não é a maneira que Deus quer que seja usada! Autodenominar-se profeta e desconsiderar as dúvidas das pessoas, ameaçando-as, não é certamente uma demonstração de possuir unção divina. Esses “ungidos” parecem esquecer que a Igreja, desde o princípio, colocava em questão os ensinos de certas pessoas e tratava drasticamente com elas, caso fosse necessário. O falso ensino não afeta apenas individualmente, mas como pulula no rádio, na TV, nos livros [e na Internet], afetando milhões de pessoas, ele precisa ser denunciado de maneira nova e a Internet é exatamente uma das muitas vantagens.
Recuperando o que o inimigo roubou
A teologia dominionista do Latter Rain (Reino Agora) está conectada ao Reconstrucionismo, o qual rejeita a visão pré-milenista da história e da escatologia, promovendo a visão pós-milenista. O pré-milenismo ensina que Cristo voltará fisicamente à Terra, numa Segunda Vinda, antes do Milênio. O Reconstrucionismo ensina que Cristo não voltará fisicamente à Terra numa Segunda Vinda, até que se tenha cumprido o Milênio na Terra, a cargo da Igreja. O Movimento Pentecostal Latter Rain adotou esta posição, indo ao extremo de afirmar que a Igreja superdotada vai governar a Terra durante o Milênio através dos apóstolos e profetas, sem a presença física de Cristo.
O Dispensacionalismo tem mantido sempre uma clara distincao entre a Igreja e Israel após a ascensão de Cristo. Sem essa distinção, as diferenças entre a Igreja e Israel ficam totalmente obscurecidas e a escatologia da pessoa é afetada. O “Reino Agora” acredita que desde a ascensão de Jesus Cristo, Ele reina como Rei no céu, enquanto a Igreja está reinando na Terra, marchando em frente, derrotando os seus inimigos, expandindo o Reino de Deus, até o final do Milênio, quando então acontecerá a Segunda Vinda de Cristo. [N.T. - Considerando que a Igreja é militante e só será triunfante na volta do Senhor, esses pentecostais são mesmo uns alienados da verdade escatológica]. “Estamos em vias de derrubar as ímpias fortalezas deste mundo, a fim de erguer as instituições piedosas em seu lugar” (Tom Rose, Christ’s Kingdom: How Shall We Build?”, Jornal Christian Reconstruction, Verão 1981, citado por Dave Hunt em “What Ever Happened to Heaven?”). O autor reconstrucionista George Grant escreve: “O exército de Deus vai conquistar a terra, vai subjugá-la, governá-la e sobre ela vai exercer o domínio. Os cristãos são convocados à guerra e é uma guerra que esperamos vencer”. (George Grant, Bringing in the Sheaves - American Vision Press, 1985, p. 98). David Chilton acredita que “Nosso objetivo é o domínio mundial sob o senhorio de Cristo, é tomar posse do mundo, se quisermos”. Garry North escreve “Deus deseja que os cristãos controlem a terra em lugar Dele”. O Y2K [O Caos do Ano 2000] ter-se-ia encaixado perfeitamente neste plano (North é um dos principais promotores desse desastre final), se ele tivesse transpirado, como tantos pensavam que ia acontecer, contudo ele se tornou a maior decepção para os que desejavam a chance de reconstruir as coisas, urgentemente.
A premissa do Reconstrucionismo atual (Teologia do Reino), do mesmo modo do seu antecessor, é recuperar o que o homem perdeu na Terra, quando Adão e Eva caíram na tentação de Satanás, no Jardim do Éden. O domínio do homem terminou e Deus perdeu o controle da Terra. Esta foi entregue a Satanás, a partir desse tempo. Deus tem procurado um “povo da aliança”, o qual venha a se tornar a Sua “extensão” ou “expressão” na Terra, podendo reaver a Terra do controle de Satanás (segundo os reconstrucionistas crêem).
Esta é também uma parte importante do Movimento Palavra da Fé. Conforme Fred Price declara: “Mas Deus precisa receber permissão para agir neste reino terreno em favor do homem. Vocês estão no controle. Ora, se o homem está no controle, quem irá deixar de tê-lo? Deus... Quando Deus deu o domínio a Adão, isso significa que Ele perdeu o domínio. Então, Deus nada pode fazer nesta terra sem a nossa permissão. Essa permissão nós podemos dar-Lhe através da oração”. (Fred Price “Prayer: Do You Know What Prayer Is And How To Pray? “ - The Word Studdy Bible, 1990, p. 1178).
Esta é a base do Dominionismo do Reino. O homem não está exercendo o controle. Embora Price possa avançar no assunto, no final eles chegam ao mesmo objetivo. A espiritualidade centrada no homem é como o “novo” Cristianismo deve operar, mas não a antiga fé. Nós é que precisamos da permissão de Deus, não Ele da nossa. A oração é para que seja feita a Sua vontade, não forçá-Lo a fazer a nossa.
Karen Wheaton, uma apaixonada e talentosa cantora nas cruzadas Telethons de Hinn na TBN, canta assim: “Estou tomando de volta o que é meu; estou tomando de volta o que o Diabo me roubou; estou tomando de volta... (e o povo canta junto com ela, repetindo isso várias vezes), tomando de volta: o meu emprego, minha alegria, minha saúde, meu lar, meus filhos, etc. Nomeiem tudo que deve ser devolvido”. (Louisville Kentuck Crusade Freedom Hall, levado ao ar em 24/07/2000, no Breakthrough). [N.T - E as macaquinhas brasileiras, tipo a mulher que anda de quatro, rosnando como leão, vão aprendendo tudo que não presta dos analfabetos bíblicos americanos].
Esse domínio do planeta Terra terá sido realizado pela Igreja e mais especificamente por um determinado grupo de “vencedores”, o qual vai se lançar à liderança e autoridade, através dos seus novos apóstolos e profetas.
Ern Baxter disse, em 1975: “Estamos falando do homem chegando à plenitude de sua própria realização, ao seu destino final como imagem de Deus. O Amado veio para se tornar o Filho do Pai, o Homem Ideal, após o que Ele iria apadrinhar toda uma comunidade de redimidos. O que Ele foi, em Seu encarnado poder e vida, então vocês vão se tornar em seu poder e vida corporativos. O propósito de Deus não é redimir um grupo de pessoas que se sentam numa parada de ônibus, esperando que o ônibus chegue e os conduza para fora da corrupção do mundo. Ele veio como Rei, de modo que, sob a autoridade deles [os redimidos], a comunidade poderá tornar-se um meio através do qual Ele possa estabelecer o soberano direito em sua própria terra redimida. Temos salvação individual, mas, como nação, temos a salvação corporativa... O povo de Deus vai começar a exercitar o governo e exercerá o domínio sobre o poder de Satanás. Como a Sua vara de ferro proveio de Sião, Ele vai mudar a legislação, vai escorraçar o Diabo para fora da terra e o povo de Deus vai realizar os propósitos do Reino de Deus”. (MacPhersohn - Can The Elect Be Deceived?”, 1986). [N.T. - Eu só gostaria de saber se todo esse otimismo vai continuar, quando essa turma dominionista estiver marchando, por ordem do Anticristo, para um forno crematório! - MS].
O Reconstrucionismo clássico ensina que Cristo amarrou Satanás e os seus demônios no passado, pela Sua morte. Na visão pentecostal reconstrucionista do Latter Rain, eles amarram Satanás agora e se apossam dos seus bens, governando através da guerra espiritual da oração. Por isso, estamos escutando tantas vezes, hoje em dia, que devemos reaver para a Igreja o que Satanás roubou, uma vez que a Igreja precisa desses bens para realizar a sua obra. Nesse espírito, temos John Avanzini, Rod Parsley, Benny Hinn, Shambach e muitos outros falando de jubileu e da Igreja recebendo de volta os seus direitos e se libertando do débito [vermelho]. [N.T. - E com essa desculpa, esses mestres do engodo vão tosquiando as ovelhas, como se elas fossem o próprio Diabo... E as coitadas se deixam tosquiar, ingenuamente, porque nunca pesquisam a Palavra de Deus dentro do contexto – MS]. Rod Parsley declara: ”Pouco antes da volta de Cristo, Deus terá devolvido à Igreja tudo que ela perdeu para Satanás”. (Breakthrough, 3/10/1999).
Alguns dão uma significação mais ampla a esse evento, como sendo um reavivamento financeiro (Será que existe tal coisa na Bíblia?). Mesmo assim, todos concordam em que a Igreja precisa de cura, de ganhar o controle sobre a riqueza do mundo, a fim de pregar o evangelho a todas as nações e estabelecer a chegada do Reino.
Rick Joyner:“Creio que vocês sabem que a riqueza, em certo sentido, é como a energia que não pode ser destruída, mas exatamente transferida; acredito que haverá um grande colapso econômico, quando a riqueza mundial será destruída e uma porção da mesma será transferida para os crentes.” (CBN, 03/01/2000).
Maxwell White escreve que podemos ser curados instantaneamente da doença, quando invocamos o sangue e que podemos também receber o Espírito Santo por este mesmo método. (The Power Of The Blood, cap. 7-8, White). Ele escreve também sobre Efésios 5:27: “A Noiva deve estar perfeita, sem nenhuma doença espiritual, mental ou física, quando o Noivo chegar para ela” (White, Christian Life, p. 39).
Creflo Dollar vai mais longe em seu posicionamento: “Deus vai voltar para uma Igreja sem mancha ou censura. Ele não vai voltar para uma Igreja em débito e esse reavivamento precisa acontecer antes Dele chegar. Ele não virá para uma Igreja falida; Ele não pode voltar para uma igreja enferma; não vai voltar para uma Igreja em débito, o que iria contrariar a Sua Palavra. ‘Estou voltando para uma Igreja gloriosa, sem mancha ou ruga’, o que significa que haverá uma rápida restituição em movimento”. (LeSea Network, 27/03/2000). Tomar de volta a riqueza material do mundo e não ficar doente, não é uma posição bíblica para os últimos dias. Existem, exatamente, mais admoestações contra isso do que a favor: (Tiago 5:1-3; 2 Timóteo 3:1; Apocalipse 3:14).
O Pré-milenismo ensina que após Sua Segunda Vinda, Cristo vai estabelecer o Seu literal, terreno e político Reino Milenar e estará fisicamente presente para governar a Terra durante mil anos. Nesta nova e modificada visão de reconstrução mantida por certos líderes pentecostais, um exército remanescente da elite dos vencedores vai subjugar todos os inimigos de Cristo, conseguindo poder e autoridade no mundo inteiro, através dos sinais e maravilhas. Os que mantêm essa visão triunfalista acreditam que os governos das nações ficarão sobre os seus ombros e quando todas as autoridades, governos, governantes e reis seculares tiverem sido finalmente submetidos ao seu controle, Cristo voltará e eles Lhe apresentarão o Reino. Dificilmente o cenário de Isaías 9:6-7 poderia se encaixar aqui. Para eles, esta idéia está embasada em toda autoridade e poder que foram dados a Jesus, no céu e na Terra, e visto como os crentes são habitados pelo mesmo Espírito Santo, o qual habitou em Jesus, então eles também terão na Terra, a mesma autoridade que Jesus tem no céu, achando que poderão operar os milagres que Ele operou. E com esse poder eles reconstruirão primeiro a América e depois o resto do mundo.
O direito de Deus governar os assuntos humanos não é promovido por qualquer governo. A pergunta que fazemos é esta: as coisas seriam diferentes, se existisse uma forma cristã de governo? No VT Deus falou aos profetas ou ao Rei do povo. Pois é isso mesmo que o Dominionismo deseja que tenhamos de volta, exceto que o Rei seria um Jesus fisicamente distante da Terra... Então, quem seria esse governante?
O governo dos EUA não é mais corrupto do que o governo romano, no tempo de Cristo. Mesmo assim, não vemos instrução alguma de Jesus no sentido de reformá-lo, mas somente a de pregar o evangelho para que as almas fossem salvas. Será que nós, depois de 1.900 anos, poderíamos conseguir o que os apóstolos da Igreja Primitiva, com todo o seu poder, não conseguiram? [N.T. - Isso sem falar numa população de 6 bilhões de pecadores habitando um mundo mais paganizado do que no tempo de Cristo - MS]. Eles acreditam que assumindo posições educacionais e políticas no governo, poderão mudar os países. Ora, isso foi tentado antes [na Era das Trevas], pela Igreja Católica Romana... Por isso não seria surpresa que os promotores desse ensino estejam se unindo à Igreja Romana e então não mais denunciam os seus erros. A agenda seria idêntica, o que até pode levá-los [os reconstrucionistas/dominionistas] a uma cooperação mútua com a Igreja Católica Romana.
Em parte nenhuma a Bíblia nos ensina a reformar o mundo. Temos exemplos bíblicos dos que tiveram essa oportunidade e jamais o fizeram. José, como a segunda pessoa depois do Faraó; Ester com o Rei Assuero, e Daniel, nenhum deles conseguiu mudar a sociedade em que viveram. Deus usou estes homens para preservar o Seu povo, mas não para recuperar uma cultura ímpia, tornando-a piedosa. Cristo jamais tentou reformar o mundo mau do Seu tempo, nem deu instrução alguma aos apóstolos para que o fizessem. Eles “alvoroçaram o mundo” (Atos 17:6) pela pregação do evangelho e não ensinando o saneamento dos costumes de uma sociedade maligna. Isso não nos exclui de sermos sal e luz, mas nos exclui de tentar mudar as leis, de modo que os não salvos possam viver como os salvos. Sim, devemos salvar vidas e denunciar “as obras infrutuosas das trevas” (Efésios 5:11). A verdade deve ser exaltada, de modo que a falsidade caia. Isso é uma questão de escolha pessoal, não de melhorar o governo exercido sobre a maioria das pessoas. Isso jamais funcionou antes e somente vai funcionar quando Cristo vier governar a Terra com justiça e eqüidade.
Qualquer reforma da sociedade tem vindo através de indivíduos que foram transformados pela fé em Cristo e suas vidas se tornaram influência para o bem estar da sociedade. Não pode haver transformação pelo melhoramento das leis sobre os outros, no sentido de que eles possam ter uma forma de piedade...
“Tendo sido pré-ordenado por Deus que esse povo que será tão glorificado que possamos trazer Cristo de volta a Terra, essa Igreja glorificada deve transformar a Terra no estrado dos pés de Deus, antes que Jesus venha novamente.” (The Wounded Body of Christ, Earl Paulk, citado no livro de Jewel Van der Merwe - Joel’s Army). A Bíblia ensina que o céu é o Seu trono e que a Terra, JÁ É o estrado de Seus pés.
C. Peter Wagner declara: “Creio que o governo da Igreja está finalmente acontecendo e é isso que a Escritura ensina em Efésios 2, ou seja, que o fundamento da Igreja são os apóstolos e profetas. Antes das décadas de 1980 e 1990, nós praticamente ignorávamos os profetas e apóstolos, mas agora estamos vendo o que creio ser a principal razão de estarmos alcançando novos níveis na oração. Novos níveis no espiritual. Estamos chegando a novos níveis de cura e milagres. Estamos chegando a novos níveis de libertação dos demônios. Então, esta é uma nova era, na qual estamos entrando e não sei se é coincidência ou não, mas é exatamente como se estivéssemos nos movendo para um novo milênio” (CBN, 03/01/2000).
O que temos visto é um excesso de senhores para servos insuficientes. Isso apela ao orgulho humano e à decaída natureza do homem, no sentido dele se tornar especial e poderoso. O movimento de apascentar transformou-se agora no Movimento Apostólico, o qual deseja governar a Igreja e, em seguida, o mundo.
A verdade é que a Igreja tem falhado; contudo, não será bem sucedida sob essa nova liderança. John Arnot diz: “Sim, Senhor, vamos fazer isso; vamos fazer a nossa parte para trazer o Reino de Deus para cá... E não seria maravilhoso se o Senhor começasse a mover o poder, para restaurar a Igreja ao seu lugar apropriado e fazer de nós cabeça em vez de cauda?”. (John Arnot, TACF, 19/10/1994). Primeiro precisamos entender que Cristo é a cabeça da Igreja e que nós nunca fomos a cauda. Se a Igreja está sob Cristo, nós já estamos no lugar apropriado.
“Pois Jesus fez uma afirmação sobre cada pedaço de chão, nesta terra, e eu me levantei para essa completa posse. Chegou o dia em que posso expulsar os enganadores que se estabeleceram na terra, a qual me pertence por direito. Pois ela pertence a Cristo e a seus herdeiros; estamos em vias de desapossar aqueles que falsamente a possuem. Vamos todos, pois, lutar pelos nossos direitos. Façamos o que eu digo e certamente teremos de volta o nosso chão”. (Profecia de Jane Williams, da Christian Fellowship Church, Columbia, 07/04/1996).
É bastante questionável pensar que Jesus venha nos libertar dos intrusos, conforme essa “profecia”.
Outro ponto de vista escatológico da Teologia do Reino é que a Grande Tribulação não é vista como um tempo em que o Anticristo vai reinar e guerrear contra os santos, mas como um tempo de tribulação trazido por Deus para o mundo, com um julgamento exercido pelo Seu povo. Este é o cenário apresentado conforme o exército de Joel, o qual nada tem de bíblico.
Muitos parecem deixar de perceber que Deus é a fonte do julgamento na Grande Tribulação, contra um mundo que não se arrepende. O Anticristo é considerado por alguns não como uma pessoa ou mesmo um sistema de governo, mas como um espírito de rebelião contra a nova autoridade de Deus representada pelos apóstolos e profetas. Alguns até ensinam que o Anticristo não é uma pessoa, mas algo que vem desafiar os ungidos de Deus. Conforme algumas interpretações da 1 João 4:2 e 2 João 7, a significação da vinda de Jesus em carne é a Sua divindade manifestando-se na Igreja.
Copeland declara que Deus esteve de mãos atadas até agora: “Mas eu lhes digo que todas as restrições que têm estado sobre Deus, durante 6.000 anos, serão anuladas. Todas as restrições que têm estado sobre os anjos, durante 6.000 anos, serão anuladas. Tudo isso vai acabar; a Bíblia diz que Deus vai se levantar como um homem que tem estado dormindo e vai despertar. É realmente esta a compreensão de Copeland, que Ele vai se levantar e começar a cortar e colher. Deus esteve afastado por muito tempo e nós vamos ter alguns cortes, de modo que vocês e eu precisamos estar em nosso lugar.” (TBN, Jesus Is The Lord, 11/01/2000). Minha Bíblia diz que Deus não cochila nem dorme. Ele não tira férias, nem jamais vai tirá-las.
“A Igreja equivale aos pés de Jesus. Deus prometeu a Jesus: ‘treinarei os teus pés e os usarei para derrubar e esmagar os teus inimigos’.” (Francis Frangipane para a revista Charisma, julho de 1993).
“Satanás e todos os inimigos de Deus serão postos sob os pés do “infante corporativo”, os novos filhos de Deus. Será esse o cumprimento da 1 Coríntios 15:25-26, “Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte”.” Deus Pai diz ao Filho, em Hebreus 1:13: “E a qual dos anjos disse jamais: Assenta-te à minha destra, até que ponha a teus inimigos por escabelo de teus pés?”. Em Hebreus 10:12-13, lemos: “Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés”. Então, quem fez do inimigo o estrado dos Seus pés foi Deus e NÃO a Igreja.
Paulk dá às pessoas a super confiança de que Jesus teve autoridade para dizer “não” à morte na Terra e que Ele está esperando que cheguemos a essa mesma autoridade que Ele teve, de modo que possamos dizer: O último inimigo - a morte - foi vencido.
Será que esquecemos que a história do “Livro dos Mártires, de Foxe”, está repleta de narrativas dos que deram a vida por Cristo, até mesmo os apóstolos? Será que somos diferentes deles? Os santos sempre vencerão o mal e Satanás, porém não através do domínio sobre as instituições do mundo, nem criando um paraíso, nem um Milênio cristão. Em vez disso, a Escritura declara que nós, os santos, venceremos “... pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; porque não amamos as nossas vidas até à morte”. Apocalipse 12:11. Minha Bíblia diz que ele (Satanás) venceu os santos durante a Tribulação e é isso que vai chegar ao mundo. Não uma sociedade cristã. Porém não devemos desanimar, porque finalmente teremos vitória.
Artigo “The Cleansing For The Kingdom”, www.letusreason.org/Latrain14.htm
Traduzido por Mary Schultze, em 01/10/2007
http://www.cpr.org.br/Mary.htm

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