Uma História de Horror
HORROR
Jovem é mantida 9 anos em cativeiro
Polícia de Goiás procura comerciante que teria acorrentado e estuprado garota em quarto e em porão até a fuga dela
Jovem é mantida 9 anos em cativeiro
Polícia de Goiás procura comerciante que teria acorrentado e estuprado garota em quarto e em porão até a fuga dela
João Campos -
Brasília – A história da adolescente M.R.S., de 19 anos – estuprada aos 10, mãe aos 13 e acorrentada por dois anos em um porão sujo e escuro – chocou a população do Parque Sol Nascente, em Luziânia (GO), a 58km de Brasília. Nos últimos nove anos, ela foi aprisionada, molestada e ameaçada de morte pelo comerciante Raimundo Gomes da Silva, de 61, dono do Bar Vagalume, local do cárcere privado. O fim desse drama mais cruel do que os de filmes de terror ocorreu no dia 5, quando a vítima fugiu com a filha e denunciou o comerciante à polícia. Raimundo está foragido.
Nos fundos do bar, na Rua 15, Quadra 33, a então menina foi mantida num quarto totalmente coberto por pôsteres e fotos de mulheres nuas e cenas de sexo. Havia cama de casal, um sofá velho e um berço, e a única ligação com o ambiente externo é uma pequena janela para o quintal da casa. Dos 13 aos 15 anos, ela ficou acorrentada com a filha recém-nascida num porão de três metros quadrados. No local, só havia um colchão de espuma e duas lâmpadas vermelhas, usadas pelo comerciante nos momentos de violência sexual.
De acordo com a delegada da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Luziânia, Dilamar Castro, Raimundo usava o bar como fachada para interceptação de objetos roubados. “Tinha de tudo: bicicleta, ferramentas, aparelhos de som, DVD… todos sem nota fiscal”, informou. Segundo ela, duas apreensões de armas de fogo foram feitas no estabelecimento, e Raimundo ainda responde por três homicídios, cárcere privado e atentado violento ao pudor.
Segundo a policial, uma das supostas vítimas de Raimundo teria sido a mãe da adolescente, Maria Amélia Rabelo, assassinada a facadas num matagal, em Samambaia (DF), em 2002. “Dois adolescentes assumiram a autoria, mas o nome dele ainda consta na ocorrência como suspeito. Ele tem fama de contratar pessoas para executar crimes”, contou a delegada. Outra vítima de Raimundo teria sido o próprio filho que teve com a adolescente, em 2005. “Ninguém nunca viu a criança. A única prova são os documentos no hospital da cidade”, informou a delegada. Desde quarta-feira, bombeiros escavam o chão do bar, em busca de supostos corpos.
Depois do assassinato da mãe e sob as ameaças de morte de Raimundo, a jovem voltou ao Bar Vagalume. O pai dela, Milton Ribeiro dos Santos, desapareceu. Ela acredita que ele esteja em Minas Gerais, onde teria outra família. As duas irmãs mais velhas também sumiram, por temer a volta do criminoso. ‘Ela (vítima) passou alguns dias na chácara onde eu trabalho e tomo conta. O Raimundo envenenou os cachorros e deixou um bilhete pregado no portão falando que se ela ficasse, os próximos seriam nós", conta a única irmã com quem a vítima mantém contato, e preferiu não ser identificada.
Na vizinhança, a maioria dos moradores não quer falar no assunto. “Ele parecia normal, andava de bicicleta, falava com as pessoas”, conta um vizinho, que não quis se identificar. “Ele ainda está solto e é louco. Tenho medo de que ele volte”, afirmou outra moradora. Suspeita de cúmplice do Raimundo, a ex-mulher do comerciante, identificada como Eunice, nega as acusações.
Eunice e a família ainda moram na casa atrás do bar. Procurados, disseram que não queriam dar entrevista e ameaçaram chamar a polícia. Para a delegada Dilamar Castro, trata-se de um caso de psicopatia. ‘Para submeter a própria filha ao que ele fazia, não pode ser uma pessoa equilibrada. Ele a estuprava na frente da criança”, informou.
A jovem e a filha estão sob proteção da polícia, e nos próximos dias. devem ser transferidas para um abrigo em outra cidade de Goiás. “Quero estudar para ser professora e ser feliz coma minha filha”, sonha a jovem, com um tímido sorriso no rosto.
Estado de Minas 15/2/2008
